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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

"O Brasil na imprensa alemã "

Brasilien Sängerin Anitta (imago/ZUMAPress/P. Lopes)Debate sobre sexismo e celulite, inflamado pelo vídeo da cantora Anitta, e entrevista com o jogador Ronaldo sobre a Copa de 2014 e o 7 a 1 estão entre os destaques da semana. Frankfurter Allgemeine Zeitung – O manifesto da malandra com celulite: O funk brasileiro está mais vivo e forte do que nunca. O exemplo mais recente é o grude Vai malandra, despretensioso do ponto de vista musical. É a primeira música em português a ficar no top 20 mundial do Spotify. Mas Vai malandra reacendeu sobretudo um debate no Brasil sobre o sexismo na sociedade, sobre a imagem que homens e a mídia têm da mulher e também sobre autoestima e autodeterminação das mulheres. O debate combina com o verão e o carnaval, que informalmente já começou: é nele que a missa sagrada brasileira do corpo pouco coberto é celebrada com especial devoção. Com Vai malandra, ela criou um escândalo premeditado (...) No vídeo, por recomendação explícita de Anitta, os traços de celulite não foram retocados. Com isso, Anitta quer mostrar a mulher brasileira como ela realmente é – em vez de reproduzir uma imagem enganosa, trabalhada com Photoshop, de uma pele imaculada, como a disseminada pelas novelas, revistas e publicidade. "A mulher de verdade tem celulite", diz o credo de Anitta, que encontrou certa repercussão nas mídias sociais. Só que aquilo que a cantora Anitta e suas partidárias celebram como uma espécie de manifesto feminista de malandras é na verdade apenas a transferência da imagem sexista da mulher manifestada lá embaixo, nas praias de Copacabana e Ipanema bem como pela mídia mainstream, para os telhados do Vidigal. Neles, mulheres gordas da favela se deitam em piscinas improvisadas e vestem biquínis minúsculos feitos com fita isolante, usada para que o bronzeado fique com marcas bem delineadas. Enquanto isso, homens com pouca roupa dão tapas generosos nos traseiros das mulheres – com ou sem celulite. O vídeo foi dirigido pelo fotógrafo americano de moda Terry Richarson, que caiu em desgraça por causa de acusações feitas por inúmeras jovens modelos, de que ele as teria explorado sexualmente e, no rastro do escândalo Weinstein, em outubro, foi mandado embora por várias revistas. Anitta, porém, não queria jogar fora o trabalho dela e de Richardson, aparentemente em respeito às pessoas do Vidigal que participaram da gravação. A própria cantora, aliás, tem pele branca. Com seu penteado de dreadlocks, ela bota pinta de afro-brasileira, como se tentasse se aproximar dos moradores da favela, que majoritariamente têm pele escura. Além disso, observadores dizem ter constatado que Anitta recorreu a ajuda médica no peito, o que não combina com seu comprometimento com a mulher real. Seu manifesto de malandra não enterra a imagem sexista da mulher na sociedade. Muitos dos críticos de Anitta veem justamente aí o motivo para o seu sucesso.
Sport Bild – "O Brasil está forte de novo"
Ronaldo, o campeão mundial de 1994 e 2002, explica o que o Brasil aprendeu com o 7 a 1 contra a Alemanha e por que ele gosta dos alemães. Sport Bild: Ronaldo, em março haverá o primeiro confronto entre Alemanha e Brasil desde o 7 a 1 na semifinal da Copa 2014. Você já digeriu o vexame de Belo Horizonte? Ronaldo (41): Esse foi um dos piores pesadelos de muitos brasileiros. Não só por causa do resultado. A forma como aconteceu, levar quatro gols em seis minutos, para isso só há uma explicação anos depois: faltou experiência. (...) Basicamente, o pesadelo de Belo Horizonte certamente serviu de lição, em grande medida, sob muitos aspectos.
Como assim?
A seleção alemã não fez apenas em campo um trabalho maravilhoso. Ela se instalou numa comunidade, lá se integrou, iniciou projetos que ainda hoje ajudam essa comunidade. Isso foi exemplar para nós, brasileiros. Ninguém aqui levou os alemães a mal por causa desse jogo, pois a simpatia com que a Alemanha se apresentou no país foi algo maravilhoso. Principalmente porque os alemães tinham a imagem de serem frios. Mas aqui eles mostraram calor humano, mostraram cordialidade. Foi uma satisfação ter a Alemanha aqui.
AS/ots/cp

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