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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

"Trump dissolve comissão sobre fraude eleitoral"

defaultPresidente dos EUA extingue comissão criada por ele para investigar suposta fraude eleitoral nas eleições de 2016. Trump responsabilizou "recusa de vários estados em fornecer informações sobre eleitores".O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que extingue uma comissão criada por ele para investigar alegadas fraudes eleitorais nas eleições presidenciais de 2016, anunciou a Casa Branca na quarta-feira (03/01). Segundo Trump, a iniciativa presidencial se deparou com a recusa de vários estados em fornecer as informações exigidas pela comissão para realizar a investigação. Trump venceu as eleições presidenciais de novembro de 2016 com a maioria dos votos nos colégios eleitorais, mas a candidata democrata Hillary Clinton obteve mais votos populares – quase três milhões. Embora estes resultados tenham sido certificados pela Comissão Eleitoral Federal, o agora presidente dos EUA tem insistido que uma fraude eleitoral lhe custou a vitória também no voto popular. Em janeiro do ano passado, ele alegou que "milhões de pessoas votaram ilegalmente", e criou a comissão que agora foi extinta. "Apesar das provas substanciais de fraude eleitoral, vários estados se recusaram a fornecer à comissão presidencial sobre integridade eleitoral as informações elementares", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders. "Em vez de se envolver numa batalha jurídica sem fim e às custas do contribuinte, o presidente Donald J. Trump assinou uma ordem executiva para dissolver a comissão e pediu ao Departamento de Segurança Interna [DHS] que reavalie as descobertas inicias e determine o rumo a seguir", concluiu.
Falta de evidências
Autoridades eleitorais rejeitaram as alegações e especialistas concluíram que não poderia ter ocorrido uma fraude eleitoral em tal escala. Vários estados americanos recusaram pedidos de informações da comissão e alegaram que os dados requeridos podiam ser utilizados para privar alguns eleitores do direito de votar. As informações solicitadas pela comissão abrangiam dados como número de segurança social e histórico de votos. Além disso, havia receio de que, ao cumprir a ordem, os estados estariam legitimando a própria noção de que a fraude eleitoral é generalizada, algo que a maioria dos estudos concluiu não ser o caso. Um estudo de um professor da Escola de Direito Loyola, por exemplo, apontou que, de um bilhão de votos emitidos em todas as eleições dos EUA entre 2000 e 2014, houve apenas 31 casos conhecidos de fraude de identidade. E um estudo de 2012 do Pew Research Center encontrou milhões de registros inválidos porque as pessoas morreram ou se mudaram, mas "evidência zero de fraude".
"Trump falhou em espalhar suas próprias fake news"
O secretário de Estado do Kansas, Kris Kobach, vice-presidente da comissão e republicano conservador, disse que a decisão de dissolver a comissão bipartidária era uma "mudança tática". Ele alegou que os democratas não queriam a investigação desde o início. "Seu lema era: 'não há nada para ver aqui'", disse. Críticos qualificaram a comissão como parte de uma campanha republicana destinada a tornar mais difícil para os tradicionais grupos eleitorais democratas – minorias, jovens e pobres – ir às urnas. "Não é nenhuma surpresa que uma comissão fundada com base numa mentira de fraude eleitoral generalizada provou ser uma fraude em si", disse o secretário de Estado da Califórnia, Alex Padilla, um democrata. "Nenhum dólar dos contribuintes deveria ter sido desperdiçado na cruzada de supressão de eleitores do senhor Trump." O diretor do Projeto de Direito de Voto da União Americana das Liberdades Civis, Dale Ho, acusou a comissão de se envolver "numa perseguição desenfreada". "O presidente Trump tentou e falhou na divulgação de suas próprias notícias falsas sobre a fraude eleitoral", afirmou Ho.
PV/lusa/dpa/ap/cp

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