Não tem sido fácil para a ministra Cármen Lúcia manter o mínimo de dignidade e liturgia institucional no Supremo. As pressões são enormes, como ela mesma admite. As injunções e incursões de figuras alheias ao funcionamento da Alta Corte, que trafegam pelos corredores do STF e tomam as salas dos excelentíssimos ministros como se fossem donos do pedaço, são de estarrecer qualquer guardião da lei e da ordem comprometido com o princípio de que a Constituição tem de valer e ser seguida à risca por todos os homens – sem acertos de última hora ou ajustes para acomodar eventuais inconvenientes que atinjam esse ou aquele dignitário cidadão da República.
A Ópera dos Embusteiros do PT seguiria seu curso se uma juíza de verdade não atravessasse a partitura com a protofonia da Constituição e os acordes do Código Penal. Designada presidente do Supremo, Cármen Lúcia limitou-se a cumprir seu dever. Enxergou as coisas como elas são, eviscerou o esquema criminoso e, amparada na lei, deixou claro que corrupção dá cadeia.
Sobre o autor
Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três
Foto Andre Dusek
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