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sexta-feira, 6 de abril de 2018

"Levanta do berço esplêndido, Brasil, que o bicho tá pegando!

Resultado de imagem para Paulo José Cunha é professor, jornalista e escritor."Não há o que comemorar, Brasil. O momento é mais para reflexão e redefinição de rumos do que para fogos e hurras. O julgamento exibiu o tamanho do buraco em que estamos encalacrados". Quando ouvi a explosão dos fogos e o alarido dos manifestantes no minuto seguinte ao que a presidente do STF, ministra Carmen Lúcia, proclamou o resultado do julgamento que negou o pedido de habeas corpus ao ex-presidente Lula, percebi o quanto você vai mal, Brasil. Ainda que o resultado tivesse sido em sentido contrário, não haveria motivo para regozijo, palmas, fogos, hurras. As comemorações me lembraram o prazer sádico e aliviado que certos doentes em estado grave sentem ao ver o colega da cama ao lado dar o último suspiro. E ainda cantarolam baixinho: “Morreu, morreu/ Antes ele do que eu”. Não há o que comemorar, Brasil. O momento é mais para reflexão e redefinição de rumos do que para fogos e hurras. O julgamento exibiu o tamanho do buraco em que estamos encalacrados. E permitiu vislumbrar o tamanho do outro buraco, ainda mais fundo, onde podemos cair, se teu povo não acordar a tempo, puser a mão na consciência, levantar a cabeça, criar juízo e achar o caminho correto.
O cabeça-chata encarnou a Esperança
Afinal, no banco dos réus não estava uma pessoa qualquer. Era um ex-presidente que representou num momento crítico da vida brasileira a Esperança, a única que não havia sido abatida pela truculência dos gorilas que em 1964 descansaram por 21 anos os glúteos no trono do Palácio do Planalto.
O metalúrgico, o homem do povo, o nordestino semialfabetizado, o cabeça-chata que, como tantos de sua espécie, foi um dia despejado de um pau-de-arara no turbilhão da grande cidade, iria nos redimir. O país ainda vacilaria na primeira eleição direta depois da ditadura, preferindo eleger um filhinho-de-papai alagoano.
Durou pouco. Collor terminaria abatido pela descoberta de um forte esquema de corrupção em seu governo, comandado pelo seu homem forte, Paulo César Faria, o Vaccari daquela época. Alguns anos depois, Brasil, você finalmente acordaria, e colocaria o metalúrgico no mais alto posto da república. Lavamos a alma e a égua! Eu estava lá, vi a festa da posse, filmei tudo, ao lado do saudoso amigo, o cineasta Geraldo Moraes.
Aquelas imagens históricas, que ele nunca chegou a montar, devem estar nos guardados da família. Desde Getúlio, dizem, não se viu festa igual para um presidente.
São demais os perigos desta vida
Mas o tempo passa, voa. E as tentações do mundo, das quais não escapam nem os padres de Formosa, seduziram o líder de maior popularidade da história recente. E ele pecou, inebriado. Quando ligaram o lava-jato de Moro, a água, que já vinha revelando podridões em diversos partidos e corporações, atingiu em cheio o metalúrgico. E aí apareceram os tríplex, os sítios e a fortuna vertiginosa do filho que outro dia limpava bosta de elefantes num zoológico. Parodiando ao contrário o slogan famoso, não foi o medo que venceu a esperança: ela foi vencida pela decepção. Eu vi, Brasil, eu estava lá e vi o choro dos políticos desapontados e sem rumo, quando explodiu o escândalo do Mensalão, que atingiu o coração do PT. Lembro bem do abraço que ofereci a uma deputada petista, aos prantos. Daquelas lágrimas surgiria um partido chamado Psol.
Depois do julgamento histórico do STF, o símbolo da Esperança desabou definitivamente do cavalo, sobre o qual até outro dia desfilava garboso. Surpreendentemente alguns ainda insistem prendê-lo ao corcel para faturar uns caraminguás eleitorais. Tal como como um El Cid às avessas. Não te lembras da lenda, Brasil? Pois te conto. Diz que El Cid, o Campeador, um grande guerreiro na Espanha de 1050, teve seu corpo morto preso a um cavalo com uma espada amarrada à sua mão, para os inimigos pensarem que havia ressuscitado. A artimanha deu certo e os mouros, assustados, perderam a batalha.
A serpente está viva
Pois a punição aplicada pelo STF retira de cena um mito que até outro dia era mais real que sua lenda. Não adianta mais prendê-lo ao cavalo.
Preocupantemente, seu vácuo abre espaço para a entronização de um outro mito, artificial, ardiloso e retrógrado, símbolo de tudo o que tu, Brasil, vens combatendo desde o pesadelo de 1964 que muita gente, inclusive eu, acreditava que havia sido varrido para o lixo da história. Não foi. Mas tu precisas acordar logo, porque o tempo está correndo depressa e já se ouvem as batidas dos coturnos em ordem unida. Ou não leste o post do general Villas Bôas no Twitter? Eu li e me assustei.
Ao passar pela Esplanada no final da tarde do julgamento, vi muitos jovens vestidos com tua bandeira. Por baixo dela dava pra ver camisetas com a imagem de Jair Bolsonaro. Eles gritavam: – Mito! Mito! Mito! Se eu fosse tu, Brasil, levantava do berço esplêndido e começaria a me mexer, em vez de ficar aí gritando hurras e soltando rojões. Porque o bicho tá pegando.
Paulo José Cunha é professor, jornalista e escritor.

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