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quarta-feira, 30 de maio de 2018

"Anatel diz estar pronta para evitar falhas em serviços de telecomunicações por causa da greve dos caminhoneiros"

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Juarez Quadros, disse nesta terça-feira (29), em audiência pública na Câmara dos Deputados, que equipes da Anatel estão mobilizadas e têm estratégias de segurança para evitar interrupções de serviços de comunicação no Brasil em decorrência da greve dos caminhoneiros. Segundo ele, até agora não houve nenhum problema desse tipo, mas a situação não deixa de ser preocupante e é necessário que a crise seja resolvida.
Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o panorama atual das telecomunicações no Brasil e a visão de futuro da regulação setorial.  Presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), JUAREZ QUADROS DO NASCIMENTO
Juarez Quadros: "Há uma equipe significativa acompanhando os desdobramentos da crise. Até este momento, não aconteceu nenhuma interrupção"
O debate, que teve como tema o panorama atual das telecomunicações no Brasil, foi promovido por iniciativa do presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, deputado Goulart (PSD-SP). Durante a reunião, o deputado Sandro Alex (PSD-PR) questionou o presidente da Anatel sobre os boatos a respeito de supostas falhas nas telecomunicações do País provocadas pela greve.
“Corremos realmente o risco de termos corte de comunicações no País?
As redes sociais acabam viralizando notícias falsas de que haverá cortes, mas também houve manifestação dos representantes de empresas de telefonia preocupados com a possibilidade de a greve ter efeitos no setor”, declarou Sandro Alex.
Juarez Quadros respondeu que há uma atenção máxima da Anatel. “A rede [de telecomunicações] é muito exposta, e nós temos uma área na agência que controla os pontos críticos e sensíveis. Há uma equipe bem significativa de pessoal acompanhando os desdobramentos da crise. Até este momento, não aconteceu nenhuma interrupção”, comentou o presidente da Anatel.
Ele explicou que normalmente a agência já trabalha com “suporte de redundância” para que, na eventual falta de geração de energia térmica, a área afetada seja atendida por geradores alimentados por combustível do tipo óleo diesel: “Essa redundância sempre existe, é uma prática antiga, na qual não se tem, nos pontos sensíveis, apenas um grupo, mas no mínimo dois grupos [de geradores de energia]. Então, há uma segurança relativa; entendo que esta crise não pode demorar tanto, porque há sempre um limite. A energia é um grande insumo para o setor de telecomunicações.”
Quadros lembrou que no caso de um cabo ótico ser danificado em um acidente em rodovia, por exemplo, a equipe de manutenção precisa de combustível para ir rapidamente ao local e restaurar o fornecimento de energia. Segundo ele, diante da greve dos caminhoneiros, a gerência da Anatel ligada a esse trabalho de manutenção foi reforçada em pontos estratégicos. “Estamos a postos”, destacou.
Revisão do sistema
O presidente da Anatel ressaltou, durante a audiência, a necessidade de rever o modelo brasileiro de telecomunicações para aproveitar os avanços proporcionados por novas tecnologias, como a internet de banda larga e a “internet das coisas” — a conexão e transmissão de dados entre objetos.

“Passados vinte anos, vivemos um ciclo muito distinto daquele que motivou a reformulação do sistema de telecomunicações em 1997, quando a telefonia fixa era dominante”, advertiu. De acordo com o dirigente, a telefonia fixa só cresceu no mundo até 2006 e no Brasil até 2014, e, portanto, é preciso mudar o foco do modelo baseado nessa tecnologia.
Juarez Quadros também alertou sobre a necessidade de aprovação de uma reforma tributária para aliviar o setor de telecomunicações, fortemente taxado nos estados por meio do ICMS. Em Rondônia, citou ele, os tributos correspondem a mais de 50% do valor da conta de telefonia.
O deputado Goulart reforçou essa preocupação. “Em muitos setores, como o das telecomunicações, a carga tributária é exorbitante e deveria ter uma redução drástica. Estamos vivendo uma sanha arrecadatória”, criticou.
Reportagem – João Pitella Junior
Edição – Marcelo Oliveira

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