Como na democracia a sociedade é responsável pelo seu próprio destino, é essencial que se possa discutir os rumos, pautas e acontecimentos do país. O debate é a maior arma do sistema republicano. Sem isso não há margem para reflexão, amadurecimento e avanço. A informação é uma das vigas mestras da construção democrática em qualquer país honrado.
É a manifestação que leva ao conhecimento do Poder Público a insatisfação da sociedade com a forma com que a República está sendo conduzida, demonstrando que, além de tudo, a liberdade de expressão se trata de uma garantia que possibilita uma eventual reconciliação entre representante e representado.
Entretanto, o termo “A CASA DOS HORRORES” não tem cunho jornalístico, informativo ou de interesse público. Pelo contrário. Se trata de nítida adjetivação difamatória para denegrir a imagem da Câmara Municipal perante a opinião pública, além de atingir quase 500 pessoas, direta ou indiretamente.
Se de um lado existe a liberdade de expressão e de imprensa, de outro existe a dignidade, a honra e a imagem de cerca de 500 pessoas e, sobretudo, do Poder Legislativo.
A autonomia do Parlamento custou caro ao Brasil. Foram mais de vinte anos lutando contra a ditadura. Inúmeras pessoas sacrificaram suas vidas para que isso acontecesse.
Quem comete erros não é a instituição, mas as pessoas que a compõem, sendo necessário fazer essa indispensável distinção para a devida responsabilização pública.
Os fatos negativos não só podem como devem ser levados ao conhecimento da coletividade. Contudo, isso deve ser feito de forma individualizada. Absolutamente ninguém pode ser penalizado por erros de terceiros.
Ao generalizar e se referir ao Poder Legislativo como “A CASA DOS HORRORES”, o veículo de comunicação violenta a dignidade de todos que trabalham no local, ainda que essas pessoas não tenham nenhuma ligação com o fato, o que não se mostra razoável, proporcional e nem tampouco lícito.
Além disso, esse tipo de prática criminaliza a política e afasta a população cada vez mais do Poder Público, deslegitimando completamente esse importante instrumento de avanço social e econômico, inclusive incentivando, de forma indireta, o desinteresse pela política, o que é um erro gravíssimo.
LENINE PÓVOAS é Advogado, Especialista e Mestrando em Direito pela PUC/SP, Professor de Direito Constitucional, Membro-Fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP) e Procurador Geral da Câmara Municipal de Cuiabá/MT.
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