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terça-feira, 24 de julho de 2018

"O nascimento de uma encíclica: documentos de preparação da Humanae Vitae, 50 anos depois, estão disponíveis"

Documentos nos Arquivos Secretos do Vaticano e na Congregação para a Doutrina da Fé provam que era um "mito" o beato Paulo VI ter estabelecido sozinho grande parte do texto de Humanae Vitae, a encíclica sobre amor matrimonial e o controle de natalidade de 1968.Em antecipação ao 50º aniversário da Encíclica, o Papa Francisco deu acesso especial aos arquivos ao Mons. Gilfredo Marengo, professor do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família. Os resultados de sua pesquisa foram publicados em italiano no início de julho, no livro “The Birth of an Encyclical: 'Humanae Vitae' in the Light of the Vatican Archives” (O Nascimento de uma Encíclica: ‘Humanae Vitae’ à luz dos Arquivos do Vaticano, em português). Em uma nota, Marengo disse que sua pesquisa revelou quatro fatos pouco conhecidos: 1) Paulo VI aprovou uma encíclica, De Nascendae Prolis ("Sobre o Nascimento de uma Criança"), no início de maio de 1968, mas foi convencido por tradutores da Secretaria de Estado do Vaticano de que ainda era preciso trabalhar sobre ela;
2) um novo projeto foi corrigido à mão por Paulo VI;
3) em várias ocasiões o futuro São João Paulo II mandou sugestões, incluindo uma extensa abordagem do tema, mas não há provas de que foram usadas em grande medida no documento final; e,
4) Paulo VI pediu aos 199 bispos do mundo no Sínodo dos Bispos de 1967 para que mandassem reflexões sobre o tema do controle da natalidade.
Marengo disse que a solicitação para os membros do Sínodo foi uma surpresa. Não está incluída em qualquer relatório sobre o Sínodo propriamente dito.
"A novidade sobre o desejo do Papa em consultar todos os membros da assembleia sinodal é muito importante", disse ele, "porque uma das acusações mais frequentemente repetidas após a publicação da Humanae Vitae foi de que o Papa decidiu agir sozinho, de maneira não colegial."
O Papa recebeu apenas 25 respostas no período entre 09 de outubro de 1967 e 31 de maio de 1968, disse Marengo. E, talvez mais surpreendente, desses, apenas sete bispos pediram que o papa reafirmasse o ensinamento da Igreja Católica contra o uso de contraceptivos.
As outras— incluindo uma resposta conjunta vinda dos Estados Unidos do cardeal Lawrence Shehan de Baltimore, cardeal John Krol de Filadélfia, arcebispo John Dearden de Detroit e o bispo John Wright de Pittsburgh — apresentavam abertura ao uso de métodos artificiais de controle da natalidade em algumas circunstâncias, no entanto, "nenhum deles diria que o uso da pílula é uma coisa boa", disse Marengo ao Catholic News Service.
O bispo Fulton J. Sheen de Rochester, Nova York e o cardeal Karol Wojtyla da Cracóvia, Polônia — futuro Papa João Paulo II — estavam entre os sete bispos que pediam pela reafirmação do ensino da Igreja de que o uso de contraceptivos era errado.
"O Papa nunca pensou em agir sozinho, em colocar a colegialidade do ministério petrino entre parênteses", escreveu Marengo.
Mas consultar não é a mesma coisa que colocar a voto. E não foram pedidas colaborações somente aos bispos. Muito tempo antes do Sínodo, e antes de Paulo VI ser eleito para liderar a Igreja, São João XXIII designou uma pequena comissão para estudar a questão da regulação da natalidade.
Paulo VI expandiu a comissão, que incluía vários casais. O trabalho da comissão terminou em 1966, com o vazamento de um relatório da maioria dos membros afirmando que a contracepção artificial não era intrinsecamente má; relatórios de minorias, insistindo que a contracepção era moralmente errada, vazaram em resposta.
Depois de ler os relatórios da comissão e da colaboração dos bispos, escreveu Marengo, Paulo VI "se viu numa situação que não era fácil. Seu julgamento tinha amadurecido, e ele se sentiu obrigado a expressá-lo em virtude do seu ministério apostólico, sabendo bem que ir nessa direção o colocaria numa distância previsível e dolorosa de setores da Igreja que não eram marginais."
Na verdade, menos de uma semana depois da Encíclica ser publicada, Paulo VI realizou uma audiência geral e falou sobre quão pesada a decisão era. "Nunca sentimos tão fortemente o peso do nosso cargo como neste caso", disse ele em 31 de julho de 1968. "Estudamos, lemos e discutimos como poderíamos; e também rezamos muito sobre isso."
Para Marengo, o processo de elaboração da Humanae Vitae não pode ser compreendido sem reconhecer as mudanças na Igreja desencadeadas pelo Concílio Vaticano II, incluindo o tema do matrimônio e da paternidade.
"Desde que foi reconhecida a 'paternidade responsável' como um valor em Gaudium et Spes — alterando de maneira fundamental a visão de matrimônio — a ideia de muitos era que isso requeria também uma mudança na moralidade sexual da Igreja", disse ele ao CNS.
"A dificuldade para o Papa Paulo VI foi como explicar que o uso de contraceptivos não era lícito à luz da afirmação sobre a paternidade responsável", disse.
A enfase da Encíclica sobre a "conexão inseparável" entre o "unitivo e o procriador" qualidades do amor matrimonial, disse, marcou uma mudança significativa no ensinamento da Igreja antes do Concílio Vaticano II; anteriormente, a Igreja ensinava que o objetivo principal do casamento era para procriação.O trabalho pessoal de Paulo na reescrita das "diretivas pastorais" da Encíclica também reflete o ensinamento do Concílio Vaticano II, disse ele. Anteriormente, "a tarefa magistral era explicar, e a tarefa pastoral era fazer as pessoas aceitarem."
"’Você deve obedecer’ era a clássica abordagem pastoral", disse Marengo.
Mas, disse ele, "Paulo VI quebrou esse esquema, dizendo 'Eu vou explicar o ensinamento e se você tentar compreendê-lo, verá que ele é verdade e o que é melhor para você'."
A reportagem é de Cindy Wooden, publicada por Catholic News Service e Caminho Político. A tradução é de Victor D. Thiesen.

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