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domingo, 26 de agosto de 2018

"CRP debate Psicologia entre indígenas, quilombolas, tradicionais, terreiro e em luta por território"

Ainda é preciso se avançar muito para que estas comunidades sejam de fatos atendidas em Mato Grosso.Como a Psicologia está presente no trabalho com as populações indígenas, quilombolas, tradicionais, de terreiro e em luta por território? Uma pergunta e várias respostas com um entendimento: não está. Ainda é preciso se avançar muito para que estas comunidades sejam de fatos atendidas em Mato Grosso. Esta foi a conclusão retirada durante o pré-encontro da Rede de Articulação: Psicologia, Povos Indígenas, Quilombolas, de Terreiro, Tradicionais e em luta por território. Isto deve-se ao fato de o trabalho da Psicologia junto a essas populações é ainda relativamente recente.
Elizeu da Silva, descendente de escravos refugiados no Quilombo Capão Negro, fez alguns questionamentos que nortearam toda a discussão do evento. “Como entrar na comunidade sem saber a história dela? É preciso conhecer como está o psicológico dentro da comunidade para poder saber atuar. Entender a vivência da comunidade”, disse Xum Xum, como é conhecido no quilombo.
Neste curto período de tempo em que a Psicologia iniciou o atendimento destas comunidades, tornou-se evidente como a Psicologia precisa se reinventar para atuar de forma engajada nesses campos. As práticas precisam se abrir para o diálogo e aprendizado com outras culturas, conhecimentos e visões de mundos.
Debate
O encontro reuniu lideranças de vários povos e o objetivo foi dar voz a estas pessoas para saber qual a realidade destas comunidades. Questões como a intolerância religiosa no caso das pessoas de terreiro, suicídio e alcoolismo entre os indígenas e quilombolas, falta de apoio aos povos em luta por território, foram alguns dos apontamentos elencados pelos participantes.
Nonoguari Comecuseudo Lima, da etnia boe bororo do município de General Carneiro, é técnica em enfermagem e estudante de Psicologia e relatou a falta de atendimento nas aldeias. “O que queremos é ser ouvidos, mas os profissionais se escondem. Ninguém quer trabalhar com a questão do alcoolismo nas aldeias e o indígena também não se sente à vontade para falar com não indígena. Foi por isso que eu vim fazer Psicologia e voltar para atendê-los”, relatou.
Outro assunto debatido foi a formação dos profissionais da Psicologia. O professor do Curso de Psicologia da UFMT Maelisson Silva Neves disse que é preciso trazer essa realidade para a faculdade e fez uma avaliação sobre o sistema público de saúde. “É preciso abrir mão da dicotomia mente-corpo para lidar com uma realidade diferente. Esta é uma fragilidade da Psicologia. Somos pautados pelo agro, que é genocida, e tem interesse que estes povos sejam varridos. Para eles é bom o sofrimento, por isso as políticas são feitas para não funcionar”, afirmou.
A doutora em educação pela PUC-SP, Naine Terena de Jesus, ainda completou: “se não nos matam fisicamente, matam mentalmente. O alcoolismo vem de uma política de extermínio”.
Mírian Toshiko Sewo, professora de Psicologia da UFMT, atua junto ao Movimento dos Sem Terras (MST) reforçou a fraqueza das políticas públicas para os assentados, como os créditos de fomentos, que além de ser um dinheiro de difícil acesso é uma quantia pequena, que não garante a produção nem mesmo para sobrevivência. Além disso, há três anos o Incra não paga recurso do fomento. Em Mato Grosso, existem 46 assentamentos onde estão 5 mil famílias, mas existem outras 100 mil que precisam de terra.
Apesar desta triste realidade, Mírian contou que apesar de poucos, existem alguns psicólogos entre os assentados. Ela informou também que por meio de uma parceria com a UFMT existe um projeto para que seja levado o curso de graduação em Psicologia para os assentamentos. O projeto está em fase final já.
Representação
O coordenador da sub-comissão de Direitos Étnicos e Raciais, Carleandro Roberto de Souza, o Kil, como é conhecido, explicou que o relatório feito da reunião será consolidado e levado para o encontro nacional e ressaltou a importância do evento realizado pelo CRP 18-MT, principalmente pode dar voz às comunidades envolvidas.
“É através da escuta que iremos compreender as demandas destes povos. Se não fizermos isso não temos como encontrar o que podemos colocar em prática”.
E é justamente por meio dos debates, ouvindo as comunidades, que será possível evoluir no atendimento a estas populações. É o que destacou a psicóloga Marisa Helena Alves, representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP). “É importante ouvir, saber onde entrar, quando e como, porque é a partir disso que vamos conseguir ter avanços. Falamos sobre o distanciamento da academia no tema, entre a prática e a formação, e é preciso rever isto nos cursos. É com esta discussão que conseguiremos produzir referências por meio do Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop)”, comentou.
Kil adiantou também que ainda terão outros encontros. Ele avalia também que a realidade de Mato Grosso não deva estar distante de outros estados, mas ressalta que há um agravante no estado devido à fonte influência do agronegócio.
Uma demanda pontuada pela estudante Talita Gonçalves, relatora do encontro e membro do coletivo Kilombo Cassangue, será levada para o debate nacional. É a representatividade dos profissionais dentro destas comunidades. Ela defende que haja uma identificação com as populações.
De acordo com dados do IBGE, a população indígena do estado é de aproximadamente 40 mil pessoas. Já com relação aos quilombos, a Fundação Cultural Palmares identificou 69 comunidades “certificadas” até 2010, estando as mesmas situadas no perímetro dos municípios de Acorizal, Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Barra do Bugres, Porto Estrela, Poconé, Cáceres, Vila Bela da Santíssima Trindade, Nossa Senhora do Livramento, Santo Antônio do Leverger, Várzea Grande.
Rede de Articulação
O I Encontro da Rede de Articulação: Psicologia, Povos Indígenas, Quilombolas, de Terreiro, Tradicionais e em luta por território (I ERA) será realizado entre os dias 7 a 9 de setembro na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema-SP, próximo à cidade de São Paulo. A proposta encontro é uma imersão, possibilitando bons encontros e trocas de conhecimentos.
Pau e Prosa Comunicação

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