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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

"Documento final do Sínodo adverte contra ''respostas pré-confeccionadas, pede ''acompanhamento'' e endossa as mulheres na liderança da Igreja"

29-10-2018-papa-francisco-sinodo-encerramento_vaticanmedia.jpgNo documento final do Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, os Padres sinodais escreveram sobre a grande diversidade de situações dos jovens em um mundo globalizado marcado por graves injustiças, pobreza e violência, assim como sobre as oportunidades e os desafios que eles enfrentam no novo mundo digital. O documento abrange também o fenômeno da migração, a sexualidade na vida dos jovens, os vários tipos de abusos na Igreja, o papel das mulheres na Igreja, a sinodalidade e o que significa construir uma Igreja sinodal, e a importância do discernimento na vida da Igreja e dos jovens à medida que procuram encontrar sua vocação na vida.
O documento final foi aprovado na noite de 27 de outubro com uma maioria dos votos. Mas nem todos ficaram felizes com o resultado, que foi divulgado para a imprensa em italiano no fim da sessão, junto com os resultados da votação. Uma maioria de dois terços (166 votos) era necessária para a sua aprovação, e o texto foi aprovado com uma votação de 191 a favor a 43 contra.
A oposição ao texto não foi uma completa surpresa, já que muitos Padres sinodais estavam claramente infelizes com o fato de o texto estar disponível para eles apenas em italiano, uma língua em que nem todos são fluentes, enquanto outros não queriam mudanças na abordagem da Igreja a certos problemas.
Os Padres sinodais votaram o texto final parágrafo por parágrafo, com 167 parágrafos ao todo. Uma minoria considerável votou contra vários parágrafos, por várias razões. Alguns não estavam satisfeitos com o conteúdo ou com a linguagem relativa aos abusos na Igreja (nn. 29 e 30), às mulheres na Igreja (nn. 55 e 38), ou à “condição das pessoas solteiras” (n. 90). Outros estavam insatisfeitos com os parágrafos sobre a sinodalidade (nn. 119-124), porque o tema não havia sido muito discutido. Também havia descontentamento sobre as questões relativas à sexualidade e especialmente à homossexualidade (n. 150), que recebeu 65 votos contrários, a maior votação negativa no Sínodo.
Quando falou no fim da sessão de trabalho final, o Papa Francisco começou defendendo o processo do Sínodo contra aqueles que criticavam a percepção de falta de transparência em relação aos procedimentos dentro da sala do Sínodo. Ele explicou que “o Sínodo não é um parlamento. É um espaço protegido para que o Espírito Santo possa agir”.
Ele descreveu o texto final como “um texto mártir” e a comissão de redação como mártir também. Mas disse que, agora, cabe a todos estudar, rezar e trabalhar com as suas conclusões.
Como ler o documento final
A introdução ao texto final de 55 páginas oferece uma importante chave interpretativa para a leitura desse texto. Ela explica que o documento final e o documento de trabalho, conhecido como Instrumentum laboris, devem ser vistos como “complementares”. Eles devem “ser lidos juntos, porque há uma contínua e intrínseca referência entre os dois”.
Deve-se notar, também, como vários Padres sinodais disseram à America, que, uma vez que o texto procura ser universal, ele não aborda em profundidade as questões de um dado país ou região. Ele é pensado como um trampolim ou como uma base para ser adaptada em nível nacional e local em países diferentes.
Um Padre sinodal explicou à America que é necessário entender bem essa chave interpretativa, porque há algumas coisas no documento de trabalho que não são encontradas no documento final, e, se os leitores criticarem o texto final por não lidar totalmente com uma questão, sem levar em conta o que também está escrito no documento de trabalho, então eles correm o risco de chegar a conclusões injustificadas.
Os mais de 260 Padres sinodais de todos os continentes e a maioria dos países do mundo declararam que o documento final é “oferecido” ao Papa Francisco e a toda a Igreja como “o fruto do Sínodo”. Ele decidirá se deve escrever uma exortação apostólica como fez depois do Sínodo sobre a família.
O que o documento final diz
O documento final toma como texto paradigmático o relato evangélico do encontro de Jesus com os dois discípulos no caminho para Emaús (Lc 24, 13-35) e enfatiza aquele que foi o mantra desse Sínodo: “Os jovens querem ser ouvidos”. Ele reconhece que “muitos” jovens sentem que o mundo adulto, tanto secular quanto eclesial, não faz isso, e há uma “escassa atenção ao seu grito, em particular àquele dos mais pobres e explorados”. O texto fala contra o fornecimento de “respostas pré-confeccionadas” e enfatiza a importância de que os pastores ouçam os jovens e preparem pessoas para “acompanhá-los”.
O documento final endossa a necessidade de maiores papéis de decisão para as mulheres na Igreja e diz que “emerge também entre os jovens o pedido de que haja um maior reconhecimento e valorização das mulheres na sociedade e na Igreja”. Reconhece que “muitas mulheres desempenham um papel insubstituível nas comunidades cristãs, mas, em muitos lugares, custa-se a lhes dar espaço nos processos decisórios, mesmo quando estes não requerem responsabilidades ministeriais específicas”. Declara que “a ausência da voz e do olhar feminino empobrece o debate e o caminho da Igreja, subtraindo uma contribuição preciosa para o discernimento”. O Sínodo recomenda “tornar todos mais conscientes da urgência de uma inevitável mudança, também a partir de uma reflexão antropológica e teológica sobre a reciprocidade entre homens e mulheres”.
Fala-se novamente sobre as mulheres no contexto de uma “Igreja sinodal” (n. 148) e diz-se que “uma Igreja que procura viver um estilo sinodal não poderá deixar de refletir sobre a condição e o papel das mulheres em seu interior e, consequentemente, também em sociedade. Os jovens e as jovens pedem isso com grande força”. Pedem-se mudanças “através de uma obra de corajosa conversão cultural e de mudança na prática pastoral cotidiana”. Diz-se que “um âmbito de particular importância a esse respeito é o da presença feminina nos órgãos eclesiais em todos os níveis, também em funções de responsabilidade, e da participação feminina nos processos decisórios eclesiais, no respeito do papel do ministério ordenado. Trata-se de um dever de justiça, que se inspira tanto no modo como Jesus se relacionou com homens e mulheres do seu tempo, quanto na importância do papel de algumas figuras femininas na Bíblia, na história da salvação e na vida de a Igreja”.
Falando sobre o mundo digital, o documento final reconhece que ele oferece aos jovens “uma extraordinária oportunidade de diálogo, encontro e intercâmbio entre as pessoas, além de acesso à informação e ao conhecimento”, mas também contém um lado negativo, que envolve “solidão, manipulação, exploração violência”, “cyberbullying” e “dark web”. Destacam-se os “gigantescos interesses econômicos” que operam no mundo digital e que criam “mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático”. Aponta-se para “a difusão de informações e notícias falsas”, que “é expressão de uma cultura que perdeu o senso da verdade”. Expressa-se também a preocupação de que “a reputação das pessoas é posta em risco por meio de processos sumários online”.
O documento final fala sobre o fenômeno da migração como “um fenômeno estrutural em nível mundial, e não uma emergência transitória” e diz que a Igreja está particularmente preocupada com “aqueles que fogem da guerra, da violência, da perseguição política ou religiosa, dos desastres naturais devidos também às mudanças climáticas e da pobreza extrema”. Diz que os jovens são a maioria dos migrantes e frequentemente são explorados por “traficantes inescrupulosos”. Destacam-se “a vulnerabilidade particular” dos migrantes menores desacompanhados e a situação daqueles que são forçados a passar muitos anos em campos de refugiados ou que ficam presos em países de trânsito por um longo tempo. Observa-se que a Igreja deve reagir a “uma mentalidade xenófoba de fechamento e encurvamento sobre si mesmo”.
O documento final dedica três parágrafos (nn. 29-31) aos abusos na Igreja. Ele trata do escândalo dos abusos sob o título “Reconhecer e reagir a todos os tipos de abuso” e defende que a Igreja “faça a verdade e peça perdão” (n. 29). Reconhece os sofrimentos que “os diversos tipos de abusos cometidos por alguns bispos, sacerdotes, religiosos e leigos” provocam “naqueles que deles são vítimas, incluindo muitos jovens, sofrimentos que podem durar a vida toda e que nenhum arrependimento pode remediar”. “Tal fenômeno é generalizado na sociedade, afeta a Igreja também e representa um sério obstáculo à sua missão.” O Sínodo “reafirma o firme compromisso para a adoção de rigorosas medidas de prevenção que impeçam a sua repetição, começando pela seleção e pela formação daqueles a quem serão confiadas tarefas de responsabilidade e educativas”.
O parágrafo 30 reconhece diferentes tipos de abuso: abusos de poder, econômicos, de consciência e sexuais. Apela-se para “a tarefa de erradicar as formas de exercício da autoridade nas quais eles se inserem e de combater a falta de responsabilidade e transparência com que muitos casos foram geridos”. Fala-se que o “desejo de domínio, a falta de diálogo e de transparência, as formas de vida dupla, o vazio espiritual, além das fragilidades psicológicas são o terreno em que a corrupção prospera”.
Denuncia-se o clericalismo, citando o Papa Francisco, ao dizer que ele “nasce de uma visão elitista e excludente da vocação, que interpreta o ministério recebido como um poder a se exercer, e não como um serviço gratuito e generoso a se oferecer. E isso leva a considerar que se pertence a um grupo que possui todas as respostas e não precisa mais escutar nem aprender nada, ou finge escutar”.
O Sínodo agradeceu às vítimas pela sua “coragem de denunciar o mal sofrido” e por ajudar a Igreja a “tomar consciência do que ocorreu e da necessidade de reagir com decisão”. Conclui dizendo: “O Senhor Jesus, que nunca abandona a sua Igreja, oferece-lhe a força e os instrumentos para um novo caminho”. Ele confirma a linha das tempestivas “ações e sanções necessárias” e reconhece que “a misericórdia exige a justiça” e que “enfrentar a questão dos abusos em todos os seus aspectos, também com a preciosa ajuda dos jovens, pode ser realmente uma oportunidade para uma reforma de porte epocal”.
Referindo-se à questão dos jovens e da sexualidade, observa-se que “frequentemente” o ensinamento da Igreja sobre a moral sexual “é causa de incompreensão e de afastamento da Igreja, porque ela é percebida como um espaço de julgamento e de condenação”. Diz-se que os jovens são sensíveis aos “valores da autenticidade e da dedicação”, mas estão desorientados e querem discutir aberta e claramente “as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina, à reciprocidade entre homens e mulheres, à homossexualidade”.
Reconhece-se (n. 149) que “no atual contexto cultural a Igreja custa a transmitir a beleza da visão cristã da corporeidade e da sexualidade” e diz-se que, portanto, “parece urgente uma busca de modalidades mais adequadas, que se traduzam concretamente na elaboração de caminhos formativos renovados”.
Abordando a orientação sexual (n. 150), o documento final diz: “Existem questões relativas ao corpo, à afetividade e à sexualidade que precisam de uma elaboração antropológica, teológica e pastoral mais aprofundada, que deve ser realizada nas modalidades e nos níveis mais convenientes, dos locais ao universal”. Entre essas questões, mencionam-se “aquelas relativas à diferença e à harmonia entre identidade masculina e feminina, e às inclinações sexuais”. A esse respeito, “o Sínodo reitera que Deus ama a cada pessoa, e assim faz a Igreja, renovando o seu compromisso contra toda discriminação e violência com base sexual”.
Ao mesmo tempo, “reafirma a determinante relevância antropológica da diferença e reciprocidade entre o homem e a mulher, e considera redutivo definir a identidade das pessoas unicamente a partir da sua orientação sexual”. Reconhece-se que “já existem muitas comunidades cristãs caminhos de acompanhamento na fé para pessoas homossexuais”. O Sínodo observa que “nesses caminhos as pessoas são ajudadas a ler a própria história, a aderir com liberdade e responsabilidade ao próprio chamado batismal, a reconhecer o desejo de pertencer e contribuir com a vida da comunidade, e discernir as melhores formas para realizar isso”.
O documento final enfatiza que os jovens, através das diferentes vocações, são chamados à santidade. Ele retorna ao chamado à santidade de maneira muito impressionante quando se refere aos escândalos de abuso (n. 166). Diz-se: “Nós devemos ser santos para poder convidar os jovens a se tornarem santos. Os jovens pediram em voz alta uma Igreja autêntica, luminosa, transparente, alegre: só uma Igreja de santos pode estar à altura de tais exigências! Muitos deles a deixaram porque não encontraram santidade nela, mas sim mediocridade, presunção, divisão e corrupção. Infelizmente, o mundo está mais indignado com os abusos cometido por algumas pessoas da Igreja do que revigorado com a santidade dos seus membros: por isso, a Igreja como um todo deve fazer uma mudança de perspectiva decisiva, imediata e radical! Os jovens precisam de santos que formem outros santos, mostrando assim que ‘a santidade é o rosto mais belo da Igreja’ (cf. Gaudete et exsultate, n. 9). Existe uma linguagem que todos os homens e as mulheres de todos os tempos, lugares e culturas podem compreender, porque é imediata e luminosa: é a linguagem da santidade”.
O documento final (n. 118) fala da necessidade de conversão em todos os níveis da Igreja e declara: “Sabemos que, para sermos críveis, devemos viver uma reforma da Igreja, que envolve purificação do coração e mudanças de estilo”.
O documento final também fala do desemprego juvenil, de violência e perseguição, de marginalização social, da cultura do descarte e, em alguns países, de sofrimentos psicológicos e do fenômeno do suicídio. Ele dedica muita atenção à “espiritualidade e religiosidade” e ao interesse dos jovens por elas (nn. 48-49), ao encontro com Jesus e ao desejo “por uma liturgia viva”.
O documento final reconhece que “um número consistente de jovens, pelas mais diversas razões, não pedem nada à Igreja, porque não a consideram significativa para a sua existência”. Diz-se que uma das razões para isso são os “escândalos sexuais e econômicos” e o “despreparo dos ministros ordenados”.
Os Padres sinodais enfatizaram que o Sínodo não termina com a missa conclusiva na Basílica de São Pedro desse domingo. Eles preveem uma importante “fase de implementação” nas Igrejas locais em todo o mundo nos próximos meses e anos, e apresentam o documento final como um “mapa para guiar os próximos passos que a Igreja é chamada a dar”. O sucesso ou o fracasso do Sínodo depende dessa fase de implementação.
Nota de IHU On-Line: A íntegra do documento final, em italiano, pode ser lida aqui.
A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada em America e Caminho Político. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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