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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Justino Malheiros afirma que “o Brasil precisa sair da lista de líder de feminicídio”

O presidente do Legislativo de Cuiabá, Justino Malheiros, disse hoje (23) que o Brasil tem estampado manchetes alarmantes, em nível mundial, a respeito dos índices crescentes de feminicídio, “liderança que não engrandece em nada nossa Nação, pelo contrário”, acentuou. “É uma graduação realmente vergonhosa, ultrajante à condição desumana que muitas mulheres vivem há décadas, subjugadas por uma gama de covardes agressões, em sua maioria no âmbito doméstico. Isso precisa acabar já! Não é admissível que a evolução do mundo encoberte uma prática tão vil, perversamente desumana. A mulher merece total respeito: não é objeto de escárnio de quem não tem o menor apreço pela condição humana humana e pelas leis vigentes no País”.
A declaração indignada do dirigente da Casa de Leis foi feita na oportunidade de apresentação de projeto de lei de sua autoria, que institui no calendário oficial do município cuiabano a campanha de conscientização sobre a prevenção desse crime, denominada “Agosto Lilás”. “Estamos, enfim, apesar da evolução dos tempos, ainda diante de um quadro estarrecedor de violência, em que mulheres são ultrajadas e vitimadas no dia a dia. Trata-se de algo que não podemos aceitar jamais, tornando-nos meros espectadores sem qualquer poder de ação preventiva, a fim de barrar a continuidade de barbáries do tipo. É preciso o engajamento urgente de toda a sociedade brasileira, com mobilização cerrada da comunidade civil, Legislativo, Judiciário e Executivo, para efetivamente coibir esse crime”.
Justino entende que a sensibilização masculina, em relação ao impacto da violência sofrida pela mulher, é um dos pontos fortes do projeto “Agosto Lilás”, somando-se a mobilizações e atividades direcionadas a mulheres e meninas acerca dos seus direitos. “O trabalho, neste sentido, deve ser uniforme, determinado a encampar diversas áreas sociais, pois aí teremos resultados promissores. O homem pode ajudar, sim, tornando-se colaborador da proposta que este projeto contempla. Refiro-me aos homens com claro discernimento justiceiro e alçados à condição de defensores da mulher injustiçada, grupo exemplar. Felizmente, dispomos de um quadro relativamente confortável de parceiros masculinos nesse quesito, contraponto forte aos que insistem em burlar as leis e pontuar procedimentos agressivos contra s uas parcerias e integrantes do sexo feminino”.
O presidente do Parlamento citou que as estatísticas oficiais são estarrecedoras, levando-se em conta a quantidade de mulheres que registraram queixas e, também, aquelas que foram chacinadas. “Só para se ter uma ideia, em 2017, no Brasil, 4.473 mulheres foram assassinadas (homicídios dolosos), o que significa uma média de 4,5 mortes para cada 100 mil brasileiras. Em dez anos, o número de feminicídio registrou avanços mais preocupantes. Na Grande Cuiabá, até dezembro de 2017, constatou-se um aumento de 350%, conforme relatos divulgados pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). É um assunto sério e que nos remete não apenas à reflexão conjunta, mas a uma ação coletiva, bem empenhada”.
João Carlos de Queiroz

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