
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Maria José Braga falou as principais metas e desafios para a próxima gestão:
Quais as principais metas do triênio?
A chapa Audálio Dantas foi eleita com slogan de campanha que resume sua proposta de luta “Em defesa dos Jornalistas, do Jornalismo e da Democracia”. São lutas ambiciosas, mas necessárias e interligadas. Para nós, o Brasil está, de fato, sob um estado de exceção, no qual as regras democráticas estão sendo permanentemente violadas. Por isso, é imperioso que as entidades sindicais e todo movimento da sociedade civil façam a defesa de retomada da democracia e do estado democrático de direito. O jornalismo deve ter papel preponderante nesse processo de reconstrução democrática e não haá jornalismo sem jornalistas. Portanto, são questões centrais para a FENAJ defender a democracia, o jornalismo e os jornalistas na sua condição de categoria profissional que precisa de condições dignas de trabalho e de vida. Mas, mantendo sua tradição de democracia interna e de debate coletivo, as metas objetivas e as ações prioritárias serão discutidas no final de agosto, durante Congresso Nacional da categoria, que será realizado em Fortaleza.
- Quais os desafios deste ano?
O principal desafio deste ano é melhorar a proposta de reforma da Previdência, para que ela não signifique, na prática, o fim das aposentadorias. Está muito difícil enfrentar o lobby dos grandes grupos financeiros interessados no milionário mercado de previdência privada e no regime de capitalização, mas a sociedade brasileira precisa fazer esse enfrentamento. E o movimento sindical tem papel preponderante nessa luta. Temos também questões específicas da categoria, como o enfrentamento à precarização das relações de trabalho, que é uma ação contínua dos sindicatos/FENAJ. A cada negociação salarial coletiva feita pelos sindicatos, enfrentamos uma verdadeira guerra pela manutenção dos salários e condições de trabalho.
- Como a FENAJ tem atuado no Congresso sobre a lei do imposto sindical? Tem algum posicionamento novo?
O imposto sindical foi tornado facultativo na contrar-reforma trabalhista, o que significou também uma contrarreforma sindical. E enfatizamos que se tratou de contrarreforma porque ela não trouxe nenhum ganho para o trabalhador; só retirou direitos e legalizou a precarização das relações de trabalho. Do mesmo modo, no campo sindical a medida aprovada foi para fragilizar os sindicatos, retirando-lhes a principal fonte de financiamento. Infelizmente, não há no Congresso Nacional nenhuma iniciativa de reversão da contrarreforma trabalhista. Os ataques aos direitos sociais, trabalhistas, culturais e ambientais têm sido tão frequentes e tão duros que não estamos conseguindo estabelecer a pauta da classe trabalhadora; estamos agindo reativamente, para minimizar perdas.
- Com relação ao marco regulatório da internet, qual é o posicionamento da FENAJ?
Tivemos a aprovação do Marco Civil da Internet ainda no governo da ex-presidente Dilma. Tramitam no Congresso Nacional vários projetos de lei que modificam o Marco Civil da Internet e a maioria deles não aperfeiçoa a lei em vigor, ao contrário. A FENAJ defende a regulação da internet, com os cuidados necessários para que não haja medidas de cerceamento à liberdade de expressão.
- Com relação ao monumento da liberdade de imprensa de iniciativa da FENAJ, qual o status do projeto?
A FENAJ teve a iniciativa de propor a construção do Monumento à Liberdade de Imprensa, em Brasília. No passado, buscou parceiros, como o arquiteto Gustavo Pena, autor do projeto. Mas como entidade sindical de trabalhadores, a FENAJ não tem recursos para viabilizar a construção. Por isso, doou ao governo do Distrito Federal todos os projetos (e a parte de estrutura do monumento, que já feita), pedindo que o governo assuma a construção.
Leandro Haberli/Caminho Político
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