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terça-feira, 31 de março de 2020

"A memória da crise, dos que a combateram e a sua importância no dia seguinte"

Uncovering the hidden face of fraud: an interview with António ClunyA memória é curta e, num mundo moldado pelas imagens, só a cara dos que ajudarem de facto será fixada. Para além das necessárias reflexões político-filosóficas que a crise da covid-19 suscitar, tudo nela nos remete de imediato, porém, para os problemas concretos da vida – e da morte – de cada um dos cidadãos que connosco formam a sociedade portuguesa. E é enquanto democratas responsáveis e solidários, capazes de os ajudar em cada momento a resolver as suas dificuldades concretas, que residirá muita da maneira como todos – individual e coletivamente – seremos olhados pelos que à crise sanitária sobreviverem. Nada será, de facto, como dantes, depois de a crise sanitária passar, pois a crise econômica, social e política que sobrevier irá, por certo, durar mais e, noutro plano embora, não será menos dura.
Por isso, o futuro tem de ser pensado já hoje, não só através de sábias e sempre sensatas teorias, mas de gestos concretos que as legitimem, legitimando quem delas se reclamar na madrugada límpida que há-de vir depois de dominado o vírus.
É que as perguntas que a todos farão são já antigas: onde estavas quando tive fome e não me levaste de comer, quando precisei que me acompanhasses para resolver problemas da minha vida pessoal e profissional e não apareceste, quando precisei que chamasses o médico e me fosses buscar os remédios e não atendeste o telefone na associação em que ambos acamaradámos tantos anos?
E, nesse momento, não bastará dizer que sempre se avisou que a política europeia e nacional das últimas décadas iria, por certo, contribuir para o infortúnio que sobre todos se abateu.
Até porque, em rigor, ninguém podia exatamente prever este tipo de crise, nem tão-pouco os que nos questionarão depois, desesperados e ofendidos.
E mais atrapalhados todos iremos ficar quando aqueles disserem que, afinal, nesses dias amargos, foram outros – aqueles que teimávamos em ignorar – que compareceram e ajudaram.
As tensões que sobrevirão à crise sanitária serão enormes e, nalguns casos, radicais.
A credibilidade dos democratas – dos que se revêm na constituição democrática – será avaliada não apenas pelo que disseram, pelo que defenderam durante muitos anos, pelo que inclusive, alguns deles sacrificaram para que, mesmo assim, as coisas tivessem corrido menos mal, mas sobretudo pelo que conseguiram visivelmente fazer durante estes dias.
É que a memória é curta e, num mundo moldado pelas imagens, só a cara dos que ajudarem de facto será fixada.
Não nos devemos esquecer que serão precisamente os que sempre defenderam outras opções – por exemplo, a privatização do Serviço Nacional de Saúde e de muitos serviços do Estado, que tão úteis, mesmo debilitados, têm sido – que irão atirar as primeiras pedras em nome, precisamente, das vítimas e dos sobreviventes, amargurados e desnorteados.
Por tal razão, importa que todos os democratas possam dizer: eu sempre defendi que era preciso o reforço de tais serviços e, por isso, porque sabia que alguns os haviam enfraquecido, quando foi necessário, eu estive lá, para apoiar os médicos, os enfermeiros, as câmaras, as autarquias, os serviços de limpeza e higienização dos espaços públicos, a distribuição de comida e de medicamentos.
Fazendo-o, em unidade democrática, cimentarão o regime constitucional e obstarão à demagogia e ao oportunismo selvagem dos que irão procurar aproveitar-se desta crise e da que depois dela virá.
António Cluny/Caminho Político

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