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quarta-feira, 25 de março de 2020

"História dos capuchinhos é um lembrete de que a morte pode levar a uma nova vida na Igreja"

Os leitores frequentes do meu trabalho sabem que eu tenho uma afinidade especial com os franciscanos capuchinhos, pois foram eles que me educaram e me formaram na fé, nas planícies do oeste do Kansas, há mais ou menos um milhão de anos. Eu já disse isto antes, mas vale a pena repetir: você nunca precisará de nenhuma prova da tolerância e santidade dos capuchinhos além do fato de terem me aguentado. Nestes dias, estou pensando na história dos capuchinhos, já que eles nasceram essencialmente em resposta à peste. A Ordem foi fundada em 1525, nas Marcas (Le Marche), uma região localizada no centro-leste da Itália, na costa adriática do país. Um frei chamado Matteo da Bascio queria retornar ao ideal estrito da pobreza franciscana e foi acompanhado por outros dois que compartilharam a sua visão. Dois dos três freis da época estavam trabalhando com vítimas da peste, enfrentando um dos surtos periódicos da doença letal que, dois séculos antes, havia dizimado cerca de 30% da população da Europa.
À medida que o grupo nascente se expandia, eles rapidamente chegaram à cidade de Gênova, onde os freis começaram a trabalhar no “Hospital dos Incuráveis”. Eles eram responsáveis pelo cuidado pastoral das pessoas que morriam de peste e que não podiam ser tratadas.
Enquanto a peste atravessava a Itália, a maioria das cidades criava aqueles que eram chamados de lazzaretti, ou seja, áreas confinadas geralmente localizadas nos limites da cidade, onde as pessoas que chegavam com a peste eram essencialmente abandonadas para morrer. De acordo com o Pe. Vittorio Casalino, que dirige um museu e os arquivos da província capuchinha de Gênova, e o Pe. Luca Bucci, outro capuchinho que também é irmão do prefeito de Gênova, Marco Bucci, a expansão dos capuchinhos em todo o país coincidiu com a chegada de irmãos desejosos de servir nesses lazzaretti.
O serviço dos capuchinhos em Milão durante outro surto da peste no século XVII foi memoravelmente descrito pelo romancista mais famoso da Itália, Alessandro Manzoni, em seu clássico “Os noivos”. Eis como Manzoni caracterizou o papel dos capuchinhos nos lazzaretti: “Naqueles lugares, eles eram supervisores, confessores, administradores, enfermeiros, cozinheiros, policiais, lavadores, tudo o que era necessário”.
Uma dessas figuras no romance de Manzoni é o Pe. Felice, que “animava e regulava tudo, reprimindo tumultos, julgando processos, ameaçando, punindo, fazendo as coisas voltarem a acontecer, confortando as pessoas e secando as lágrimas que derramavam”. O verdadeiro Pe. Felice Casati adoeceu duas vezes devido à peste, mas se recuperou e, mais tarde, foi eleito ministro provincial da Lombardia. Hoje há uma rua em Milão chamada Casati na antiga área do lazzaretto da cidade.
Por esse heroísmo, os capuchinhos passaram a ser conhecidos como frati del popolo, os “irmãos do povo”.
No início deste mês, o frei Mark Schenk, ministro provincial da província capuchinha de St. Conrad, com sede em Denver, relembrou esta história em uma mensagem anunciando que a Ordem transmitiria uma missa dominical ao vivo depois que a arquidiocese local declarou que todas as missas públicas seriam suspensas.
“Os capuchinhos não são alheios às epidemias”, escreveu Schenk. “Em certo sentido, nós existimos para épocas como estas.”
Essa tradição está muito presente hoje. No sábado, a mídia italiana relatou a morte devido ao coronavírus do Pe. Giampietro Vignandel, que, nos últimos três anos, administrava um refeitório capuchinho em Trento para os pobres e necessitados da cidade, que provavelmente foi onde ele foi infectado. Conhecido por todos como “Fra Tuck”, Vignandel tinha acabado de completar 47 anos de idade.
“Com sua vida, seguindo os passos do Pobrezinho de Assis, o Pe. Giampietro percorreu outro trecho daquela estrada que é o caminho para a eternidade, o caminho do amor e da gratuidade”, disse o arcebispo Lauro Tisi, de Trento.
Outro capuchinho também morreu devido ao coronavírus no Equador no domingo passado.
Tudo isso levanta a seguinte questão: se as crises históricas significativas frequentemente geram novas realidades a serem respondidas na Igreja, que novos impulsos podem surgir a partir da pandemia do coronavírus?
Por um lado, a crise está sendo uma bênção para os ministérios online e virtuais, já que o coronavírus despertou o mundo inteiro para aquilo que significa ficar preso em casa.
Para dar um exemplo, o bispo auxiliar de Los Angeles Robert Barron há muito tempo queria que seu ministério “Word on Fire”, especializado na evangelização e na divulgação online, se tornasse um novo movimento dentro da Igreja, análogo, por exemplo, ao Comunhão e Libertação ou à Comunidade de Santo Egídio.
Se alguma vez houve um momento em que a necessidade de algo assim era clara é este.
Pode-se imaginar também um novo movimento ou ordem religiosa dedicada a promover as virtudes da “comunhão espiritual”, ou seja, a graça que a Igreja acredita que pode fluir a partir do desejo de receber a eucaristia quando as circunstâncias o impedem – seja por doença ou quarentena, ou talvez a ausência de um padre, ou porque a situação pessoal de alguém impossibilita receber a eucaristia.
Infelizmente, a óbvia abreviatura para tal grupo – S.C.S., ou seja, Società della Communione Spirituale – já é utilizada pela Societé du Christ Seigneur, nascida em 1951 em Montreal. No entanto, isso dificilmente é um impedimento.
Talvez essas ideias tomem forma, ou talvez seja algo totalmente diferente. De qualquer forma, trata-se de um ângulo católico sobre o coronavírus que vale a pena seguir: em meio a todo o sofrimento e morte, que formas novas de vida surgirão?
O comentário é de John L. Allen Jr., publicado em Crux e Caminho Político. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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