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domingo, 15 de março de 2020

"PATROCÍNIO: Atleta de MT quer ser 1º piloto de corrida diagnosticado autista e busca apoio "

Desde os 4 anos, Dimitry Fernandes Kalinowski, diagnosticado com síndrome de Asperger, um dos estados do espectro autista, nutre uma paixão pelo automobilismo e hoje aos 19 sonha em conseguir um patrocínio para se tornar um competidor profissional. A mãe dele, a nutricionista Branca Fernandes Kalinowski, 65, explica que, por conta do hiperfoco, típico dos que estão no espectro e adquirem interesses extremamente específicos, o jovem não considera outra profissão a não ser a de piloto. Como o esporte é caro e a família não tem condições financeiras para arcar com os gastos de manutenção, viagens, equipamentos e inscrições, que podem chegar a R$ 3 mil em uma única competição, Branca decidiu reunir forças para tentar encontrar um patrocinador para o filho. De acordo com ela, o jovem chega a passar 22 horas sem sair de casa para assistir as provas.
“Sofreu muito bullying. Então, não quer estudar de jeito nenhum por mais que tenha QI para tal”Mãe de Dimy
Por muitos anos, o pai de Dimitry não aceitou que o filho se tornasse piloto de corrida. Para ele, o jovem deveria começar uma faculdade. Porém, o diploma nunca foi o sonho de "Dimy", como é chamado pelos familiares. Branca atribui a falta de interesse nos estudos aos intensos episódios de bullying sofridos pelo filho na escola.
"Hoje em dia ele é maior de idade, mas o diagnóstico veio tarde, então, nunca foi tratado como um autista na vida escolar. Sofreu muito bullying. Então, não quer estudar de jeito nenhum por mais que tenha QI para tal. Nunca foi aproveitado na escola, era considerado errado pelos próprios professores e diretores", desabafa a mãe.
Para Branca, se a experiência de Dimitry na escola tivesse sido diferente, talvez o filho conseguisse ao menos considerar a opção de fazer faculdade. Porém, o jovem é incisivo ao afirmar que não sente vontade de voltar ao ambiente escolar.
A mãe conta que Dimy fala fluentemente inglês e polônes, além de recentemente ter começado a se aventurar no francês e japônes, idiomas que estuda e aprende sozinho.
Dimitry é um autista de "alto funcionamento", na prática, ele não dá "sinais aparentes" de que está no espectro. Por conta disso, alguns profissionais que já o atenderam, como psicológos, não souberam identifcar o diagnóstico.
"Não tem um 'A' no peito para dizer que ele é autista. Não tem nenhum traço. Se ele tivesse tido atenção dos profissionais de saúde logo cedo na vida, mas nunca foi diagnoticado. As pessoas não conhecem o autismo, não sabem o que é. Os autistas graves são diagnosticados rápido, mas em casos como o do Dimy não", explica.
Primeiros sinais
Branca é daquelas mães que sonham junto com o filho. Afirma fazer tudo que for possível para apoiá-lo. Os olhos claríssimos dela brilham ao falar sobre Dimy, seja enumerando a quantidade de idiomas dominados por ele ou explicando sobre as particularidades da comunicação entre os dois.
"Se você fizer uma pergunta, ele será objetivo. O autista, quando chega da escola e você pergunta como foi, ele não diz com quem brincou ou brigou. Ele fez um cruzeiro com o tio, quando voltou perguntei se tinha gostado, recebi um 'jóia'. Então, tenho que ser objetiva, perguntar, por exemplo, qual comida ele gostou, qual era ruim, se teve alguma situação que ele não gostou", conta.
Ainda na fase da amamentação, Branca percebeu que o filho não fazia contato visual enquanto mamava. Apesar de levar as informações para um médico, a nutricionista não conseguiu fazer com que os profissionais levassem os sinais em consideração. Ela explica que, como o jovem brincava, comia normalmente, andou e falou cedo, sendo assim, os médicos diziam que ele era saudável.
Por conta disso, Dimy cresceu sem saber que estava no espectro. Quando a família recebeu o diagnóstico, Branca conta que o filho já estava com o hiperfoco no automobilismo. "Para mim, é resultado de uma habilidade que ele tem, ele pilota bem, sempre teve performance boa e ganhava corridas. Mas, também é falta de não ter tido uma vida escolar tão traumática".
Primeiro piloto diagnosticado com autismo
“Existem autistas não diagnosticados em todos os lugares, passando por dificuldades”
A meta do jovem é se tornar o primeiro piloto de corrida diagnosticado com autismo. Ele e a família afirmam nunca terem conhecido uma pessoa nas mesmas condições. Para a irmã de Dimitry, Faena Fernandez Kalinowski, 21, o irmão possui toda a competência necessária para alcançar o objetivo.
É comum que ele vire madrugadas assistindo competições de corrida, as favoritas são a Fórmula Indy e a Fórmula Nascar. No entando, Dimy não gosta de assistir a Fórmula 1. Para ele, a prova é a mesma do início ao fim. Questionado sobre a fama de Ayrton Senna, o jovem afirma não se inspirar na carreira do piloto brasileiro, porém comenta sobre os boatos de que Senna também estaria no espectro.
Branca afirma que são muitas as pessoas que cresceram sem o diagnóstico correto e, na vida adulta, acabaram descobrindo que tinham determinado grau de autismo. "Uma previsão americana aponta que a cada 50 nascimentos um será autista. Existem autistas não diagnosticados em todos os lugares, passando por dificuldades".

Recentemente, a nutricionista precisou lidar com a frustração do filho ao não conseguir dar mais um passo em direção ao sonho de se tornar piloto. Ela conta que o jovem recebeu a proposta de uma entrevista, onde estava previsto que Dimy daria uma volta de Kart para mostrar as habilidade. Porém, o encontro não aconteceu. "Tive que falar que não, que não seria dessa vez".

Bruna Barbosa/Rdnews/Caminho Político

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