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quarta-feira, 22 de abril de 2020

"Ponto de partida para um novo país, Brasília completa 60 anos'

BrasíliaSímbolo internacional de modernidade, cidade sexagenária é fruto de crença na racionalidade e no funcionalismo, mas ideais de então não atendem atualidade. Brasília teve maior renda média do país no final de 2019.Embora a capital do Brasil tenha sido inaugurada há 60 anos, em 21 de abril de 1960, a ideia de Brasília, como também o seu nome, nasceu em 1823, pouco após a independência do Brasil.
Já naquela época, um conselheiro imperial propôs a mudança da capital para a então província de Goiás, no centro do país.
O projeto, porém, teve que esperar mais de um século para se tornar realidade. Em meados dos anos 1950, uma comissão determinou com precisão a localização de Brasília e um novo presidente, Juscelino Kubitschek, cujo lema da campanha eleitoral foi fazer o Brasil avançar "50 anos em cinco", iniciou sua construção.É importante lembrar que sua data de inauguração – 21 de abril – é a mesma da morte daquele que é considerado o primeiro libertador brasileiro: Tiradentes. Enforcado pela Coroa Portuguesa em 1792, a figura de Tiradentes foi utilizada posteriormente como representante do herói nacional por várias correntes políticas. Dessa forma, além da data, Brasília e Tiradentes têm algo em comum.
Em 1960, a maioria dos prédios de Brasília ainda estava incompleta. Mas, além de servir de polo de atração para a conquista interna do território, Brasília simbolizou, como um monumento, um traço de união e o ponto de partida de um novo Brasil, que assumia seu caráter nacional. Juscelino Kubitschek queria inaugurar sua maior obra ainda em sua legislatura. Nos anos seguintes, as obras pouco avançaram. Somente com o advento da ditadura militar, em 1964, deu-se continuidade aos trabalhos. Brasília tornou-se então símbolo do poder autoritário.
Em meados dos anos 1980, a cidade virou palco de imensas manifestações populares por eleições diretas no Brasil. Nos anos seguintes, o país se redemocratizou e Brasília fazia jus à sua função de monumento de "brasilidade", trazendo o desenvolvimento para o interior do país e ajudando o Brasil a se tornar uma potência emergente.
Lúcio Costa e Oscar Niemeyer
Lúcio Costa ganhou concurso para projetar capital"Quando o design sugere futuro, ele se despede do passado", escreveu o pensador alemão Max Bense em meados dos anos 1960, referindo-se a Brasília. E foi essa a proposta que Juscelino Kubitschek lançou ao convidar, após assumir o poder em 1956, seu velho conhecido Oscar Niemeyer para projetar os edifícios mais representativos da futura capital.
Como diretor da Novacap, órgão responsável por todas as operações visando à implementação e construção de Brasília, Niemeyer também poderia ter elaborado o traçado urbano da cidade, mas recusou-se e aconselhou a instituição a fazer um concurso público, aberto somente a arquitetos e urbanistas brasileiros.
Em março de 1957, o júri composto por especialistas brasileiros e internacionais escolheu por unanimidade a proposta do urbanista Lúcio Costa como vencedora. Filho de diplomata, Costa nasceu em Toulon, na França, e estudou arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Ao se tornar diretor dessa escola, entre 1930 e 1931, ele defendeu o ensino da arquitetura moderna no Brasil.
Dois eixos perpendiculares
Todos os projetos apresentados, inclusive o vencedor, tinham uma inspiração racionalista: a divisão em setores segundo as quatro funções principais – habitar, trabalhar, cultivar o corpo e o espírito, circular – enunciadas pelo manifesto urbanístico conhecido como Carta de Atenas de 1933, uma diretriz internacional seguida pelos urbanistas da época.
Outra importante inovação era a substituição da antiga rua por uma nova concepção que desse prioridade aos espaços livres e aos blocos isolados. Segundo Costa, sua proposta partia do "gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz".
Composto de dois eixos perpendiculares, o projeto inicial de Brasília ganhou o nome de "Plano Piloto": o Eixo Monumental foi consagrado aos prédios do setor público e ao longo do Eixo Rodoviário-Residencial se espalhavam as superquadras – quarteirões de 240m de lado, cada um contendo 11 blocos residenciais e uma escola. A intersecção dos dois eixos foi destinada a funções mistas: estação rodoviária, comércio, bancos.
Foi Lúcio Costa que reconheceu e impulsionou, desde o início, o talento de Oscar Niemeyer. No entanto, não foi a amizade de Niemeyer que levou o projeto de Costa à vitória. Como afirmou o historiador francês Yves Bruand, era "evidente a superioridade da obra vencedora, sua impecável clareza e sua perfeita coerência com o ideal de que Brasília devia ser o símbolo eficiente."
Projeto vencedor de Costa para o Plano PilotoAdaptando-se à topografia do terreno, ao escoamento natural das águas e evitando a perspectiva monótona de uma rua reta, Costa arqueou o Eixo Rodoviário-Residencial, o que fez com que chamado Plano Piloto lembrasse o desenho de um avião pousado ao lado de um lago artificial. Projetando-o para 500 mil habitantes e, posteriormente, ampliando-o para 700 mil com a ocupação das margens do lago concebido para aumentar a umidade do ar da área da capital, Lúcio Costa não previu uma nova ampliação do Plano Piloto.
Cidades-satélites
Inspirado por ideais socialistas da modernidade, a proposta de todas as classes dividirem o mesmo espaço não se tornou realidade. Brasília era destinada ao funcionalismo público, mas esqueceu que os milhares de trabalhadores que a construíram não pretendiam partir.
Dessa forma, como polo de atração, a cidade acabou chamando outros milhares, o que levou à criação de cidades-satélites, onde hoje mora a maior parte dos mais de 3 milhões de habitantes do Distrito Federal. A grande maioria deles (quase 90%) não vive no Plano Piloto nem nas áreas nobres adjacentes, mas nas mais de 15 aglomerações urbanas que surgiram ao longo dos anos próximo à capital. Elas se localizam entre 6 e 25 quilômetros do centro de Brasília. Ceilândia, a maior delas, tem quase meio milhão de habitantes.Assim, ao longo de sua história, Brasília se tornou não apenas símbolo de modernidade, mas também de desigualdade social e da dependência da máquina pública.
Segundo levantamento da Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal), a renda média domiciliar do conjunto das cidades ao redor de Brasília é duas vezes e meia menor do que a renda domiciliar média do Distrito Federal. Já o rendimento médio real no 4o trimestre de 2019 em Brasília foi o maior do país, superando a média nacional em 43%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Porém, de acordo com a Codeplan, hoje em dia menos de um terço da população empregada no DF trabalha para a administração pública, na defesa ou na seguridade social – a região é dominada pelo setor de serviços, que atende a empresas e famílias com alto poder aquisitivo.
A qualidade do planejamento de Lúcio Costa e da arquitetura de Oscar Niemeyer é indiscutível. Em 1987, o Plano Piloto foi tombado como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Mas o projeto é fruto de uma era marcada pela crença na racionalidade, no funcionalismo e na tecnologia – e alguns teóricos da arquitetura chegam até mesmo a dizer que Brasília marcou o fim desse período. Assim, as críticas ao modernismo arquitetônico se repetem naquelas ao projeto urbanístico da capital brasileira.
Essa crítica fica evidente no projeto de uma nova cidade-satélite, chamada de Cidade Urbitá, que deverá ser construída a poucos quilômetros do centro de Brasília a partir de 2023 e foi projetada para 118 mil habitantes. Segundo a empresa privada responsável por sua construção, a Urbitá deverá privilegiar as pessoas em vez do automóvel, o adensamento populacional em vez das superquadras, o transporte coletivo, o uso misto dos edifícios (comercial e residencial), a escala caminhável em vez dos grandes espaçamentos urbanos e vai proporcionar habitações tanto para ricos quanto para pobres.
Carlos Albuquerque/Caminho Político
Edição: Régis Oliveira

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