TODOS JUNTOS CONTRA A COVID-19

TODOS JUNTOS CONTRA A COVID-19
Acompanhe os números de evolução da doença pelo painel do Ministério da Saúde

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Av. André Maggi nº 6, Centro Político Administrativo

DE OLHO NOS RURALISTAS!

DE OLHO NOS RURALISTAS!
Observatório de agronegócio e políticas ruralistas no Brasil. As notícias com perspectiva social e ambiental.

MPF em Cuiabá

MPF em Cuiabá
Av. Miguel Sutil, nº 1.120, Esquina Rua J. Márcio (R. Nestelaus Devuisky) Bairro Jardim Primavera

sábado, 4 de julho de 2020

"EVOLUÇÃO: A guinada conservadora do Mercosul"

Bolsonaro lidera guinada à direita do MercosulEm cúpula, bloco sul-americano enviou sinal de que continuará seguindo linha liberal e à direita na região, apesar da Argentina. Ao mesmo tempo, integrantes patinam entre alinhamento aos EUA ou à China. A reunião dos presidentes do Mercosul deveria ter sido presencial em Encarnación, no Paraguai. A cidade está localizada no sul do país, não muito longe das fronteiras com Argentina, Brasil e Uruguai – ou seja, no centro geográfico dos quatro países-membros do bloco sul-americano.
O local escolhido tinha uma simbologia para a reunião semestral: a presidência temporária do Paraguai terminou em 1º de julho, e a do Uruguai começou. 
Mas a crise do novo coronavírus atrapalhou os planos e, por isso, a reunião ocorreu nesta quinta-feira (02/07), pela primeira vez na história, de forma virtual. Além dos quatro chefes de Estado dos países-membros, participaram também os líderes do Chile (Sebastián Piñera), Colômbia (Iván Duque) e a presidente interina da Bolívia (Jeanine Añez). Com o convite a políticos conservadores da América do Sul, o Mercosul enviou um sinal de que continuará, em um futuro próximo, seguindo uma linha liberal e à direita na região. 
O próprio bloco deu uma guinada à direita com a posse dos presidentes Mario Abdo Benítez, no Paraguai (2018); Jair Bolsonaro (2019), no Brasil; e Luis Alberto Lacalle Pou (2020), no Uruguai. Isso mudou significativamente o Mercosul: após a virada do milênio, os governos dominantemente de esquerda na América do Sul utilizavam cada vez mais o bloco sul-americano como órgão político, e a integração econômica entre si e na economia mundial perdeu prioridade. 
Agora, a maioria do bloco quer que a abertura econômica volte a ser o centro das atenções. Isso não se aplica à Argentina, que anunciou em abril que não participaria mais de negociações de livre-comércio. Mas também existem diferenças de opinião entre os defensores das trocas comerciais: o presidente uruguaio, por exemplo, pediu igualdade de tratamento para os EUA e a China. "Não podemos cair na falsa dicotomia de estar mais próximos de um do que de outro", afirmou Lacalle Pou, que governa seu país desde março.
Acima de tudo, o uruguaio quer uma melhoria das relações com Pequim. "A China manifestou formalmente a vocação de aprofundar as relações. Creio que existe uma espécie de omissão do nosso bloco em responder adequadamente a essa formalidade." Para ele, o Mercosul deveria ficar de olho na Ásia de 2050 e no futuro papel da China. "Pensemos na quantidade e na qualidade de alimento que vão precisar, e voltemos rapidamente à nossa região, a grande produtora de alimentos."
O Brasil, sob Bolsonaro, também quer se abrir, porém, preferencialmente com os EUA – e não com a "China comunista", como a potência mundial é vista pelos ideólogos em torno do presidente em Brasília. Na véspera da reunião de cúpula, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, que vê a China como uma inimiga do desenvolvimento do Ocidente, declarou que o Mercosul havia sido caracterizado por "imobilismo e atraso" até a posse de Bolsonaro e que foi necessária uma abertura "sem precedentes em sua história".
Como há discordância dos quatro parceiros sobre o tema, mas a maioria deseja a integração, o Uruguai e o Paraguai querem impor regras de integração mais flexíveis. Depois disso, os quatro países-membros do Mercosul poderiam implementar novos acordos comerciais em velocidades diferentes, em vez de buscar o difícil consenso. "O consenso no Mercosul deve ser pragmático", frisou Lacalle Pou. "Porque se isso significa discussões quase que acadêmicas, o mundo vai passar por cima de nós."
O primeiro encontro de Bolsonaro com o seu colega argentino, o peronista Alberto Fernández, foi aguardado com muita expectativa. Os dois têm se mostrado relutantes desde que Bolsonaro insultou repetidamente o então candidato na campanha eleitoral argentina em 2019. Mas o embate não aconteceu.
Bolsonaro afirmou que ele trabalha para "desfazer opiniões distorcidas" sobre a política ambiental do Brasil no exterior. As críticas na Europa à política brasileira para a Amazônia e ambiental são o principal obstáculo ao acordo de livre-comércio fechado em 2019 com a União Europeia, que agora precisa ser ratificado. Bolsonaro afirmou que vai expor "as ações que temos tomado em favor da proteção da floresta amazônica e do bem-estar das populações indígenas".
Alberto Fernández reagiu politicamente às diferenças de opinião no bloco sul-americano. "Eu guardo por todos os líderes mundiais o respeito que merecem, porque seus povos os elegeram", frisou Fernández. "Não tenho direito a frustrar as aspirações continentais que temos, de nos unirmos e crescermos juntos, simplesmente porque não pensamos igual". A reunião virtual parece ter tido um efeito calmante sobre os antagonistas do Mercosul.
Alexander Busch/Caminho Político
Caminho Politico

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ame,cuide e respeite os idosos