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terça-feira, 28 de julho de 2020

"Por que a extrema direita odeia tanto as mulheres"

Deputada esquerdista Anne Helm, de BerlimSubestimado pela política, antifeminismo pode ser uma porta de entrada para ideologias de direita radical, tornando-se até mortal. Especialistas alertam contra a minimização da ameaça. Os e-mails contendo ameaças, frequentemente assinados "NSU 2.0", em alusão à rede de terrorismo neonazista Clandestinidade Nacional-Socialista (NSU), costumam chegar à noite para Anne Helm, líder da bancada do partido A Esquerda no Parlamento da cidade-estado Berlim. Eles contêm, por exemplo, promessas "condená-la à morte". Embora Helm diga já estar acostumada a ameaças de assassinato, a situação é "simplesmente estressante, no total", desabafa em entrevista à DW: "Eu tenho que me ocupar disso, então tudo mais fica consideravelmente mais cansativo." Medo de morrer ela não tem, mesmo que as mensagens também mencionem atentados.
Segundo o Parlamento do estado alemão de Hessen, nos últimos tempos 69 cartas, algumas contendo dados pessoais, foram enviadas a Helm e 26 outras pessoas e instituições. Entre elas, a cabaretista de Berlim Idil Baydar e a advogada Seda Basay-Yildiz, que representou parentes das vítimas no julgamento contra o grupo terrorista de direita NSU. Chama a atenção o fato de a grande maioria dos destinatários ser do sexo feminino, e o teor sexista das mensagens.
Por isso, Helm suspeita que o ódio às mulheres também seja um motivo para as mensagens supostamente escritas por extremistas de direita. Isso, porém, não é novidade. O autor do atentado em Toronto, no Canadá, também anunciou antes de realizar seu crime, em 2018, que esse seria o começo da "rebelião incel".
Incel – abreviatura de involuntary celibate (celibatário involuntário) – é como se autodesignam homens jovens que não conseguem ter relações sexuais nem relacionamentos, e desenvolvem ódio contra as mulheres. "Os incels acreditam que os homens têm direito fundamental sobre as mulheres e seus corpos. Eles alegam que as mulheres os privam de sexo", explica o sociólogo Henning von Bargen, da Fundação Heinrich Böll, ligada ao Partido Verde alemão, em entrevista à DW.
Isso também pode ter desempenhado um papel para Stephan B., presumível autor da tentativa de atentado de outubro de 2019 contra uma sinagoga em Halle, no Leste alemão. No dia do ataque, ele escutou músicas misóginas, e alegou no vídeo divulgado pela internet que "o feminismo é o culpado pela queda da taxa de natalidade no Ocidente, que é a causa da imigração em massa" e que a raiz desses problemas seria "o judeu".
Isso soa "totalmente absurdo", rebate Helm, mas "dentro dessa visão nacional-populista, essa é a consequência lógica". Segundo essa ideologia, as mulheres precisam cuidar da "preservação do povo", ou seja, devem ter muitos filhos e cuidar deles, de acordo com seu papel tradicional. "O feminismo ameaça essa visão de mundo, exatamente como as mulheres agora atingidas pelas cartas com ameaças."
Segundo Rachel Spicker, da Fundação Amadeu António, frisa que "o antifeminismo sempre fez parte das ideologias de extrema direita": estas rezam que as mulheres devem ser pacíficas, sociais e reservadas, enquanto os homens são caracterizados por uma "masculinidade militar" e prontos "para proteger tanto suas esposas e filhos quanto a própria nação". "São papéis fixos, que também se veem no antifeminismo. Quando as mulheres rompem com esses modelos, em geral são hostilizadas por isso."
Em busca de um bode expiatório
Mas o antifeminismo não é apenas o denominador comum entre diferentes correntes de direita, mas pode também se tornar uma espécie de "droga de entrada para as ideologias de direita", explica Von Bargen, pois ele é contra a sociedade aberta e quer restringir os direitos humanos e fundamentais. No entanto, "muitos ainda não veem essa conexão tão fortemente".
Helm também considera o antifeminismo um "ponto de conexão menos comprometedor para outras ideologias de desigualdade". Por exemplo, enquanto "na nossa sociedade, a maioria rejeitaria de imediato a acusação de racismo", "ser sexista chega a ser uma honra para alguns". Spicker também acredita que o antifeminismo está fortemente enraizado na sociedade.
Homens que enfrentam uma crise social, cujos empregos e padrões de vida estão ameaçados, são particularmente suscetíveis a essa ideia. Von Bargen diz que para eles é um alívio encontrar um suposto culpado pela própria miséria. Nesse caso, o bode expiatório é o feminismo.
A radicalização costuma ocorrer na internet. Por algum tempo, fóruns para incels apareceram em plataformas acessíveis ao público, como Reddit e 4Chan. Agora eles estão fechados, mas os grupos ainda podem ser encontrados em outros sites – livremente acessíveis de forma anônima e sem mediação. Quase a cada segundo surgem novas postagens, por exemplo exigindo "escravas sexuais" para incels ou atribuindo às mulheres o intelecto de um bebê.
A cena dos gamers também contribui para a radicalização dos homens jovens. Ideologias de direita e misoginia grassam nas comunidades basicamente não mediadas, em plataformas de jogos como Twitch ou Discord, como a autora Karolin Schwarz descreve em seu livro Hasskrieger: Der neue globale Rechtsextremismus (Guerreiros do ódio: O novo extremismo de direita global).
Os usuários assumem nomes de terroristas, há grupos para apoiadores do Movimento Identitário, do ultranacionalista Partido Nacional-Democrático (NPD) ou para teóricos da conspiração; pessoas de cor, judeus e mulheres são insultados. "É uma cena que recebe muito pouca atenção do mundo analógico", alerta Von Bargen.
Por esse motivo, o sociólogo pede uma pesquisa mais intensa sobre o assunto: "O antifeminismo geralmente não é levado a sério pela política. Acima de tudo, não se percebe que ele seja o elo de ligação entre as correntes da direita e o chamado centro da sociedade."
Anne Helm tem que conviver com o fato de que está na mira dos antifeministas. Enquanto isso, encontrou uma maneira de lidar com os e-mails ameaçadores: "Tento dissociar da minha pessoa. Eu sei: o que está sendo atacado é que o que eu defendo politicamente e o meu trabalho. Tento estar ciente disso."
Jana Höppner (fc)Caminho Político
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