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quarta-feira, 22 de julho de 2020

“Sem justiça, sem paz”: Paulo VI, o ensino social católico e o Black Lives Matter

"Dois gritos de guerra – um forjado nas ruas, o outro, no Vaticano, por Paulo VI – apontam para possibilidades inexploradas de engajamento católico e religioso com o Black Lives Matter", escreve David DeCosse, diretor dos programas de Ética Religiosa e Católica e de Ética no Câmpus do Markkula Center for Applied Ethics, da Universidade de Santa Clara, na Califórnia, EUA, em artigo publicado por La Croix International e Caminho Político. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Edição: Régis Oliveira. Foto: Ilustração.

Eis o artigo.
“Sem justiça, sem paz!” – talvez nenhum slogan tenha sido mais identificado com os protestos do Black Lives Matter nas últimas semanas do que essas palavras poderosas e concisas.
“Se queres a paz, trabalha pela justiça” – talvez nenhum slogan tenha sido menos identificado na mente estadunidense com o catolicismo nas últimas décadas do que essas palavras poderosas e concisas proferidas há quase 50 anos pelo Papa Paulo VI.
Slogans estreitamente alinhados não nos dizem muito. Mas a redação semelhante desses dois gritos de guerra – um forjado nas ruas, o outro, no Vaticano – aponta para possibilidades inexploradas de engajamento católico e religioso com o Black Lives Matter.
Ao contrário do movimento dos direitos civis de inspiração religiosa nos anos 1950 e 1960, o Black Lives Matter é um movimento secular aberto a parceiros religiosos.
De fato, muitos indivíduos e grupos religiosos – católicos e outros – se uniram aos recentes protestos. Além disso, teólogos negros como Shawn Copeland e Bryan Massingale escreveram poderosamente sobre o catolicismo e a raça nos Estados Unidos.
Depois de anos de atraso, a Conferência dos Bispos dos EUA (USCCB) em 2018 publicou um documento chamado “Open Wide Our Hearts” que condenava o racismo.
Mas, apesar desses passos à frente, ainda existem muitos passos parados – ou mesmo indo para trás.
Embora tendo sido tortuosamente lenta para produzir o “Open Wide Our Hearts”, a USCCB tem denunciado muito mais rapidamente coisas como a recente decisão da Suprema Corte dos EUA que afirmava os direitos civis de gays e transgêneros.
Em uma ameaçadora ala da extrema direita, os católicos têm invocado uma fé medieval dos cruzados para marchar em Charlottesville em nome do nacionalismo branco.
Inúmeros fatores explicam essa postura católica morna ou resistente em relação ao Black Lives Matter.
Os católicos compartilham alguns fatores com muitos outros estadunidenses: os privilégios cegantes da brancura; as energias políticas tribais; e a riqueza, entre outros. Mas acho que alguns fatores são mais distintivamente, se não essencialmente, católicos – como uma preferência pela ordem imutável.
O breve slogan de Paulo VI visava precisamente a corrigir tal preferência.
O slogan “Sem justiça, sem paz” ficou associado, no fim dos anos 1980, com os protestos dos negros contra a violência racista e policial na cidade de Nova York. Agora como então, as palavras atuam poderosamente de uma forma dupla.
Primeiro, elas chamam a atenção para o persistente fracasso em responsabilizar a polícia. Mas a preocupação com a justiça também se estende à educação, economia, saúde e muito mais.
Se a justiça não for feita diante de tal injustiça crônica, diz o slogan, continuaremos perturbando a paz até que ela seja feita.
Segundo, a expressão fala de uma lógica moral básica: sem justiça, não é possível ter paz.
Quando o Papa Paulo VI emitiu sua mensagem para o Dia Mundial da Paz no dia 1º de janeiro de 1972, ele o fez em meio a uma enorme mudança histórica no catolicismo.
No Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965, o catolicismo começou a voltar seus olhos para o mundo inteiro. E ali se defrontou com os gritos por justiça dos empobrecidos e colonizados. A mensagem de Paulo VI sobre a justiça e a paz falava à crescente conscientização dessa realidade.
A paz tem muitas falsificações, observou Paulo VI. Uma imposição totalitária de poder zomba da paz. Um equilíbrio de poder apenas a simula.
Para descobrir a origem da verdadeira paz, disse Paulo VI, precisamos fazer um balanço das nossas verdadeiras intuições em relação às outras pessoas. E lá, disse ele, encontramos a justiça manifestada no “sentido sincero” e no “respeito verdadeiro” que sabemos que devemos ter em relação aos outros.
Mas como devemos entender esse “respeito verdadeiro”?
A paz pode ter muitas falsificações. Mas a justiça sofre de um problema mais singular: ela fica presa no passado. Assim, Paulo VI observou que a justiça fornece a base para os direitos e deveres mútuos pelos quais temos uma sociedade, afinal.
Mas ele também observou que deslizamos defensivamente para interpretar esses direitos e deveres como verdades abstratas e imutáveis, que ganham vida própria, desprendidas de um “verdadeiro respeito” pelas pessoas.
Trabalhar pela justiça, entendida dessa forma atemporal, com muita frequência é um serviço à ordem, não à paz. As conhecidas críticas de Martin Luther King Jr. vêm à mente, sobre o “branco moderado” que se dedica “mais à ordem do que à justiça”.
Em que consiste, então, o “respeito verdadeiro” que constitui a justiça e fornece a base para a paz?
Primeiro, esse respeito se baseia no reconhecimento de pessoas humanas reais e concretas, e na sua dignidade inalienável. Pensemos em George Floyd, Breonna Taylor, Ahmaud Arbery. “Cada um dos homens, hoje, sabe que é Pessoa e sente-se Pessoa. Ou seja: que é um ser inviolável, que é igual aos demais homens e que é livre e responsável, e, digamos ainda, que é sagrado”, disse Paulo VI.
Segundo, esse “respeito verdadeiro” exige o reconhecimento de que a justiça clama por mudanças estruturais no aqui e agora. “É uma justiça dinâmica, e não mais uma justiça estática”, disse o papa. E assim somos obrigados a “trabalhar pela justiça”, se quisermos a paz.
A conversa entre o Black Lives Matter e as diferentes tradições religiosas já começou e, sem dúvida, continuará.
Aqui, desejo apenas observar a suspeita da tradição moral católica de apelar à ordem e o seu apoio às demandas da justiça como o caminho para a paz. “Sem justiça, sem paz”, de fato.
Artigo publicado por La Croix International e Caminho Político. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Edição: Régis Oliveira. Foto: Ilustração.Caminho Politico

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