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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

"Jovens do Partido Verde alemão querem redução radical da polícia"

Polícia de Berlim interfere em distúrbio de ruaA exemplo de movimentos semelhantes nos EUA, jovens verdes visam uma "sociedade livre", em que problemas se resolvem por cooperação, e não repressão. Partido Verde se distancia de pontos de vista em parte provocadores.A Grüne Jugend, ala jovem do Partido Verde alemão, quer "eliminar gradualmente a força estatal como meio de resolver conflitos e substituí-la por prevenção e cooperação". A meta da organização seria criar "uma sociedade livre, que pouco a pouco supere a violência e a repressão como meios de resolver problemas sociais", segundo consta um documento disponibilizado ao jornal TAZ. Assim como as campanhas de destituição de fundos da polícia nos Estados Unidos, os jovens verdes alemães argumentam que grande parte das tarefas atualmente designadas aos agentes da lei poderia ser muito melhor desempenhada por outros representantes do Estado, como assistentes sociais ou cuidadores com treinamento psiquiátrico.
Como exemplos, mencionam-se a interação com vítimas de violência policial ou abuso sexual, moradores de rua, refugiados e narcodependentes. O documento também apela pelo desarmamento das operações policiais, proibição do porte rotineiro de sprays de pimenta pelos agentes, e banimento do emprego de cães e cavalos para moderar manifestações.
Outras exigências incluem a introdução em âmbito nacional da lei anti-profiling, aprovada no início do ano por Berlim, a qual especificamente veda aos policiais discriminarem cidadãos segundo sua cor de pele, gênero, religião e deficiência física ou mental.
Apontando um "problema estrutural" na polícia, a Grüne Jugend não hesita em usar linguagem provocadora, acusando certos agentes de "criminosos de uniforme" e afirmando haver "milhares de casos de brutalidade policial por ano pelos quais ninguém é responsabilizado".
A polícia alemã tem sido acusada de violência desnecessária, ideologia de extrema direita em suas alas e triagem racial, ou racial profiling. No entanto, o ministro do Interior, Horst Seehofer, se recusou a dar sinal verde para uma investigação sobre discriminação racial na organização, alegando que a prática já está proibida nos estatutos.
Segundo o porta-voz dos jovens verdes, Georg Kurz, o documento conteria "os primeiros passos no sentido de vincular a polícia aos princípios do Estado de direito". "É um desastre para a democracia, se ficar constatado que a violência policial ilícita fica sem consequências na maioria dos casos", disse.
O Partido Verde ainda não comentou diretamente o documento. "Estamos trocando ideias constantemente com a Grüne Jugend, mas ela é uma organização independente, com sua própria liderança e suas próprias noções", justificou a porta-voz Nicola Kabel ao TAZ.
Também falando ao periódico alemão, a policial Irene Mihalic, porta-voz dos verdes no Parlamento para política interna, concedeu que o documento contém "uma série de impulsos interessantes", mas disse não gostar "do tom e das avaliações muitas vezes polêmicas", já que "a maioria dos agentes da polícia faz um trabalho muito bom e não tem nada a ver com racismo".
Ben Knight (av)Caminho Político
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