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domingo, 6 de dezembro de 2020

‘Cidade em crise e cidadãos em fuga: quatro cenários e um novo pacto social para deter o declínio’














Para o Financial Times, a pandemia simplesmente acelerou uma tendência de declínio que já se arrasta há algum tempo e as cidades nunca mais voltarão a ser como antes; para The Atlantic, entretanto, não será um declínio, mas sim uma renovação. Certamente o debate está aberto. Em nível internacional, muitas áreas urbanas estão se preparando para grandes mudanças:
- Paris parte para o conceito de uma “cidade de 15 minutos” com espaços de moradia a curta distância do trabalho e dos serviços;
- Melbourne pensa no bairro de 20 minutos com base na "vida de proximidade", prometendo garantir que os cidadãos possam atender a maioria de suas necessidades cotidianas com uma caminhada de casa, ciclovias seguras e opções de transporte locais;
- Montreal, por sua vez, está trabalhando na definição de um sistema híbrido que combine o trabalho remoto e o uso contínuo do espaço físico.
Na Itália, porém, tudo está silencioso. “Se você não fizer nada, paradoxalmente, você já está fazendo algo. Ao deixar que prevaleçam aqueles mesmos sinais que foram ignorados, em vez de governados": Davide Agazzi, Matteo Brambilla e Stefano Daelli são três profissionais que, depois de terem trabalhado como formuladores de políticas na administração pública, passaram a se dedicar ao desenvolvimento urbano por diferentes pontos de vista. Um percurso de estudo e pesquisa que sintetizaram no projeto “Città del futuro”: um trabalho de análise, leitura e imaginação sobre o futuro metropolitano.
Por outro lado, ninguém coloca em dúvida que a pandemia esteja mudando a cidade de forma duradoura. Thomas J. Campanella, professor associado de estudos urbanos e planejamento urbano na Cornell University em Nova York, disse ao Financial Times que "as empresas vão se redimensionar para pequenos locais de trabalho flexíveis com salas de conferência e hot desk onde os funcionários podem colaborar cara a cara de acordo com a necessidades, enquanto novas formas de estruturas compartilhadas irão surgir em bairros e centros suburbanos”.
Pensamento também partilhado por Agazzi, Brambille e Daelli segundo os quais “é claro que a especialização já não compensa. No entanto, é uma das teorias sobre as quais as cidades se desenvolveram ao longo dos anos. Quem vivia do turismo está quebrado, assim como Milão ficou atônita com o fim dos eventos e o boom do smart working. As administrações municipais de repente perceberam que quando tudo se desmaterializa os cidadãos podem ir embora porque não há nada que os segure”.
De fato, a pandemia deixou explícito o contrato de troca entre a cidade e as pessoas que nela vivem: “Na última década, a cidade sempre foi privilegiada em detrimento dos cidadãos. Basicamente, no mundo pré-Covid, as grandes cidades ofereciam empregos, serviços, redes sociais dinâmicas e cultura em troca dos melhores anos da tua vida na forma de produtividade, criatividade, disponibilidade para socializar”. O acordo, entretanto, já havia sido estourado há tempo devido a aluguéis e preços insustentáveis; salários raramente à altura do custo de vida e redes sociais cada vez mais excludentes. Traduzido: as cidades se reduziram a meras oportunidades de trabalho, inclusive nem sempre satisfatórias.
Isso significa dizer que os problemas não nascem hoje, eles simplesmente foram ignorados para perseguir o mantra do crescimento sem limites. A pandemia, portanto, estragou um equilíbrio baseado em ilusões e hoje são os novos estilos de vida emergentes que constroem as ideias alternativas de cidades: "As grandes cidades com liderança progressista já enviaram alguns sinais, de Nova York a Londres até Milão, mas com nossos comportamentos já estamos apontando um caminho. E, mais do que uma diversificação, precisamos de um mix de possibilidades e ofertas: não vamos colocar em discussão a cidade - dizem os três profissionais - mas o tipo de realidade que queremos viver porque nos encaminhamos para um mundo em que a residência será móvel e serão os interesses, econômicos e sociais que nos moverão".
Consequentemente, para projetar uma cidade à prova de crise não devemos cair no erro do passado que admitia uma única alternativa: “As contradições devem ser sintetizadas, não eliminadas”. É por isso que os autores identificaram quatro grandes tendências que identificam quatro modelos de cidade:
– Acrópole: clube privado, paraíso terrestre, exclusiva, delimitada, estimulante, sofisticada, cosmopolita;
– Irregular: terreno abandonado de experimentação e conquista, informal, irregular, permeável, imprevisível, decadente;
– Leve: cidade conforme pedido, sem vínculos, conectada, desmaterializada, rápida, rarefeita, funcional, eficiente;
– Condado: cidade de pequenos bairros, a província na cidade, vizinha, ativa, cordial, controlada, decorosa, homologadora, conservadora.
A convicção de Agazzi, Brambilla e Daelli é que a junção dessas diretrizes possibilita a construção de uma cidade “desejável” que “contribua para a segurança e a plena realização das pessoas que nela habitam”. Motivo pelo qual escolher uma única mutação seria um erro grave: ela não poderia atender às necessidades de todos. O renascimento das cidades só pode passar do alcance do equilíbrio entre uma dimensão individual, de afirmação pessoal e uma dimensão coletiva que premie o esforço das comunidades e favoreça a iniciativa pública.
A reportagem é de Giuliano Balestreri, publicada por Business Insider e Caminho Político. A tradução é de Luisa Rabolini.Edição: Régis Oliveira. @CaminhoPolitico

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