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quinta-feira, 17 de junho de 2021

"A camisa da seleção está manchada e representa o 'partido' de Bolsonaro"

Autor do livro "O Futebol Explica o Brasil" afirma que, após apropriação da camisa amarela pelo bolsonarismo, presidente tenta capitalizar com a Copa América, mas "ninguém ganha uma eleição por causa da seleção".A pandemia de covid-19 adiou a Copa América de 2020 para 2021. E fez com que Colômbia e Argentina desistissem de sediá-la. Com o Brasil à beira de contar 500 mil mortos pela doença, o presidente Jair Bolsonaro aceitou receber o torneio, desencadeando críticas de cientistas e, claro, uma enxurrada de memes.
Autor do livro O Futebol Explica o Brasil, o jornalista e historiador Marcos Guterman vê na postura do governo brasileiro uma forma de passar o recado de que está tudo normal no país e de que a vida pode seguir adiante. "Bolsonaro é movido por estardalhaço. Quanto mais ele desafia as certezas científicas e sanitárias a respeito da pandemia, ele acha que é melhor", avalia.
Em sua opinião, dificilmente o torneio resultaria em dividendos políticos a serem capitalizados pelo presidente, mesmo que a seleção brasileira vença de forma convincente. Até a noite desta terça-feira (16/06), o Ministério da Saúde havia confirmado 53 casos de covid-19 entre atletas, comissões técnicas e prestadores de serviço contratados para atuar no torneio.
Além disso, Guterman acredita que a apropriação por bolsonaristas da camisa amarela "manchou" o uniforme da seleção brasileira e vê no populismo do presidente, que a cada dia é fotografado com as cores de um time de futebol diferente, a imagem de quem só quer fazer "agrados demagógicos".
"Hoje esta camisa [da seleção] está manchada, manchada pela política. Hoje ela representa um partido, que é o 'partido' do Bolsonaro. Que, curiosamente, do ponto de vista institucional, não tem partido. Na prática, ele tem: é o partido da camisa amarela", afirma em entrevista à DW Brasil.
DW Brasil: Futebol e política sempre se misturam?
Marcos Guterman: À medida que o futebol foi ganhando força de manifestação popular, e isso aconteceu logo na primeira década do século 20 […], pois, onde está o povo, tem o eleitor, e, onde está o eleitor, está a política. É um esporte que conseguiu se transformar essencialmente na cara do Brasil. Nenhum governo, nenhum político, mesmo que não gostasse de futebol, poderia deixar de participar.
Lançado há mais de 10 anos, seu livro ganha nova atualidade na onda neopopulista personificada por Jair Bolsonaro, a cada dia fotografado com a camisa de um time diferente. Como o futebol explica esse Brasil de 2021?
O futebol já foi mais expressivo dessa amálgama social, política e cultural que sempre representou no Brasil. De uns anos para cá, essa identidade foi sendo esgarçada por exageros políticos e, ao mesmo tempo, perda da qualidade da relação da seleção brasileira com os torcedores brasileiros. […] Essa apropriação da camisa da seleção pelo bolsonarismo [começou] a partir das manifestações de 2013. Havia [naquele momento] uma carga de crítica em relação ao fato de empenho tamanho para uma copa exemplar [de 2014, sediada pelo Brasil], estádios fantásticos com dinheiro público, ao passo que havia a reivindicação por serviços públicos que nem de longe tinham esse grau de excelência exigido pela Fifa. Naquele momento, a camisa da seleção se tornou a camisa do sem partido, a camisa como uma bandeira. E foi sendo apropriada aos poucos por esse movimento, mais de extrema direita, contra o chamado sistema político. Bolsonaro, evidentemente, foi o cara que se apropriou melhor, disso. Não foi o único, foi uma onda […], uma bancada forte que se elegeu com a camisa da seleção brasileira. Hoje esta camisa está manchada, manchada pela política. Hoje ela representa um partido, que é o "partido" do Bolsonaro. Que, curiosamente, do ponto de vista institucional, não tem partido. Na prática, ele tem: é o partido da camisa amarela.
Trazer a Copa América para o Brasil é uma jogada política de Bolsonaro? O que ele ganha com o torneio?
Trazer [o torneio] para o Brasil foi uma maneira de causar. Bolsonaro é movido por estardalhaço. Quanto mais ele desafia as certezas científicas e sanitárias a respeito da pandemia, ele acha que é melhor. Não estou dizendo que isso vai reverter em votos a favor dele. Pelo contrário: é capaz até que ele perca votos por causa disso. Mas na visão estratégica dele, tudo o que puder fazer para demonstrar que o Brasil está normal e que se pode tocar a vida normalmente sem medo da pandemia […], tanto melhor. Então trazer a Copa América, nesse sentido, serviu justamente como mais um elemento de grande visibilidade. Adicionou um tijolinho nesse discurso do Bolsonaro de que o Brasil "precisa esquecer esse negócio de pandemia e tocar a vida", de que "quem for contra é contra o Brasil", "contra o futebol", "contra a seleção brasileira", "contra a economia", "contra o emprego". Não é uma coisa separada. E não vai ser a última vez que ele vai fazer isso. À medida que a eleição [de 2022] for chegando, ele vai capitalizar coisas que não são dele, como é o caso das vacinas, e vai terceirizar responsabilidades que são dele, como o desemprego.
A respeito dessa capitalização política com o torneio, o resultado da seleção em campo pode interferir na opinião pública sobre o presidente?
Boa pergunta. Na verdade, só esperando para ver. Mas acho que mesmo que o Brasil ganhe espetacularmente, o que não vai acontecer, porque o futebol está muito medíocre, mas mesmo que faça uma final épica contra alguma dessas seleções mais fortes, isso não vai despertar no torcedor brasileiro nenhuma sensação especial. Se o presidente tentar capitalizar, como é o que qualquer presidente faria, ele vai provavelmente ter alguma simpatia de quem já é simpático a ele. Duvido que esse tipo de manobra demagógica vá acrescentar algum voto. Mas enfatizo que todos os presidentes tentaram capitalizar vitórias da seleção brasileira em torneios internacionais, todos, em várias circunstâncias, em ditadura, em democracia. Não importa o perfil, se o presidente gosta de futebol ou se não gosta. […] O [ex-jogador da seleção pentacampeã em 2002] Vampeta rolou na rampa [do Palácio do Planalto] com o [então presidente] Fernando Henrique, que não sabe nem com quantos jogadores joga um time de futebol. E, no entanto, estava lá, recebeu a seleção brasileira, fez festa, ergueu a taça. Bolsonaro faria a mesma coisa, mas considerando o histórico desse tipo de exploração, a influência tende a zero. Ninguém ganha nem perde a eleição por causa da seleção brasileira.
Não é exceção que um presidente brasileiro revele seu time de coração – como é o caso do ex-presidente Lula, corintiano. Bolsonaro, no início, afirmava ser palmeirense. Com o passar do tempo, contudo, assumiu essa postura de vestir a camisa de todos os times, ao sabor da conveniência. Em sua opinião, isso é bom para um político? Ou, em uma terra em que torcedores tendem a ser apaixonados, passa uma imagem de aproveitador, de alguém que só quer usurpar o prestígio do time?
Como santista, eu me sinto envergonhado quando ele veste a camisa do meu time. […] O Lula, por exemplo, nunca escondeu que era corintiano, jamais vestiria a camisa de outro time. E o Bolsonaro, palmeirense, outro dia vi uma imagem dele com a camisa do [arquirrival] Corinthians. Veja a que ponto chegou… Tudo o que li indica que ele [Bolsonaro] gosta muito de futebol. Mas, diz o palmeirense, nenhum torcedor palmeirense de verdade vestiria uma camisa do Corinthians. E Bolsonaro vestiu. O que dá a certeza de que se trata de um oportunista. O corintiano que viu o palmeirense Jair Bolsonaro com a camisa de seu time, sabe que ali é mera demagogia.
O que passa pela cabeça do presidente pode ser: "Eu vou vestir todas as camisas porque sou o presidente de todos". Mas, nesses casos, fica claro que ele está vestindo só para fazer um agrado demagógico, não tem nada a ver com identidade, nem nada. Me parece um tiro que sai pela culatra. O fato de ele usar várias camisas de vários times e isso ser uma apropriação, não tenho a menor dúvida. Mas o presidente Bolsonaro, ele gosta mesmo de futebol, não está fingindo. Assim como [o ditador Emílio Garrastazu] Médici [(1905-1985), presidente do Brasil entre 1969 e 1974] gostava, Bolsonaro também gosta. Tanto que era para ele ter sido jogador de futebol, consta na história pessoal dele que o pai é que não deixou que fosse. Lamentavelmente, pois algum clube do interior de São Paulo teria ali um meia-esquerda medíocre, mas não [teríamos] o presidente que nós temos hoje, causando os problemas que causa.
Edison Veiga/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

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