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sexta-feira, 16 de julho de 2021

Bolsonaro deve deixar hospital nos próximos dias, diz médico

Presidente deve manter dieta de alimentos cremosos após alta, diz cirurgião. Obstrução intestinal está associada a cirurgias feitas após o episódio da facada e resulta da ingestão de alimentos espessos e mal mastigados. O presidente Jair Bolsonaro deverá ter alta do hospital onde está internado em São Paulo dentro de dois dias, afirmou o cirurgião Antonio Luiz Macedo em entrevista divulgada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (16/07).
Segundo Macedo, Bolsonaro deverá manter uma dieta de alimentos cremosos e não fermentados após deixar o hospital. Mais tarde, ele receberá alimentação pastosa por um determinado período, após o qual poderá se alimentar de comida sólida. O médico disse o presidente apresenta boa evolução.
O presidente está internado desde quarta-feira no Hospital Vila Nova Star, na Zona Sul de São Paulo. Ele foi transferido de Brasília para a capital paulista após exames no Hospital das Forças Armadas constatarem uma obstrução intestinal.
O último boletim médico afirmava que Bolsonaro "permanece evoluindo satisfatoriamente, com a conduta médica inalterada”.
Macedo disse que a obstrução está relacionada ao histórico de saúde do presidente, o que inclui a facada que ele levou durante a campanha eleitoral de 2018 e as cirurgias subsequentes.
Esses procedimentos afetaram o intestino, que se tornou mais sensível a aderências, o que pode gerar obstruções com a ingestão de alimentos mais espessos e mal mastigados, disse o médico.
O cirurgião acompanha a evolução da saúde de Bolsonaro desde o atentado a faca contra o presidente durante a campanha eleitoral de 2018 e foi responsável pelas quatro cirurgias decorrentes no abdômen. Nos últimos dias, o presidente vinha enfrentando uma crise de soluços.
Saúde fragilizada após facada
Bolsonaro foi alvo de um ataque com faca em 6 de setembro de 2018, quando participava de um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Após o atentado, ele fez uma cirurgia inicial na Santa Casa de Juiz de Fora e depois uma segunda, em São Paulo. Ele permaneceu três semanas internado e recebeu alta no final de setembro.
Em janeiro de 2019, já ocupando a presidência, ele foi novamente submetido a uma cirurgia para a retirada de uma bolsa de colostomia e reconstrução do trânsito intestinal. Em setembro daquele ano, o presidente passou pela quarta cirurgia, desta vez para tratar uma hérnia que apareceu no local das intervenções anteriores.
O agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira, foi preso logo depois do atentado. Em maio de 2019, um juiz da 3ª vara da Justiça Federal em Juiz de Fora decidiu que Adélio Bispo não poderia ser punido criminalmente em razão de sofrer transtorno mental.
A decisão foi tomada com base em avaliações psiquiátricas, inclusive com uma entrevista feita por um médico indicado pela defesa de Bolsonaro.
A investigação da Polícia Federal concluiu que ele agiu sozinho. Uma juíza também ordenou a quebra do sigilo de dados de celulares de Adélio.
No mês seguinte, o juiz aplicou em Adélio o mecanismo da "absolvição imprópria", previsto quando uma pessoa não pode ser condenada por ser inimputável, e determinou a internação do agressor por tempo indeterminado na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS).
Bolsonaro, que desde o atentado alimenta dúvidas sobre as conclusões do inquérito da PF e costuma sugerir que Adélio fazia parte de uma conspiração, não apresentou nenhum recurso dentro do prazo contra a decisão.
rc (ots, DW)cp
@caminhopolitico @cpweb

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