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segunda-feira, 12 de julho de 2021

Jornalista é morto por grupo anti-LGBTQ na Geórgia

Repórter é morto ao ser espancado por um grupo de extrema direita que era contra realização de uma marcha. Ativistas afirmam que governo estimula violência contra comunidade e a imprensa.Um cinegrafista morreu neste domingo (11/07) na Geórgia depois de ser sido violentamente espancado, no dia 5 de julho, por um grupo de extrema direita durante uma manifestação violenta contra a realização de uma marcha LGBTQ, que acabou sendo cancelada.
O repórter Alexander Lashkarava tinha 37 anos e trabalhava para o canal independente de TV Pirveli. Ele foi encontrado morto na sua cama na manhã deste domingo, poucos dias depois de ter tido alta após ter sido atacado durante uma reportagem sobre a marcha cancelada, informou o canal. A causa da morte não foi revelada.
A marcha LGBTQ, que iria percorrer as ruas da capital, Tbilisi, foi cancelada por temores pela segurança dos participantes após grupos contrários ao evento invadirem e saquearem o escritório dos organizadores. Mais de 50 jornalistas foram agredidos no mesmo dia, quando acompanhavam os acontecimentos.
Segundo colegas, Lashkarava foi agredido por um grupo de cerca de 20 pessoas. Imagens de TV mostraram ele deitado no chão, com ferimentos no rosto e sangue ao redor. Relatos na mídia disseram que ele passou por uma cirurgia no rosto.
A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) condenou os ataques e afirmou que os jornalistas sofreram ferimentos, incluindo contusões, queimaduras químicas e fraturas nos braços.
A organização não-governamental acusou as autoridades de culpa passiva e considerou que a polícia falhou no seu dever de proteger os jornalistas. Ativistas LGBTQ disseram que os agressores tinha o apoio do governo e da Igreja Ortodoxa Georgiana.
O Ministério do Interior da Geórgia comunicou que foi aberta uma investigação para determinar as causas da morte de Lashkarava.
Protesto pede renúncia de premiê
Neste domingo, ativistas de direitos humanos realizaram uma manifestação para pedirem a renúncia do primeiro-ministro Irakli Garibashvili e punição aos agressores. Milhares de pessoas participaram do protesto em frente ao Parlamento.
"Espancaram-no, partiram-lhe a cabeça, deram-lhe pontapés em nome de Deus e com a ajuda da polícia, e depois ele morreu. Todos sabemos o que o matou. Ele foi morto pela violência e pela inação da polícia", disse Nika Oboladze, do partido da oposição Movimento Nacional Unido (MNU).
Representantes da imprensa acusaram o governo de Garibashvili de orquestrar uma campanha violenta contra os jornalistas. "O governo não se limita a encorajar essa violência, ele é parte interessada nela", disse à agência de notícias AFP o editor-chefe da Pirveli, Nodar Meladze.
Ele afirmou que o governo criou grupos violentos que atacam os órgãos de comunicação social independentes e acrescentou que a polícia regularmente tem a imprensa como alvo.
Em junho de 2019, a polícia feriu cerca de 40 jornalistas que cobriam uma manifestação antigovernamental.
O primeiro-ministro é alvo de duras críticas tanto da oposição como de ativistas de direitos humanos, depois de se ter posicionado contra a realização da marcha LGBTQ, considerando-a "inaceitável para grande parte da sociedade".
as (Lusa, AP)cp
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