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sábado, 14 de agosto de 2021

“Futuras Gerações: o impresso vai precisar garimpar saídas. Mas elas existem”, por Wagner de Alcântara Aragão

Os jovens de hoje, e os de amanhã, vão “consumir’ jornalismo por meios impressos? Sim e não, arrisco-me a cravar, e explico mais adiante essa aparente contradição. É uma pergunta a me martelar durante a observação dos debates da 7ª edição do Mídia.JOR, da Revista e Portal Imprensa, cujo tema, “Futuras Gerações”, é para lá de intrigante. Afinal, os jovens atuais, no futuro, não o serão; mudarão os hábitos para aqueles que hoje cabem às “velhas” gerações? E as que virão, as futuras no sentido mais preciso do termo, como sabê-las?
Inquietações de ordem filosófica à parte, o fato é que no debate do Mídia.JOR do último dia 7 de junho, foram apresentados e discutidos os resultados da pesquisa “Hábitos de Mídia do Brasileiro”, do Instituto IDEIA. O relatório aponta, entre outros dados, que o consumo de jornal impresso cada vez mais se restringe a leitores de maior idade – com mais de 45 anos, principalmente.
Sinal de que está prestes a desaparecer? Sim, este modelo de impresso, capaz que não se viabilize mais. Repare: este modelo, e não o impresso em si, creio eu.
O jornalismo impresso será levantado pelas futuras gerações, inclusive – as futuras, que hoje são novas e amanhã serão “velhas”, e as futuras, aquelas que estão por vir.
As discussões do Mídia.JOR apontam, como condições para que o jornalismo sobreviva, o rigor na apuração, a pluralidade de pontos de vista e a equidade de vozes representadas. Sobrevivência em credibilidade e, por tabela, enquanto negócio.
O jornalismo, independentemente da mídia de produção, veiculação e consumo, clama por profissionalismo e compromisso social, para ser reconhecido de fato como tal, isto é, como jornalismo; como referência, bússola, farol.
Mergulhados como estamos em intermináveis opções de mídias e informações, como um determinado meio e seu conteúdo podem se sobressair, despertar nossa atenção, o interesse do público? Por outros caminhos, por outras vias – e então é por aí, por escape dessa avalanche, em busca de experiências distintas, que o público redescobrirá o impresso.
Para tanto, além do profissionalismo, da pluralidade e da representatividade social, o impresso – jornal, revista, boletim, mural – tem de oferecer mais que noticiário. Mais que análise, opinião. Tudo isso, e mais.
Tem de oferecer experiência. Tem que ser um bem informativo e um bem cultural. Precisa ser apresentado, revestido e recheado de modo a ser ímpar. Da textura ao cheiro, passando pelo visual e pelo deleite proporcionado pela leitura, o público tem de se sentir sublimado, e não um mero receptor de informação. Uma espécie de documentário em versão em papel.
Ora, se o gosto por livros resiste, supera a preferência por e-books, inclusive entre os jovens, por que o jornalismo expresso pelo impresso não resistirá?
As saídas para o impresso carecem de ser garimpadas. Mas elas existem. Bora?
Wagner de Alcântara Aragão é doutorando em Comunicação (UFPR), jornalista e professor da rede estadual de educação profissional do Paraná. Mantém um veículo de mídia alternativa (www.redemacuco.com.br), ministra cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e realiza projetos culturais. @caminhopolitico @cpweb

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