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terça-feira, 23 de novembro de 2021

"Bolsonaro será visto como o pior presidente da história” Edison Veiga

Em novo livro, Marco
Antonio Villa apresenta uma síntese dos cinco séculos do Brasil. Em entrevista à DW, ele afirma que quis evitar "anacronismos" na obra e avalia que o governo Bolsonaro é um "ponto fora do curva”. Junto ao grande público, o historiador Marco Antonio Villa é conhecido como comentarista político — atualmente participa da bancada do Jornal da Cultura e mantém um canal no YouTube. Mas são 30 anos de docência universitária — ele é professor aposentado da Universidade Federal de São Carlos — e mais de 30 livros publicados. É esta faceta acadêmica que endossa sua mais nova obra, ‘ Um País Chamado Brasil'.
No livro, Villa apresenta uma síntese de 500 anos da história nacional, desde a chegada dos conquistadores portugueses até o fim do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. À DW Brasil, ele explica que o recorte não teve o objetivo de deixar de lado os governos petistas — dos quais ele é reconhecido crítico. "Quis evitar a questão do presentismo, foi esse o meu objetivo”, argumenta.
Mesmo que a obra não abarque o momento atual, ele não se furta a responder, à reportagem, sobre o atual governo de Jair Bolsonaro. Que, segundo ele, será visto no futuro como "um genocida, o principal responsável pela tragédia sanitária do Brasil e pelos mais de 600 mil mortos da pandemia da covid-19”.
"O governo Bolsonaro é um ponto fora do curva”, comenta Villa. "O Brasil estava enfrentando esse desafio [do mundo globalizado contemporâneo] e o governo Bolsonaro e toda a tragédia que significou, interna e externamente, fez com que nós perdêssemos conexões com o que estava acontecendo. E isso vai ser reatado [a partir de 2023].”
Em ‘Um País Chamado Brasil', o historiador defende uma historiografia sem anacronismos, ou seja, respeitando a concepção de mundo vigente no momento em que os acontecimentos ocorreram. E espera que o leitor faça suas própria avaliações sobre os fatos relatados. "Não sou eu quem dirijo o leitor. Ele tem todo o campo para poder escolher sua interpretação a partir da apresentação que eu faço do conjunto da história do Brasil”, diz.
Seu livro trata da história do Brasil até o fim do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. Por que não avançou até os dias atuais?
Porque no livro eu trabalho com uma bibliografia acadêmica já consolidada, clássica, que passou por diferentes debates. A bibliografia mais recente, do século 21, especialmente no campo da história e, principalmente, da história política, não passou [por esse crivo]. Quis evitar a questão do presentismo, foi esse o meu objetivo.
Houve uma preocupação em ignorar os governos petistas?
Não, em hipótese alguma. Nem passou isso pela minha cabeça. No caso da história do tempo presente, eu tenho muitos livros que publiquei sobre o período, com sucesso de vendas. Tenho o ‘Década Perdida: Dez Anos de PT no Poder', ‘Um País Partido - 2014: A Eleição Mais Suja da História', ‘Mensalão: O Julgamento do Maior Caso de Corrupção da História Política Brasileira'… Isso só passando por questões estritamente do PT. São livros bastante citados. [Neste, ao contrário] o objetivo central foi trabalhar com a bibliografia acadêmica consolidada.
No livro, quando apresenta o início do século 21, o senhor contextualiza que seria um momento em que o Brasil teria de enfrentar desafios inerentes à globalização, em um cenário pós-queda do Muro de Berlim. De certa forma, o que estamos assistindo hoje não é um pouco diferente disso, já que há cotidianos duelos do governo federal com fantasmas do comunismo e uma visão deturpada de globalização como se houvesse um mecanismo de controle?
O governo Bolsonaro é um ponto fora do curva. Certamente com a posse do novo presidente em janeiro de 2023 vamos viver outra situação política e aí sim teremos de enfrentar os desafios da globalização, de como se colocar neste mundo pós fim da Guerra Fria. O Brasil estava enfrentando esse desafio e o governo Bolsonaro e toda a tragédia que significou, interna e externamente, fez com que nós perdêssemos conexões com o que estava acontecendo. E isso vai ser reatado.
Como o senhor acha que o presidente Jair Bolsonaro será encarado pelos historiadores do futuro?
Como o pior presidente da história da República, um desastre. E como um genocida, o principal responsável pela tragédia sanitária do Brasil e pelos mais de 600 mil mortos da pandemia da covid-19.
No livro, o senhor promete apresentar a história evitando anacronismos e o panfletarismo. Acredita que a historiografia brasileira hoje esteja muito cheia disso?
Está cheia de panfletarismo. Sobre o período mais recente, de 1964 para cá, está lotada de panfletarismo. E tem muita coisa sobre a questão da escravidão, por exemplo, que é mal trabalhada. Temos brilhantes trabalhos sobre a escravidão e a ditadura militar, mas outros buscam os caminhos do panfletarismo e não da pesquisa. Historiador tem de pesquisar, ir aos arquivos, isso é um trabalho do historiador. Eu sou um historiador fundamentalmente. […] O anacronismo é uma doença terrível para os historiadores. Vejo cada coisa e fico dando risada. Isso faz parte, teve em todo lugar e temos aqui.
Pode dar alguns exemplos?
Por exemplo dizer que o Brasil nasceu no século 17 na Batalha de Guararapes [que pôs fim às invasões holandesas na colônia] porque lá nasceram as Forças Armadas brasileiras… Não, absolutamente não. Tanto que eu apresento isso no livro.
Da mesma forma, ninguém pode falar das rebeliões nativistas como se falava antigamente na historiografia tradicional. Por exemplo, na Guerra dos Mascates [ocorrida em Pernambuco no início do século 18] não se colocava a questão da nação, e sim outros interesses das contradições do Brasil colonial.
Eu evito esses anacronismos, mostro que o Brasil é uma construção do século 19. Não podemos falar em Brasil no século 16, no século 17, no século 18. A questão da Inconfidência Mineira [ocorrida no fim do século 18]: qual a concepção lá presente? São as contradições com o Estado colonial português, a cobrança de tributos em um momento de queda de produção do ouro.
A questão nacional não estava presente naquele momento histórico. […] Meu livro tem o objetivo de trazer uma análise equilibrada, citando os melhores autores, com uma sólida pesquisa acadêmica.
De que maneira compreender a história do Brasil possibilita o entendimento dos dilemas do presente?
Tem questões que a gente tem de voltar lá. A questão da escravidão, por exemplo, e a permanência de uma herança escravista aqui no Brasil. Também o coronelismo no campo da política, a falta de uma cultura política democrática, como isso perpassa a história brasileira.
Outra é o espaço exíguo para a sociedade civil se manifestar. Isso tudo eu vou mostrando no livro e como isso é uma questão de combate contínuo, o baixo nível da cultura política popular, isso eu vou mostrando, apontando ao longo da história. E deixando ao leitor todas as interpretações. Não sou eu quem dirijo o leitor. Ele tem todo o campo para poder escolher sua interpretação a partir da apresentação que eu faço do conjunto da história do Brasil.
Edison Veiga/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

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