Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Av. André Maggi nº 6, Centro Político Administrativo Cep: 78.049-901- Cuiabá MT.

Baronês Cuiabá

Baronês Cuiabá
O cardápio mais nobre de Cuiabá.

Prefeitura de Cuiabá

Prefeitura de Cuiabá
Praça Alencastro, Cuiabá, 78005-906

Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso

Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso
Cons. Benjamin Duarte Monteiro, Nº 01, Ed. Marechal Rondon

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Olavo de Carvalho, pioneiro das modernas fake news no Brasil

Ex-astrólogo foi por mais de duas décadas um dos principais promotores de teorias conspiratórias no Brasil. Muitas vezes adaptando material dos EUA, ajudou a formar uma geração de extremistas e alimentou o bolsonarismo. Olavo de Carvalho, que morreu nesta segunda-feira (24/01) aos 74 anos, foi por mais de
duas décadas um dos principais disseminadores de fake news e teorias conspiratórias no Brasil.
Ex-astrólogo que passou quase cinco décadas na obscuridade, Olavo começou a ganhar notoriedade na segunda metade dos anos 1990, quando passou a se apresentar como filósofo e aos poucos começou a conquistar adeptos entre direitistas, conservadores e extremistas em geral, que procuravam obter algum verniz intelectual ou que se sentiam isolados nas universidades, encaradas por eles como "antros da esquerda".
Sem jamais ter concluído um curso formal na universidade, Olavo adotou inicialmente uma abordagem de duas frentes para construir sua influência.
Por um lado, apresentava pensadores estrangeiros que eram pouco conhecidos no Brasil – como René Girard e Eric Voegelin –, e resgatava esquecidos pensadores conservadores brasileiros – como Mário Ferreira dos Santos e Otto Maria Carpeaux. A tática lhe conferiu entre alguns grupos uma aura de sábio revelador de um conhecimento secreto que teria sido sonegado pela "esquerda".
Por outro lado, com a tática, Olavo aproveitava para incutir em seus seguidores uma visão conspiracionista, atribuindo os males do Brasil e do Ocidente ao "marxismo cultural".
Teorias conspiratórias
Olavo foi pioneiro na divulgação no Brasil desse conceito enganoso, elaborado por ultradireitistas dos EUA ligados a Lyndon LaRouche no início dos anos 1990 e que empresta elementos de velhas teorias conspiratórias antissemitas.
De acordo com os adeptos da teoria conspiratória do "marxismo cultural", intelectuais da Escola de Frankfurt elaboraram um plano de "guerra cultural" para conquistar a hegemonia no campo das ideias com o objetivo de minar a cultura ocidental – um plano que teria sido mantido pela esquerda mesmo após o fim da Guerra Fria.
Olavo não se limitou a meramente divulgar a delirante teoria elaborada nos EUA, mas também a adaptou para o público radical brasileiro, usando como bicho-papão o Foro de São Paulo.
Uma pouco influente organização que promove encontros entre partidos da esquerda da América Latina, incluindo o PT, mas que, na pregação de Olavo, soava como uma enorme conspiração para a implantação do comunismo no continente.
A teoria conspiratória se encaixava perfeitamente nas ideias de Olavo, um adepto do "tradicionalismo", uma obscura corrente antimodernista que defende que a religiosidade e antigas hierarquias deveriam ocupar o centro da sociedade – em oposição à democracia secular.
A tática também subvertia conceitos do filósofo franco-americano René Girard (1923-2015), cuja divulgação Olavo monopolizou no Brasil por vários anos. Girard foi o autor da "teoria do desejo mimético", que apontava que as fontes de tensão de sociedades precisavam de um "bode expiatório", um alvo sobre o qual a violência de uma comunidade precisava ser direcionada. Girard havia apenas diagnosticado a questão. Olavo tratou de escolher – ou inventar – alvos conforme sua agenda política.
Ele inicialmente propagandeou várias dessas ideias em livros que saíram nos anos 1990 por pequenas editoras, conquistando um pequeno, porém fiel público, composto especialmente de jovens homens de direita.
Por outro lado, seu trabalho mais apresentável de "divulgador" de pensadores conservadores também lhe valeu algum espaço na imprensa. Ele chegou a ter colunas em veículos como o Jornal do Brasil, O Globo e as revistas Época e Bravo.
Na mesma época, Olavo se tornou um frequentador assíduo de think tanks brasileiros que se promoviam como "liberais", mas que sob a influência dele se afastaram de qualquer pretensão moderada e passaram a abraçar cada vez mais ideias reacionárias, como formigas que se tornam "zumbis" pela ação de parasitas.
Jean-Philip Struck/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ame,cuide e respeite os idosos