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segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Por covid-19, Anvisa desaconselha viagens de cruzeiros

Agência afirma que "aumentos vertiginosos" de infecções a bordo de navios na costa brasileira representam riscos à saúde e de transtornos e diz que vai investigar possíveis violações de protocolos sanitários. Diante dos "aumentos vertiginosos" de casos de covid-19 a bordo de embarcações que operam na costa brasileira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma nota neste domingo (02/12) contraindicando o embarque em navios de cruzeiro nos próximos dias.
A agência afirmou que a recomendação leva em conta o risco tanto à saúde dos passageiros quanto de transtornos, considerando a imprevisibilidade das viagens no momento, com a possibilidade de interrupção e de quarentena em navios.
A chance de ser infectado pelo coronavírus a bordo de cruzeiros é alta, afirmou a Anvisa com base em investigações feitas nos últimos dias.
Diante do aumento de casos de covid-19 em navios e de "dados epidemiológicos nacionais e mundiais, especialmente sobre o aparecimento e a transmissão em território nacional da variante ômicron", a Anvisa já havia recomendado ao Ministério da Saúde na última sexta-feira a suspensão da temporada de cruzeiros no Brasil e voltou a reforçar a urgência da interrupção imediata.
A agência também afirmou neste domingo que irá apurar possíveis violações de protocolos sanitários cometidas por operadoras de cruzeiros após notícias divulgadas pela mídia.
"A Anvisa irá apurar os fatos e, se constatadas irregularidades, os responsáveis serão penalizados nos termos da Lei 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis. Dentre as penas, estão multas e até mesmo a suspensão das atividades das embarcações", disse em nota.
Mais de 300 casos
Há cinco navios de cruzeiro operando na costa brasileira no momento, e em todos eles foram registrados casos de covid-19. Ao todo, 301 infecções foram confirmadas a bordo dos navios do início da temporada, em novembro, até a última sexta-feira, sendo 170 tripulantes e 171 passageiros.
A situação é mais grave no Costa Diadema, onde foi constatada transmissão comunitária da covid-19 a bordo. O navio está, portanto, no nível 4 do cenário epidemiológico, o mais alto, o que impede sua operação. Na última quinta-feira, a Anvisa interrompeu as atividades do navio, que deveria concluir o passeio somente nesta segunda, depois que foram identificados ao menos 68 infectados.
O cruzeiro ficou atracado no porto de Salvador, e passageiros com teste positivo e residentes na cidade puderam desembarcar. O navio prosseguiu então para Santos, seu destino final, onde o restante dos passageiros deve desembarcar seguindo os protocolos sanitários.Neste domingo, mais de 3 mil passageiros foram impedidos de embarcar no navio MSC Splendida no porto de Santos, após a constatação de transmissão sustentada de covid-19 entre tripulantes e imposição de quarentena para a embarcação. O navio está no nível 4 do cenário epidemiológico, segundo avaliação deste domingo, o que impede a operação.
Na quinta-feira, após a identificação de ao menos 78 casos da doença a bordo (51 tripulantes e 27 passageiros), a Anvisa havia determinado que o navio atracasse para investigação epidemiológica e que os passageiros que desembarcassem prosseguissem com o isolamento em terra.
Também neste domingo, a Anvisa comunicou que testaram positivo para a covid-19 dois tripulantes e 26 passageiros a bordo do navio MSC Preziosa, que atracou no Rio de Janeiro, proveniente de Armação de Búzios, na Região dos Lagos.
"Esses viajantes concluíram a viagem, seguindo o protocolo de isolamento. De acordo com as informações do diário de bordo, eles estão assintomáticos ou com sintomas leves. Todos os passageiros e tripulantes foram orientados a fazer a autoquarentena", diz nota.
O MSC Preziosa está no nível 3 do cenário epidemiológico, o que permitiu novos embarques neste domingo. Caso o cenário mude, o cruzeiro poderá ter que encerrar suas atividades.
Os outros dois navios que operam na costa brasileira no momento, o Costa Fascionosa e o Seaside, se encontram no nível 3 do cenário epidemiológico e seguem operando. Há um ou mais casos de covid-19 confirmados entre a tripulação, segundo a Anvisa.
Associação manifesta surpresa
A Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil) se disse surpresa com a recomendação da Anvisa de suspender a temporada de cruzeiros.
"O setor de cruzeiros recebeu com surpresa a recomendação da Anvisa de suspensão provisória da temporada de navios, tendo em vista que os menos de 400 casos positivos identificados a bordo representam cerca de 0,3%, ou seja, uma pequena minoria dos 130 mil passageiros e tripulantes embarcados desde o início da atual temporada, em novembro", declarou.
A associação afirma que a grande maioria dos casos é assintomática ou com sintomas leves e que os infectados foram isolados e desembarcados conforme o protocolo vigente, assim como seus contatos próximos.
lf/as (Agência Brasil, AFP, ots)cp
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