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quarta-feira, 19 de abril de 2023

MEIO AMBIENTE: Ministro de Meio Ambiente do Reino Unido visita projeto sustentável indígena apoiado pelo Programa REM MT

Separados por um oceano, o povo indígena Zoró, de Rondolândia (1.162 km de Cuiabá), recebeu a visita do ministro do Meio Ambiente e Clima Internacional e Bem-estar Animal e Florestas do Reino Unido, Zac Goldsmith, entre os dias 14 e 16 de abril. O ministro reforçou o compromisso de apoiar a comunidade por meio do Programa REM MT, no fortalecimento da cadeia produtiva da castanha do Brasil. Afinal, são pelas mãos das mulheres e de toda a família que a geração de renda da aldeia se mantém, além de contribuir para a manutenção da floresta em pé. 
Habitantes seculares da região noroeste de Mato Grosso e sul de Rondônia, a visita foi um marco para o povo Zoró, que pela primeira vez recebeu uma autoridade estrangeira na aldeia Zawa Karej Pangyjej.O Programa REM MT apoia a comunidade por meio do subprograma de Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCT). Dois projetos são desenvolvidos no local: Associação do Povo Indígena Zoró (APIZ), que receberá um aporte na ordem de R$ 4.012.141,00 e Sentinelas da Floresta, da Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena (Aderjur), que recebeu R$ 1.495.506,00 de investimento.
Fortalecimento
Atravessando o Rio Branco, em meio às castanheiras, cajueiros e ipês, os indígenas mostraram para a embaixada e para as demais autoridades do Reino Unido como funciona a produção das castanhas do Brasil são colhidas e transportadas. O Ouriço tem várias sementes e dentro de cada uma há algumas castanhas (também conhecidas como amêndoas). As famílias se dividem paraas funções de coletar, transportar e retirar as castanhas do ouriço. Depois, é feita a seleção, secagem e o ensacamento das castanhas. Só depois disso, é realizada a logística de transporte até um ponto de venda, que costuma ser bastante distante das aldeias. E com o apoio do REM MT, foi instalada uma agroindústria que vai permitir a venda da castanha descascada, agregando bastante valor ao produto.
As mulheres são as responsáveis pela colheita e extração das amêndoas dos ouriços, mas os homens e crianças as acompanham até a floresta.Luana Dat Kawa tem 51 anos e aprendeu a atividade com seus pais. Ela narra as dificuldades de colher as castanhas. Por conta da altura – a castanheira pode medir entre 30 e 50 metros - é necessário esperar os frutos caírem para serem recolhidos do chão, sem contar o desafio de entrar na mata fechada.
“Trabalhamos com as castanhas com as mãos, sem proteção. Muitas vezes, bichos geográficos entram em nossas mãos. Com isso tudo, precisamos de um preço melhor para nós”, conta Luana, na língua Tupi-Mondé.
Apesar do árduo trabalho, muitas vezes a castanha do Brasil é vendida por um preço muito abaixo do mercado.
“Trabalhar com castanha é muito difícil, dá muito trabalho. Com essa dificuldade é que precisamos de alguma forma de ajuda, dos órgãos competentes. Mas, mesmo assim, nós não desistimos de trabalhar com a castanha, porque a castanha é a única coisa que pode dar retorno financeiro para nós”, explica.
A jovem Veronica Petiwet Zoró, de 26 anos, tem uma filha e relata as dificuldades que o povo enfrenta por conta da desvalorização da castanha.
“Precisamos que o projeto nos ajude a trabalhar com um preço melhor, hoje precisamos comprar comida e roupa e manter a nossa família nas nossas aldeias, por isso que é importante que o programa nos ajude no preço e comércio, para facilitar a venda da nossa castanha”, comenta.
Ao se conectar e conhecer de perto o trabalho dos Zorós, Zac Goldsmith reafirma o compromisso do Reino Unido em continuar contribuindo com o Programa REM MT.
“O foco do Reino Unido, através dessa ênfase nos povos indígenas e nas comunidades locais é ajudá-los a se estabelecer onde eles vivem, para que não seja mais difícil e continuem marginalizados do jeito que foram por gerações. Nós vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para dar suporte aos povos indígenas”, reitera.
Observando essa conexão de histórias, o coordenador do subprograma de Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais, Marcos Balbino, detalha como a vinda do ministro é importante para fortalecer as cadeias de valor que ajudam a manter a floresta em pé, além das práticas agroecológicas dos povos indígenas.
“O povo está ali vivendo de uma forma sustentável, sem agredir a floresta, cuidando e extraindo dela os frutos, que tem uma logística muito complicada para escoar e organizar essa produção. Tem o apoio do programa REM MT, mas essa vinda do ministro pessoalmente para conhecer e conversar, que é um dos doadores do Programa REM MT, é importante porque conecta as duas pontas do processo, quem está doando e quem está se beneficiando e o que precisa para aprimorar o desenvolvimento do povo para manter a harmonia com a floresta”, pontua.
Assessoria/Caminho Político
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