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domingo, 26 de novembro de 2023

O que aprendi como jornalista em uma instituição científica

A primeira coisa que fiz como uma jornalista em residência no Max Planck Institute for the History of Science (MPIWG) foi imprimir um meme para pendurar na porta do meu escritório. Ele mostra um pinguim indo em direção a um grupo de pesquisadores com a descrição “Oi. Sim, gostaria de fazer ciência, por favor“. A curiosidade e o entusiasmo desse adorável, porém inepto forasteiro lembrava como eu me sentia no começo da minha bolsa.
O MPIWG recebe jornalistas todos os anos desde 2013 para que eles passem alguns meses no instituto para trabalhar em um assunto específico relacionado à história da ciência. No meu caso, eu analisei a história de como o conceito de “normal” tem sido definido na saúde e na medicina. O programa é intencionalmente estruturado para focar na interação e no entendimento, em vez de simplesmente gerar um resultado direto na forma de um artigo publicado – uma mudança bem-vinda na regra diária para a maioria dos jornalistas.
A seguir está o que eu aprendi sendo o referido pinguim em meio a historiadores de ciência, com lições que outros jornalistas podem incorporar ao trabalharem com cientistas.
Não assuma que cientistas sabem contar histórias
Na maioria das vezes, jornalistas estão tão profundamente envolvidos em seu trabalho que eles esquecem que sua forma de pensar e conceituar tópicos não é uma habilidade ou instinto que todas as pessoas têm.
Durante a minha bolsa, eu passei bastante tempo explicando aos cientistas o que exatamente torna uma questão interessante para uma audiência ampla e não acadêmica. A maioria dos pesquisadores com Ph.D. passou anos mergulhada em um nicho de seu conteúdo. Jornalistas precisam dar passos em direção à profundidade desse conhecimento e processos acadêmicos para traduzirem e transmitirem isso bem para o grande público.
Por exemplo, Jesse Olszynko-Gryn, historiador de saúde reprodutiva e chefe do laboratório de história oral do MPIWG, compartilhou comigo vários estudos de caso interessantes de seu trabalho contínuo sobre defeitos congênitos. Para apresentar essa pauta para uma grande publicação e fazer com que ela fosse aceita (ainda que não tenha sido publicada), eu precisei encontrar um ângulo atual com relevância local que daria vida ao assunto para o público.
Olszynko-Gryn explicou que trabalhar com jornalistas é fundamental para historiadores como ele ampliarem o alcance de seus debates fora da academia. “O resultado é que as pessoas aprendem mais sobre o que fazemos e por que isso é importante. Tudo isso retorna para o processo de pesquisa, muitas vezes de formas inesperadas, nos desafiando a comunicar com mais eficácia dentro e além de nossas especialidades”, disse.
Às vezes, nem você mesma sabe
“Meu Deus, Elna, você acabou de perder a melhor aula. Você não vai acreditar no que estão fazendo com escamas de peixes…” Mais de uma vez um colega me brindou com histórias como essa sobre uma palestra cativante que eu perdi.
Assim como cientistas nem sempre entendem qual pesquisa rende uma boa matéria, jornalistas também nem sempre podem contar uma história incrível a partir das primeiras impressões sobre um assunto. Livre da pressão de sugerir uma pauta que venda, eu tive a chance de repensar quais os tipos de pauta eu realmente quero fazer. Eu passei horas na biblioteca em busca de tesouros escondidos que poderiam render ou embasar uma boa pauta e ouvindo conversas de pesquisadores. Na maioria das vezes, eu descobri as coisas realmente boas em uma conversa espontânea em um almoço ou em notas de rodapé de um artigo. Foi preciso paciência e ouvir a forma como os outros pensam.
Por exemplo, a vice-presidente de comunicação do MPIWG, Stephanie Hood, me disse que eles recebem regularmente demandas jornalísticas relacionadas a biografias de figuras científicas históricas. Mas em vez disso, ela queria que mais jornalistas reconhecessem como o conhecimento dos pesquisadores é relevante para temas no noticiário atual.
“O que é realmente fascinante em relação à pesquisa que fazemos é que boa parte dela desafia as ideias normativas que temos sobre ciência, tecnologia e medicina, tanto na história como na era contemporânea, de uma perspectiva social e política”, disse.
No espaço entre o que é interessante para os pesquisadores e o que pode ser aproveitado pelos jornalistas está a necessidade de ambas as partes estarem sintonizadas.
“Eu ouvi jornalistas falarem que às vezes têm um pouco de medo de pesquisadores, e já ouvi muitos dos meus pesquisadores falarem que têm medo dos jornalistas”, disse Hood. “Criar confiança e essas conexões para nossos pesquisadores e nossa equipe de comunicação é bem importante.”
Tirar um tempo para conversar sobre as suposições dos pesquisadores e explicar o processo de escrita e opções para sugerir uma pauta ou publicar uma matéria muitas vezes os deixava confortáveis o bastante para compartilhar uma pauta comigo. Um pesquisador decidiu sugerir para mim uma pauta sobre seu trabalho mesmo contra as advertências de alguns de seus parceiros e superiores porque tinha aprendido a confiar em mim ao longo do processo.
Aplique o mesmo princípio na redação
É claro que ter tempo para pesquisar e sugerir matérias de forma extensiva como eu fiz no MPIWG é um luxo raro para jornalistas, tendo em vista a pressão editorial e o ciclo noticioso que os persegue. Mesmo assim, acredito que todos os jornalistas podem incorporar algumas dessas ideias no seu trabalho diário.
Mesmo no meio de um processo intenso de entrevista, por exemplo, jornalistas podem garantir que os especialistas sejam informados sobre o que esperar do processo jornalístico. Os jornalistas podem até dissipar alguns dos medos e torná-los fontes mais sólidas. De modo semelhante, jornalistas podem se beneficiar ao não assumirem que sabem como as coisas funcionam.
Também há sempre mais espaço para conectar com ideias que não estão diretamente relacionadas a uma matéria na qual estamos trabalhando, mas que poderia ter um interesse mais amplo. Jornalistas devem perguntar a si mesmos se estão falando para as pessoas coisas com as quais elas se importam e buscando novas ideias ou se estão apenas concluindo tarefas.
Eu comecei essa experiência me sentindo como o pinguim no meme, uma forasteira deslocada. Mas no final, ela me lembrou que nossa curiosidade e disposição para entender algo a uma ligeira distância é exatamente a nossa força como jornalistas.
Elna Schütz é jornalista freelance sul-africana que trabalha local e internacionalmente para veículos como Economist e BBC. Seu foco é em uma gama ampla de tópicos, de negócios a ciência e saúde.
ELNA SCHÜTZ no IJNETAssessoria/ABJ/Caminho político
FOTO: Diane Serik via Unsplash.
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