Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Av. André Maggi nº 6, Centro Político Administrativo

Governo de Mato Grosso

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Grupo J&F avalia compra da CSN Cimentos em operação estimada em ao menos R$ 10 bilhões

O Grupo J&F Investimentos, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista e dono da multinacional JBS, analisa a aquisição do controle da CSN Cimentos, braço de cimento da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em um negócio estimado em ao menos R$ 10 bilhões, já incluindo dívidas. A informação foi apurada pelo jornal Estado de S. Paulo com pessoas próximas às negociações.
A eventual venda é descrita como peça central do plano de desinvestimentos anunciado no início de janeiro por Benjamin Steinbruch, controlador da CSN, com o objetivo de reduzir o elevado endividamento líquido do grupo, próximo de R$ 40 bilhões. A meta apresentada é arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, com a alienação do controle da cimenteira como pilar do programa para reduzir a alavancagem financeira.
Oferta recente e avaliação em fase preliminar
Segundo a apuração, a CSN Cimentos teria sido oferecida há menos de um mês à J&F, que demonstrou interesse. O processo estaria em estágio preliminar, conforme interlocutores citados pela reportagem, sem conclusão de termos e valores finais.
Procurada, a J&F afirmou que “não comenta”. A CSN, por sua vez, informou que “não vai se manifestar sobre o assunto”. Esses posicionamentos reforçam que, até aqui, as tratativas relatadas permanecem no terreno da avaliação e da estruturação financeira.
Como a operação poderia ser estruturada: NewCo e injeção de capital
De acordo com as informações disponíveis, a compra poderia ocorrer por meio de uma injeção de capital da J&F na cimenteira, após a separação do ativo do restante da CSN e a criação de uma “NewCo”. Nessa modelagem, a nova empresa carregaria também um pacote de dívidas do grupo CSN.
O efeito prático desse desenho, conforme descrito, seria a diluição significativa da participação de Steinbruch, que passaria à condição de acionista minoritário. A venda tem assessoria dos bancos Morgan Stanley e Santander.
Pressão da alavancagem e rebaixamentos de rating
A CSN enfrenta crescimento da alavancagem desde o início de 2024. No balanço mais recente citado, referente ao fim de setembro, a relação entre dívida líquida e Ebitda chegou a 3,14 vezes, indicador que teria acendido sinal de alerta e acelerado a decisão de montar um plano de desalavancagem baseado em desinvestimentos.
Além de vender participação na empresa ferroviária MRS no fim do ano, a CSN selecionou como potenciais alvos de alienação as áreas de cimento e de infraestrutura (com possibilidade de venda de até 30% nessa última). A cimenteira aparece como o ativo considerado mais “líquido” para uma operação de venda, desde que o controlador esteja disposto a abrir mão do comando.
No mesmo contexto, a companhia sofreu rebaixamentos de rating desde novembro por S&P Global, Fitch e Moody’s, que destacaram preocupações com alavancagem elevada, consumo de caixa e desempenho mais fraco nos segmentos de siderurgia e mineração.
O tamanho da CSN Cimentos e por que ela atrai compradores
Formada a partir de 2009, a CSN Cimentos tem capacidade de produção de 17 milhões de toneladas por ano, distribuída em 13 fábricas, sendo sete integradas e seis unidades de moagem. As plantas estão concentradas no Sudeste (nove), além de presença no Nordeste (três) e no Centro-Oeste (uma).
O parque industrial cresceu a partir de 2021, quando a empresa comprou a Cimento Elizabeth, na Paraíba, e, em 2022, a LafargeHolcim Brasil, com diversas unidades industriais. O desembolso informado nessas aquisições foi de R$ 6 bilhões.
Em 2024, a CSN Cimentos também tentou comprar os ativos de cimento da InterCement (grupo Mover) no Brasil e na Argentina, em operação próxima de R$ 10 bilhões incluindo dívidas, mas as negociações não avançaram, e a InterCement entrou com pedido de recuperação judicial.
No desempenho operacional, a divisão teria receita anual na casa de R$ 5 bilhões, com vendas de 14 milhões de toneladas de cimento, além de produtos como brita e calcário agrícola. A CSN afirma que o braço de cimento responde por 10,6% da receita total do grupo. O Ebitda anualizado até 30 de setembro foi indicado em R$ 1,3 bilhão.
Quanto vale o ativo e o que a CSN diz sobre o potencial de expansão
Especialistas ouvidos pela reportagem estimaram o valor bruto da CSN Cimentos, incluindo dívidas, por múltiplo de 8 vezes a geração de Ebitda, o que levaria a uma faixa entre R$ 10,4 bilhões e R$ 11,2 bilhões. A expectativa relatada é que Steinbruch busque um preço superior a essa referência.
Na apresentação de “plano estratégico” em 15 de janeiro, a CSN destacou atributos como liderança em produção integrada e custo competitivo, além de potencial de crescimento com projetos greenfield e expansões. Foram citadas três novas fábricas que somariam 12 milhões de toneladas, além de um projeto adicional de expansão de 1,4 milhão de toneladas em “estágio avançado”. Para duas novas unidades, a CSN já teria equipamentos adquiridos e armazenados há alguns anos.
J&F amplia diversificação e aproximação com Steinbruch
Caso avance, a compra representaria mais um movimento de diversificação da J&F, que, além da JBS, reúne ativos como Eldorado Celulose, Banco Original, PicPay, Âmbar Energia e Flora, entre outros investimentos.
A relação entre Steinbruch e os Batista teria se estreitado no ano passado, quando a CSN, sob pressão judicial e do Cade, precisou vender ações que detinha na Usiminas. Steinbruch vendeu 4,99% do capital social da siderúrgica para um fundo ligado à família Batista por cerca de R$ 263 milhões, em operação realizada com a Globe Investimentos S.A., veículo de investimentos da família presidido por Aguinaldo Gomes Ramos Filho, sobrinho de Joesley e Wesley Batista e presidente da J&F.
Nos últimos anos, os Batista também avançaram em mineração, fertilizantes, petróleo e gás e energia. Em 2022, compraram ativos de minério de ferro e manganês da Vale em Corumbá (MS) por US$ 1,2 bilhão, operação que resultou na criação da LHG Mining. A LHG produziria cerca de 9 milhões de toneladas por ano e tem plano de elevar esse volume até 2030, exportando para o mercado asiático via rio Paraguai, com transbordo em navios em porto no Uruguai. Em agosto passado, o grupo anunciou entrada em fertilizantes com a aquisição da mina de potássio Taquari-Vassouras, em Sergipe, por US$ 27 milhões, além de iniciativas em biodiesel e em energia por meio da Âmbar, com investimentos em geração, comercialização, gás natural e energia nuclear, incluindo compra de participação na Eletronuclear por R$ 535 milhões.
Próximos passos: venda-chave para a CSN e aposta estratégica para a J&F
A possível alienação do controle da CSN Cimentos aparece, portanto, como a principal alavanca do plano de desalavancagem do grupo CSN, em um momento em que a companhia busca reduzir pressão sobre caixa e indicadores financeiros. Para a J&F, o ativo poderia se encaixar em uma estratégia de ampliar presença industrial e ganhar escala em um setor onde a CSN Cimentos já ocupa 21% do mercado brasileiro e figura como vice-líder de vendas, atrás da Votorantim Cimentos.
Enquanto as partes mantêm reserva pública sobre o assunto, o mercado acompanha a evolução das conversas, a definição do modelo de “NewCo” e o tamanho do pacote de dívidas que poderia acompanhar o ativo, pontos que tendem a determinar preço, governança e viabilidade final da operação.
Redação Brasil 247/Caminho Político
📢 Jornalismo profissional e de qualidade. Acompanhe as últimas notícias de Cuiabá, de Mato Grosso, de Brasil e do Mundo.
📲 📰 💻Siga o Caminho Político nas redes sociais 💻
🌐www.caminhopolitico.com.br
🌐www.debatepolitico.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário