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segunda-feira, 23 de março de 2026

Argentina volta a crescer, mas recuperação ainda é desigual e cercada de desafios

A economia argentina registrou crescimento de 4,4% em 2025, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O resultado marca uma inflexão relevante após a retração de 1,3% em 2024 e representa o primeiro avanço do Produto Interno Bruto sob o governo de Javier Milei, que assumiu a Presidência no fim de 2023.
O número, por si só, sinaliza recuperação. Mas a leitura mais ampla mostra um cenário mais complexo.
O crescimento foi impulsionado principalmente por fatores pontuais e concentrados. O consumo privado avançou 7,9%, as exportações cresceram 7,6% e os investimentos — medidos pela formação bruta de capital fixo — tiveram alta expressiva de 16,4%. Setores como intermediação financeira, mineração e serviços ligados ao turismo puxaram a atividade.
Ao mesmo tempo, áreas como pesca e serviços domésticos registraram retração, evidenciando que a recuperação não é homogênea.
Mais do que isso, há um ponto central na análise: o consumo interno ainda não reagiu de forma consistente.
Apesar da alta no PIB, especialistas apontam que os argentinos continuam consumindo menos do que antes da crise recente. A renda segue pressionada e o impacto das políticas de ajuste implementadas pelo governo ainda pesa no cotidiano da população.
O chamado “Plano Motosserra”, principal marca da gestão Milei, promoveu cortes profundos de gastos públicos, suspensão de obras federais e redução de repasses a estados. Além disso, a retirada de subsídios em áreas como energia, transporte e serviços básicos provocou aumento significativo de preços.
O efeito imediato foi uma contração econômica em 2024, seguida agora por uma recuperação parcial.
Outro eixo central da política econômica tem sido o combate à inflação. Após atingir níveis extremamente elevados — 211,4% em 2023 e 117,8% em 2024 —, o índice recuou para 31,5% em 2025. A queda é relevante, mas ainda insuficiente para caracterizar estabilidade plena.
Esse contexto ajuda a explicar o caráter ambíguo do atual momento econômico argentino.
De um lado, há sinais claros de retomada, com crescimento do PIB e expansão de setores estratégicos. De outro, persistem fragilidades estruturais, como a concentração da atividade em poucos segmentos e a dificuldade de recuperação do consumo das famílias.
Além disso, o crescimento recente também reflete uma base de comparação deprimida, após a forte queda da atividade no ano anterior.
Os dados mais recentes mostram que, no último trimestre de 2025, a economia avançou 0,6% em relação ao trimestre anterior e 2,1% na comparação anual — números que indicam uma recuperação gradual, ainda distante de um ciclo robusto de expansão.
No plano político e econômico, o governo Milei aposta na continuidade das reformas como caminho para consolidar a estabilidade. A estratégia passa por manter o ajuste fiscal, aprofundar a abertura econômica e tentar atrair investimentos.
O desafio, no entanto, será equilibrar essa agenda com a necessidade de recompor renda e consumo, elementos essenciais para sustentar o crescimento no médio prazo.
O que os números mostram até aqui é um país em transição.
A Argentina voltou a crescer, mas ainda busca estabilidade. E, como ocorre em processos de ajuste profundo, o resultado final dependerá menos do primeiro sinal positivo e mais da capacidade de transformar recuperação em trajetória consistente.
Felipe Vieira/Caminho Político
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