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segunda-feira, 30 de março de 2026

EXTREMISMO POLÍTICO: Ex-policial bolsonarista que matou tesoureiro do PT em 2022 vai para o regime domiciliar

Em uma decisão que reacende a dor de uma família e a indignação social, a Justiça autorizou o ex-policial penal Jorge Guaranho a deixar a cela para cumprir pena no conforto de sua residência, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato brutal do guarda municipal e tesoureiro do PT Marcelo Arruda, há quase quatro anos, Guaranho agora terá como limite apenas as paredes de casa e uma tornozeleira eletrônica.
O crime, que chocou o país em julho de 2022 pela carga de intolerância política, ocorreu quando o ex-policial invadiu a festa de 50 anos de Arruda. O motivo? O aniversariante celebrava a vida com uma decoração temática do PT e do atual presidente Lula. Sem nunca ter visto a vítima antes, Guaranho interrompeu a celebração e, minutos depois, retornou armado para executar o aniversariante diante de amigos e familiares.
As “limitações” que abriram as portas da prisão
A soltura, publicada em 17 de março, baseia-se em um pedido da defesa que clama por “humanidade”. Durante o tiroteio que provocou, Guaranho também foi baleado e, após cair, foi agredido por convidados da festa. O episódio deixou sequelas motoras e neurológicas que, segundo seus advogados, tornam o ambiente carcerário inadequado para ele.
O argumento aceito pela Justiça relata situações que a defesa classificou como incompatíveis com a dignidade humana: a ausência de uma cadeira adaptada no Complexo Médico Penal (CMP) obrigaria o condenado a banhar-se sentado sobre um balde. Além disso, quedas frequentes por tonturas foram citadas para justificar que o Estado não tem condições de tratar sua enfermidade.
“É razoável a extensão da prisão domiciliar (…), posto que o ambiente prisional não fornece adequadamente as condições para o tratamento”, diz o texto da decisão.
A dor de quem ficou: “Descrédito da Justiça”
Enquanto Guaranho retorna para Foz do Iguaçu, a família de Marcelo Arruda tenta reconstruir os pedaços de uma vida interrompida. Pamela Silva, viúva de Marcelo, recebeu a notícia da soltura enquanto levava o filho caçula, de apenas 3 anos, para uma sessão de tratamento psicológico, uma tentativa de amenizar o trauma da perda do pai, que na época do crime tinha apenas 40 dias de vida.
Os advogados da família Arruda, Alessandra Raffaelli Boito e Rogério Oscar Botelho, prometeram medidas para garantir a “efetividade da decisão soberana do Tribunal do Júri”. Em nota, pontuaram que, embora o direito à saúde seja garantido a qualquer preso, o benefício a um assassino condenado por crime doloso gera um perigoso sentimento de impunidade.
O rastro de sangue da intolerância
Jorge Guaranho foi condenado em fevereiro de 2025, após um julgamento adiado por três vezes e transferido para Curitiba para garantir a imparcialidade. No banco dos réus, ele tentou alegar que não foi ao local para matar, apesar de ter retornado armado à festa após uma discussão inicial.
Agora, pouco mais de um mês após a sentença definitiva de 20 anos em regime fechado, o ex-policial penal volta ao convívio domiciliar. Para a sociedade e para as vítimas da violência política, fica o gosto amargo de ver a “humanidade” ser aplicada com rigor a quem, naquela noite de julho, não demonstrou nenhuma ao puxar o gatilho por causa de uma cor de bandeira de partido político.
Assessoria/Henrique Rodrigues/Revista Forum/Caminho Político
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