Advogados queriam tirar investigação sobre emendas parlamentares de Flávio Dino, reportaram G1 e Folha de S. Paulo. PF apura se candidato participou de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e mais crimes. A defesa do senador Flávio Bolsonaro, que é candidato à Presidência, solicitou pelo menos quatro vezes que a investigação do caso "Dark Horse" ficasse sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, e não de Flávio Dino, no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o jornal Folha de São Paulo e o portal G1.
Conforme reportaram os dois veículos brasileiros, os advogados teriam alegado que, como Mendonça já estava à frente de outras duas investigações relativas ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, ele deveria também liderar as apurações sobre o suposto uso de emendas parlamentares no financiamento da obra.
Os pedidos foram endereçados em julho ao próprio Dino e, também, a Edson Fachin, presidente do STF.
A Polícia Federal (PF) suspeita que uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados teria direcionado os recursos públicos, primeiro, para uma entidade da sociedade civil e, depois, para empresas subcontratadas irregularmente. Não haveria comprovação de que os serviços delas foram efetivamente prestados.
Na quinta-feira (10/09), a corporação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão, mirando 29 pessoas que teriam participado do esquema. A operação foi autorizada por Dino, com a Controladoria Geral da União (CGU) atuando como parceira.
Entre os alvos da PF, estiveram Mario Frias (PL), deputado federal e ex-secretário da Cultura sob Bolsonaro, produtor-executivo e roteirista do filme, e Karina Gomes, uma das produtoras do de Dark Horse. Segundo a PF, Frias é suspeito de ser o "agente central" do esquema.
Caso Master
A cinebiografia teve como principal investidor o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e protagonista de um dos maiores escândalos financeiro da história do país. Ele está atualmente em prisão preventiva.
As relações de Vorcaro e Flávio foram divulgadas num inquérito que corre no STF, sob a relatoria de Mendonça, indicado ao cargo por Bolsonaro durante o seu mandato presidencial.
Nesse inquérito, mensagens mostraram Flávio pedindo dinheiro para Vorcaro para finalizar o filme. A suspeita é que os valores repassados pelo banqueiro para a produção tenham ultrapassado, até agora, os R$ 60 milhões de reais.
Veio também à tona na sexta-feira que Flávio é investigado pela PF, depois que Mendonça determinou a retirada do sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, a pedido de Fachin. A corporação apura indícios de que o senador possa ter participado em lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outras eventuais infrações.
Guerra no STF
No STF, Mendonça trava uma guerra contra o colega Alexandre de Moraes, que o acusa de "quebra de imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".
Na semana passada, Mendonça divulgou um relatório da PF que reúne inúmeras mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. Na conversa, o banqueiro pede ao ministro informações sobre as investigações policiais contra ele e solicita orientação sobre se deveria sair do Brasil, poucos dias antes de ser detido.
De acordo com Moraes, Mendonça agiu por "motivos políticos e pessoais" ao direcionar o inquérito que investiga as relações de Vorcaro para alvos como o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AL).
Já Flávio Bolsonaro acusou Dino de "interferir politicamente" nas eleições por meio da operação da Polícia Federal.
ht/fcl (ots)Caminho Político
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