O deputado estadual Márcio
Pandolfi (PDT) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, nesta
quinta-feira (11) para lamentar os atrasos e cancelamentos de obras Copa do
Mundo de Futebol de 2014. Isto, a exemplo do que fez o senador Pedro Taques
(PDT), esta semana na tribuna do Senado Federal.
Pandolfi se disse motivado pelo discurso
do companheiro de partido, que expôs um quadro lamentável. A preocupação, falou
o deputado, aumentou ainda mais depois que o Governo anunciou, nesta
terça-feira (9), a contratação de duas novas empreiteiras para retomar as obras
paralisadas de três trincheiras, num valor adicional de 10%.
“O alerta do companheiro Pedro
Taques foi pertinente. A escolha de Cuiabá como cidade-sede trouxe orgulho a
todos nós. Contudo, agora enfrentamos uma nova e triste realidade: obras
canceladas, atrasadas e com valores superiores do previsto”.
O deputado disse que entre as
obras atrasadas a mais preocupante é a da Arena Pantanal. “Tenho certeza que
essa obra ficará pronta, pois sem Arena não há Copa. Mas a que custo”,
perguntou Pandolfi.
O custo inicial da Arena Pantanal
foi estimado em R$ 342 milhões e a previsão de entrega era dezembro do ano
passado. Contudo, atualmente, o valor da obra já saltou para R$ 519 milhões e a
previsão de entrega é outubro deste ano. “Essa diferença de valores [do lançamento
da obra até agora] corresponde a um aumento em 52%. Ou seja, são R$ 177 milhões
a mais do previsto inicialmente”, disse.
O valor excedente, avalia
Pandolfi, destoa da realidade do Governo do Estado que deve mais de R$ 40
milhões aos municípios em repasses da Saúde; e este ano, ainda tenta reduzir o
valor desses repasses em 50% legando falta de orçamento. “Contudo, R$ 117
milhões estão sendo gastos a mais apenas no estádio. E se falta concluir 40%
dessa obra da Arena, quanto será que vem a mais em aditivo por aí”, indagou.
O deputado também listou as obras
canceladas como o teleférico em Chapada dos Guimarães. Além de não implantar o
teleférico, o Governo gastou R$ 600 milhões no projeto básico. “Esse valor
jamais será ressarcido aos cofres públicos”, alertou Pandolfi.
Outra “promessa” não cumprida é a
revitalização do bairro do Porto, em Cuiabá. Cancelaram o projeto da construção
de um Centro Turístico com planetário; um aquário gigante; e shopping popular.
Mas o ato mais grave, considera o
deputado, foi o cancelamento das obras civis, que atingiu os projetos do Centro
de Comando e Controle; do complexo da Politec; de delegacias; de batalhões da
Polícia Militar e dos Bombeiros; e uma base comunitária.
Para o deputado, a gestão dos
recursos públicos merece mais atenção. “Para o povo mato-grossense, em especial
os cuiabanos, a frustração é grande. Pois a Copa promete deixar apenas uma
Arena e poucos viadutos”.
LEIA O DISCURSO NA ÍNTEGRA:
Cuiabá, 11 de abril de 2013
Discurso Obras da Copa do Mundo de Futebol 2014 em Cuiabá
Senhor presidente,
Senhores deputados e
senhora deputada,
Senhoras e Senhores
que nos acompanham,
Motivado pelo discurso e o alerta pertinente do companheiro
do meu partido, o senador Pedro Taques que usou a tribuna do Senado Federal
para falar sobre as obras da COPA de 2014 em Cuiabá faço algumas
considerações:
Em maio de 2009, Cuiabá foi escolhida uma das 12
cidades-sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. A escolha trouxe orgulho a
todos nós. O mato-grossense vibrou; comemorou com a possibilidade de o evento
deixar um legado, sobretudo a Cuiabá.
Contudo, agora enfrentamos uma nova e triste realidade:
obras canceladas, atrasadas e com valores superiores ao previsto.
Vou citar alguns exemplos de OBRAS CANCELADAS
1) Começamos por Chapada dos Guimarães. A esta bela cidade
turística, em 2009, foi feita a promessa de implantação de um teleférico ao
custo previsto de R$ 6 milhões. Três anos depois, assistimos o cancelamento da
obra. Porém, constata-se que o Governo Estadual já pagou algo em torno de R$
600 a uma empresa para a elaboração do projeto básico. Esse valor jamais será
ressarcido aos Cofres Públicos.
2) Outra “promessa” não cumprida é a revitalização do bairro
do Porto, em Cuiabá. Cancelaram o projeto da construção de um Centro Turístico
com planetário; um aquário gigante; e shopping popular.
3) E no início 2013, fomos tristemente surpreendidos com a
notícia de que todas as obras civis previstas para o setor dentro da
plataforma de projetos da Copa-- foram suspensas e retiradas da lista de
preparativos;
Trata-se do corte em um dos mais importantes legados da
competição. Pois atingiu os projetos do Centro de Comando e Controle; do
complexo da Politec; de delegacias; de batalhões da Polícia Militar e dos
Bombeiros; e uma base comunitária.
Somente o projeto do Complexo da Politec previa cerca de 10
mil metros quadrados de área construída, incluindo a Coordenadoria de Medicina
Legal, laboratórios forense e de DNA, e um centro de convenções. No Complexo de
Segurança do bairro Jardim Cuiabá, aqui em Cuiabá, estavam previstas as sedes das
delegacias de Apoio ao Turista e de Combate à pirataria, além do 10º Batalhão
da PM. A obra também foi descartada.
No próprio site do Governo do Estado, as obras previstas
para os setores da Segurança Pública, Saúde e Turismo já não constam mais.
Agora vou citar as
OBRAS QUE ESTÃO ATRASADAS
E o quadro é preocupante.
O último balanço do Tribunal de Contas do Estado aponta que,
faltando apenas 15 meses para a Copa do Mundo de 2014, 10 obras previstas na
Matriz de Responsabilidade do evento sequer tiveram início. Quase 90% das obras
estão atrasadas.
Entre estas obras que
não iniciaram estão:
1) A construção dos centros oficiais de treinamento na
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e no bairro CPA;
2) O Fan Park, previsto para ser viabilizado no Parque de
Exposições Senador Jonas Pinheiro, no bairro Dom Aquino;
3) E entre as obras atrasadas está a principal: Arena
Pantanal.
A Arena Pantanal
merece outro destaque: Estimada inicialmente em R$ 342 milhões e com
previsão de ficar pronta em dezembro do ano passado, o custo da obra saltou
para R$ 519 milhões e a previsão de término em outubro deste ano. Essa
diferença de valores do lançamento da obra até agora corresponde a um
aumento em 52%. Ou seja, são R$ 177 milhões a mais do previsto inicialmente.
Ao passo que o Governo do Estado deve mais de R$ 40 milhões
aos municípios em repasses da Saúde. E este ano, tenta reduzir o valor desses
repasses em 50%. Mas R$ 117 milhões estão sendo gastos a mais no estádio.
E lembrem-se: ainda falta concluir 40% dessa obra da Arena.
Quanto será que vem a mais em aditivo por aí?
E por falar em gestão de recursos públicos, hoje, uma
notícia estampou as páginas dos três principais Jornais da Capital: O Jornal A
Gazeta; o Jornal Folha do Estado; e o Jornal Diário de Cuiabá expuseram mais
uma fatura que o contribuinte terá que pagar:
Conforme as matérias, a três trincheiras que estavam paradas a cerca de um mês tiveram suas obras recontratadas com duas novas
empreiteiras e, para a tristeza do contribuinte mato-grossense, o valor ficou
10% mais cara. Isso representa R$ 3,84 milhões a mais ao erário.
Para o povo mato-grossense, em especial os cuiabanos, a
frustração é grande. Pois a Copa promete deixar apenas uma Arena e poucos
viadutos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário