Aos professores, irmãos meus de ofício, meu respeito e
admiração. Lutemos por nossos direitos, por melhores condições de trabalho
Hoje é um dia como outro qualquer e, como qualquer dia,
poderíamos ou deveríamos fazer uma homenagem aos construtores de amanhãs. Os
professores professam, por definição, a crença nas possibilidades que se abrem
quando emoção e razão dialogam em um aprendizado que nos faz viver melhor.
É esta a finalidade última da educação: uma vida melhor.
Individual e coletivamente. Aprendemos para sermos melhores, aprendemos para
convivermos bem em sociedade, aprendemos para nos prepararmos para o mercado de
trabalho podendo escolher uma profissão, sabendo trabalhar em equipe, sabendo
ouvir e falar, respeitar.
Quem escolheu ser professor sabia que não seria simples
conviver com alunos tão diferentes que carregam mundos diferentes de problemas
e possibilidades. A função primeira de educar é dos pais. O dizer “não”, e o
dizer “sim”, os limites, o amor, os exemplos, as correções. A casa é o primeiro
espaço privilegiado de aprendizagem.
Famílias, entretanto, vêm falhando nessa obrigação. Isso
dificulta ainda mais o trabalho das escolas. Se uma criança cresce em um lar
violento ou desonesto ou preconceituoso conseguirá a escola ensinar o correto?
Talvez sim. Mas será mais difícil.
Há uma extensa legislação brasileira a valorizar os
professores. A última delas é o Plano Nacional de Educação (PNE). Um plano que
traz esperanças a um país que ainda tem um enorme caminho a percorrer para que
se tenha educação de qualidade para todos.
O PNE é uma esperança aos que se cansaram de ver bons
projetos educacionais sendo interrompidos por maus governantes. O Brasil já
teve excelentes propostas pedagógicas. A maioria delas foi abandonada antes que
pudesse produzir os resultados esperados. E ainda há quem culpe os professores!
Culpados são os que não compreendem que a educação é um processo e que uma
proposta educacional precisa ir além de bandeiras partidárias.
Dizer que nada melhorou seria incorreto. A consciência da
importância da educação infantil, a universalização do ensino fundamental, a
ampliação do acesso ao ensino universitário, a participação de numerosos atores
da sociedade civil, tudo isso vem contribuindo para a melhoria da educação.
Hoje temos uma política de avaliação que sozinha não resolve
os nossos problemas, mas que se apresenta como um diagnóstico fundamental para
que saibamos se os recursos assegurados para a educação estão sendo aplicados
corretamente. Quem aprende e quem não aprende? E por quê?
Esperar fórmulas mágicas ou resultados imediatos é
ingenuidade ou oportunismo. Educação é construção coletiva, diária, necessária.
E os professores são os construtores por excelência. São os professores que,
todos os dias, nas salas de aula realizam o fazer certeiro de ajudar alguém a
ser um pouco melhor a cada dia. São os professores que se emocionam com as
conquistas diárias dos seus alunos.
Professores precisam de formação científica sólida, mas
precisam também de atitude acolhedora. Gostar do que faz e dos alunos.
Compreender a natureza e a importância do próprio ofício. Tudo isso faz da
profissão professor o alicerce do amanhã que sonhamos construir.
Aos professores, irmãos meus de ofício, o meu respeito e a
minha admiração. Ousemos lutar pelos nossos direitos, por melhores condições de
trabalho. Ousemos brigar a boa briga em defesa da educação, mas sem nos
fazermos vítimas. Isso não.
A vitimização do magistério não contribui para a sua
valorização. É com competência que precisamos prosseguir. As outras profissões
nascem das nossas. Feliz escolha, educar. Parabéns, professores!
Gabriel Chalita Professor, é secretário municipal da Educação
de São Paulo e presidente da Academia Paulista de Letras

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