“USA Today”: “Turismo grego não é afetado pela crise
financeira”. CNN: “A crise econômica da Espanha está em seu sexto ano
consecutivo, e o turismo é um dos poucos pontos brilhantes em um horizonte
sombrio.” “Financial Times”: “Portugal, o herói surpresa da Zona do Euro com
exportações vigorosas e turismo próspero.”
Os trechos de reportagens de alguns dos meios de comunicação
mais prestigiados do mundo revelam a importância econômica do mercado de
viagens. No Brasil, ainda temos de evoluir a nossa percepção sobre esse setor
que responde por 9,6% do PIB nacional, gera mais de três milhões de empregos e
causa impacto em 52 atividades econômicas.
Em um momento desafiador da economia, fazse necessário
promover a reflexão sobre os gargalos, o potencial e os desafios para aumentar
a competitividade do setor de viagens no Brasil. Atualmente, 62 milhões de
brasileiros consomem turismo no país. Estudos mostram que outras 70 milhões de
pessoas poderiam ser inseridas nesse mercado.
Quando olhamos para o cenário global, as perspectivas são
ainda mais animadoras. De acordo com a Organização Mundial de Turismo, mais de
1 bilhão de pessoas circulam pelo planeta. O Brasil registrou 6,4 milhões de
chegadas internacionais em 2014. Um recorde e um salto de 10,6% em relação a
2013, mas um número ainda tímido quando levamos em consideração os dados
globais. Não conseguimos atrair nem 1% da população que viaja pelo mundo.
Num país de dimensões continentais como o Brasil, há
condições reais de conquistar diferentes públicos com uma oferta diversificada.
Alguns itens, no entanto, permeiam os mais distintos segmentos do turismo.
Segurança e preço, por exemplo, são itens que pesam na escolha de qualquer
destino, seja ele de ecoturismo, sol e praia ou cultural.
Pesquisa recente divulgada no GLOBO revela que estes são
dois quesitos em que o Rio de Janeiro precisa avançar. São inegáveis os
esforços realizados recentemente pelos governos do estado e da capital
fluminense no combate à criminalidade. Mas é preciso mais, e o governo federal
está disposto a dar a sua contribuição. Na Copa do Mundo, demos uma amostra de
como é possível integrar as forças de segurança para garantir tranquilidade aos
moradores e visitantes. Como resultado, estudo realizado pelo Ministério do Turismo
com a Fundação Getúlio Vargas revelou que 92,9% dos estrangeiros que estiveram
na cidade do Rio aprovaram a segurança pública.
Nas Olimpíadas, tenho certeza de que não será diferente. Já
estamos nos preparando para organizar os Jogos: um grupo do governo federal,
orientado pela presidente Dilma Rousseff, está rodando o Brasil para preparar o
tour da tocha. Itens como organização e segurança são as pautas prioritárias
das reuniões. Reunimos em Brasília ministros, governadores, prefeitos,
secretários estaduais e municipais para envolvê- los no planejamento e
sensibilizá- los sobre a importância das Olimpíadas para o país.
Para além das questões pontuais, é preciso elevar a
discussão para um nível estratégico. Entender a transversalidade do turismo e
inserir o setor na agenda econômica prioritária. Em momentos de crise, temos de
buscar soluções novas para retomarmos o crescimento. O mercado de viagens, como
registra a mídia mundial, pode ser a tábua de salvação para economias que
passam por momentos difíceis. É preciso promover uma reflexão profunda e um
debate amplo para elevarmos o patamar de importância do turismo no Brasil.
Henrique Eduardo Alves Ministro do Turismo

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