“A partir de uma ampla consulta a toda a advocacia do Estado, a Ordem produziu um documento passando uma radiografia sobre o funcionamento do Judiciário. A partir desse documento, com a entrega oficial ao CNJ, tenho certeza de que a equipe de inspeção poderá fazer um diagnóstico e traçar metas para o Judiciário de Mato Grosso visando atender o principal cliente, o cidadão – o jurisdicionado”, esclareceu o presidente da OAB-MT, Leonardo Campos.
“Vemos cerceamento de direito em todos os sentidos. Imagino que quando se criou a ideia do PJe acreditava-se que todas as comarcas do país teriam internet excelente, mas a realidade está longe de ser essa”, apontou o presidente da Comissão de Direito Eletrônico (Codel) da OAB-MT, Gonçalo Adão, mesmo reconhecendo os avanços que o sistema já atingiu desde quando foi criado.
Dentre os demais problemas afeitos ao PJe, ainda se localizam a falta de servidores qualificados para a operação, a falta de suporte técnico durante os plantões para os usuários, a unificação do sistema, como estabelecido pelo CNJ, e sua implantação em todas as comarcas.
A insuficiência de magistrados e servidores, principalmente no interior, também foi outro ponto demonstrado no documento, para o qual a advocacia apenas vê solução a partir da realização de concurso público com número amplo de vagas, inclusive com a criação de cadastro de reserva. A capacidade de gestão das varas ainda entrou na pauta no momento, endossada com a experiência vivenciada pelos inspetores em outros estados. “Essa é a vigésima inspeção que fazemos no país e um dos maiores problemas é esse, a falta de capacidade do juiz e do servidor de gerir a vara. Isso precisa melhorar”, acrescentou Humberto Pradera.
Mais servidores analistas e técnicos, com a cobrança da nomeação dos aprovados no último concurso, figurou na lista de problemas, assim como sua capacitação continuada para a melhoria do atendimento e a otimização do trabalho.
Custas processuais com alto valores, conforme a OAB-MT; morosidade na prestação jurisdicional, sobretudo nas varas especializadas da Fazenda Pública; número insuficiente de varas no interior, sem estrutura física adequada nos fóruns; necessidade de descentralização da Vara de Conflito Agrário no interior; negativa da realização de audiências de custódia e de responsabilização pela transferência de custodiados por juízes criminais também fazem parte do rol de questionamentos da advocacia.
“O estado democrático de direito só é garantido quando há a eficácia e a decisão judicial. Se o juiz se exime da autoridade sobre o paradeiro do custodiado, o poder sobre ele fica suscetível aos corruptos que estão dentro do Sistema Prisional. Isso é uma bomba prestes a explodir e para toda sociedade, pois não se pode dissociar sistema carcerário de segurança pública. Por isso, peço a intervenção de vocês para que os juízes das varas de execuções não mais abram mão da tutela sobre os custodiados. Ele é o responsável pelo paradeiro do preso”, clamou o presidente da Comissão de Direito Carcerário da OAB-MT, Waldir Caldas.
Por fim, o desembargador Mário Ferraz agradeceu a contribuição da OAB-MT para o trabalho da inspeção. “O objetivo do CNJ é justamente esse, obter uma radiografia da Justiça Estadual, como está sendo feito em todo o país. É muita oportuna essa intervenção da advocacia de Mato Grosso, até porque o espaço de tempo da inspeção é curto. A advocacia é uma parceira da Justiça, sem ela a Justiça não se efetiva, e sua visão contribui muito para termos essa fotografia da Justiça Estadual”, comentou, informando que todos os pleitos serão analisados e encaminhados aos órgãos afins – Corregedoria, Presidência do CNJ e o Tribunal de Justiça do Estado.
Ainda participaram da reunião o diretor-tesoureiro da OAB-MT, Helmut Daltro, o presidente da Caixa de Assistência dos Advogados, Ítallo Leite, o vice-presidente do Tribunal de Defesa de Prerrogativas, Maurício Magalhães, e o vice-presidente da Codel, Thales do Valle Barbosa Anjos.
Fotos: Fablício Rodrigues
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