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terça-feira, 29 de maio de 2018

"Entre apoiar, ser atropelado ou ficar no acostamento"

Foram várias as perguntas feitas pelo campo da esquerda durante a paralisação dos caminhoneiros, que ocorrem por todo o país. E nós ainda não paramos de nos questionar. É greve? É locaute? É um movimento de trabalhadores ou de patrões? Por que pedem intervenção militar? Tradicionalmente a direita tenta sequestrar qualquer mobilização nas ruas, e faz isso com muita facilidade, ainda mais quando tais manifestações são compostas por categorias com baixíssima ou nenhuma consciência de classe, como é o caso da categoria dos caminhoneiros. Como já disse anteriormente, entendo que os caminhoneiros não se vêm como trabalhadores, eles se enxergam como pequenos proprietários, e dentro dessa dinâmica jaz praticamente nula qualquer consciência de coletivo, qualquer senso de pertencimento ou seja, resta apenas o “somos nós mesmos por nós mesmos”.
Isso explica a enorme rejeição que a categoria apresenta pelo campo progressista, refratária a qualquer tipo de aproximação ou diálogo com representantes de centrais sindicais, sindicatos e partidos políticos, por exemplo.
Baixa escolaridade, pouquíssima leitura, embrutecimento causado pela profissão extremamente desgastante, violência do trânsito, criminalidade — o roubo de carga é uma modalidade de crime cujos número impressionam, exposição a programas de viés fascista e policialescos na TV fazem do caminhoneiro a perfeita vítima em potencial para servir de massa de manobra, pau para toda obra e sorte de manipulações golpistas.
Alguns dos componentes descritos acima ajudam a compreender um pouco o porque de em 2015 os caminhoneiros terem usado sua força para minar o já fragilizado governo Dilma, mesmo contando à época com juros baixos para aquisição de caminhões, custo do diesel relativamente também baixo e condições de vida absolutamente melhores do que as que se apresentam agora durante este governo golpista e ilegítimo.
Ainda levando-se em conta tais componentes, não causa estranheza o fato da mobilização da categoria ter sido cooptada pelos donos de transportadoras, assim como também não causa estranheza a constatação de que em sua grande maioria os caminhoneiros pedem uma saída autoritária, através de uma intervenção militar armada, uma saída de força para resolver um problema que deve ser resolvido politicamente.
Aculturado, despolitizado e embrutecido durante tantos anos, o caminhoneiro só consegue enxergar na violência o atalho possível para a resolução imediata de seus problemas.
Não cabe à esquerda uma revanche, motivada pela lembrança da categoria ter concorrido para o sucesso do golpe contra Dilma, assim como também não cabe apoiá-los enquanto movimento relevando tal fato e o mais grave, relevando a declaração de voto que a categoria declara no candidato fascista, relevando sua negação da política, relevado também a rejeição pelo diálogo com nossas ferramentas de lutas, a saber, centrais sindicais, sindicatos, partidos políticos e movimentos sociais.
À esquerda caberá sempre carregar a bandeira da solidariedade, mas até mesmo a solidariedade demanda responsabilidade em sua expressão política.
Restam sem respostas as perguntas: como construir um diálogo razoável, dentro de um panorama de tão grande dicotomia, acirramento de ânimos e clima de caos, fruto da política de terra arrasada praticada por um governo ilegítimo e golpista?
Como propor diálogo, traçar um caminho que nos permita aproximação e apoio à manifestação dos caminhoneiros, sem que com isso percamos nossa própria identidade e tenhamos sequestradas nossas pautas históricas?
Quem conseguir tais respostas terá a chave para decidir-se entre apoiar o movimento dos caminhoneiros, ser atropelado por ele ou apenas observar, no acostamento da estrada da História.
Diógenes Júnior é assessor sindical, acadêmico em História, ativista político, pelos Direitos Humanos, pai do Fidel.

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