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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

"Em pleno século 21, ruralista que apoia Bolsonaro defende fim da lei do trabalho escravo"

Luiz Antônio Nabhan Garcia, cotado para ser ministro de Jair Bolsonaro, defendeu nesta quarta-feira (24), a flexibilização da lei do trabalho escravo em entravista ao jornal Valor Econômico. "Se algum produtor aqui eventualmente comete uma arbitrariedade na questão trabalhista, ele não pode ser transformado em um escravagista", disse. Presidente da União Democrática Ruralista (UDR), ele afirmou ainda que "uma simples irregularidade trabalhista não pode ser transformada em trabalho escravo". Para Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB, o discurso do latifundiário mostra “claramente para quem Bolsonaro governaria se ganhasse a eleição. Para os muito ricos”.
De acordo com ela, “as propostas de um eventual governo Bolsonaro levariam o Brasil ao fundo do poço, mais ainda do que o desgoverno Michel Temer está levando, porque além de tudo ele tem um discurso de ódio, discriminação e violência”.
Nabhan pergunta ao Valor "como é que quem está gerando emprego, produzindo, trabalhando, pagando imposto pode ser considerado escravagista? O que tivemos aí nos governos anteriores, em especial do PT, são instituições que foram transformadas em órgãos de perseguição ideológica. Isso não pode existir". Ele mesmo responde afirmando que "essa analogia ao trabalho escravo tem que ser muito mais aprofundada. Não pode simplesmente por uma irregularidade, uma irregularidade".
Para Vânia, a retórica do representante dos ruralistas denuncia o que “será a vida no campo numa eventual vitória do candidato da extrema-direita”. Seria “um caos, um verdadeiro banho de sangue e o fim da agricultura familiar ainda mais focada na produção auto-sustentável com respeito ao meio ambiente. Seria o fim de tudo que temos produzido de bom para o país nestes anos”.
No último dia 8, citando a Emenda Constitucional 81, que determina que aquele que pratica trabalho escravo poderá ter a sua propriedade expropriada, Bolsonaro defendeu que o fazendeiro não devia perder o seu imóvel só porque impôs aos seus trabalhadores condições análogas à escravidão.
A vergonha do trabalho escravo no Brasil e no mundo
Recentemente, auditores fiscais acusaram Temer de ter congelado 70% do orçamento destinado à fiscalização do trabalho. "A gente tem o menor número de auditores fiscais do trabalho de todos os tempos, desde que a inspeção do trabalho foi instituída no Brasil. Nós tivemos um último grande concurso em 2010 que admitiu cerca de 400 auditores fiscais, depois, em 2014, admitimos mais 96. Mas, de lá para cá, a gente não teve", afirmou a auditora fiscal do trabalho Lívia dos Santos Ferreira, à Rede Brasil Atual.
“O que Bolsonaro defende é ainda pior”, acentua Vânia. Ela lembra a pesquisa feita pela Fundação Walk Free e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) que identificou a existência de 45,8 milhões de pessoas em situação análoga à escravidão no mundo, no ano passado. Já no Brasil, o número de pessoas submetidas à escravidão moderna passou de 155,3 mil em 2014 para 161,1 mil em 2017.
“O que nós precisamos é de um governo que trabalhe pela erradicação dessa desumanidade que é a exploração do trabalho escravo”, diz Vânia. “Não dá para tolerar o setor mais atrasado da elite brasileira no poder, estaremos retrocedendo séculos em nossa civilização. Trabalho escravo nunca mais”.
Marcos Aurélio Ruy
Foto: Sérgio Carvalho

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