O Grupo São Benedito é uma das maiores construtoras da região Centro-Oeste.

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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

"O mundo mudou, e o agronegócio está mudando, você já percebeu?

Tradicionalmente, nos mercados maduros e estruturados, quem manda é o cliente.. Isso pode até não acontecer quando estamos falando de monopólio, ou de um oligopólio organizado, mas quando existe concorrência, o mercado é soberano. E aquele player que não estiver alerta para atender ao desejo do seu cliente, certamente está condenado a dar errado. Nas últimas décadas, observamos várias mudanças na forma como as pessoas vivem, negociam e se relacionam. No Brasil, lá pelo ano de 1950, cerca de 64% da população vivia no meio rural, e a média mundial era de cerca de 70%. Neste período, a ligação das pessoas com o campo era muito forte. Atualmente, temos cerca de 87% das pessoas vivendo na cidades, e a média mundial é de cerca de 57% da população. Se você achou que já houve grande mudança, saiba que a previsão para 2050 é que esse número vá para 92% no Brasil e 68% no mundo. Com essas mudanças, os vínculos e a ligação com o campo será cada vez menor.
Essa falta de vínculo e ligação com o campo, está produzindo consumidores com um entendimento diferente sobre o campo e o agronegócio. Isto não está acontecendo apenas no Brasil, esse distanciamento do agro é global.
O agronegócio tem se desdobrado para alimentar a população mundial, e esses consumidores, cada vez mais exigentes, vivem nas cidades e estão a cada dia mais distantes das origens de seus antepassados, que viveram do campo. Eles estão mais interconectados, buscam um estilo de vida mais "saudável" e alegam ter uma preocupação enorme com o "meio ambiente".
Pesquisas de consultorias apontam que os brasileiros têm a saúde como terceira maior preocupação, atrás apenas da econômica e da violência. Dentro da saúde, um relevante item é a alimentação saudável.
Isso tem ecoado em todo o mundo, ou seja, os clientes do agronegócio estão gritando em alto e bom tom....
“Queremos produtos mais saudáveis, que respeitem o bem estar animal e que sejam produzidos com o menor impacto ambiental possível. Além disso, não topamos pagar nada a mais por estes produtos saudáveis e ambientalmente corretos."
Ficou difícil de “engolir” essa, né?
Os players do agronegócio podem ouvir isso e pensar: “Esse monte de “pó de arroz” de cidade, que não conhece nada da realidade do campo, e fica incomodando o "sistema”, pois temos visto isso como algo impossível.
"Nós sempre fizemos assim, e vamos continuar fazendo, já que não temos outra opção".
Pois bem, essa forma de pensar poderia estar correta até alguns anos atrás, quando mudar os modelos de produção estava longe de ser uma realidade.
Entretanto, podemos observar uma certa intensificação nas mudanças, e nos últimos anos elas estão chegando com força no agronegócio, e pela primeira vez na história da humanidade, e me parece que chegou um concorrente no setor.
Ele está nascendo aos poucos, em vários laboratórios do mundo, mas me parece que tem grande potencial de crescimento logo após o “desmame”. Esses empreendedores são conhecidos por acreditar que podem mudar o mundo, e já vimos que por vezes conseguem, vejamos alguns exemplos.
Em 1908, Ford começou a produção o Modelo T, que mudou a forma como se produzia carros no mundo. Mais acessível, mais confiável, mais durável e mais fácil de conservar. Seu custo inicial foi relativamente alto, cerca de US$ 850,00 mas, 16 anos depois já era vendido a US$ 290,00, e o impossível, virou realidade e mudou o mundo.
Em 1924 a GM, enquanto a Ford insistia na sua “carruagem sem cavalos” funcional, a GM tornou o carro mais divertido, mais excitante, mais confortável e mais elegante. As fábricas da GM produziam ampla variedade de modelos, com novas cores e estilos, sendo atualizados todos os anos. Com isso, em 1950 a GM já tinha cerca 50% do mercado, enquanto isso a Ford seguiu em queda, caiu de 50% em 1924, para 20% em 1950.
A Uber, que nasceu em 2009 e foi para o mercado em 2010, com intuito de alugar carros de luxo, hoje é a maior empresa de mobilidade do mundo, trazendo muitas oportunidades e prejuízos.
O Airbnb, que foi fundada em 2007, mudou a forma como as pessoas se hospedam, e fez pessoas normais abrirem suas casas como um pensão ou hotel, algo inimaginável até alguns anos atrás. Veja, ela é a maior rede de hospedagem do mundo, sem ter sequer um quarto próprio para oferecer.
A Netflix, participou de dois processos, mudou a forma de alugar filmes, e depois mudou a forma como se consome filmes e séries.
Poderia citar mais um monte de exemplos, mas acho que esses são suficientes para nos deixar alerta e atentos às mudanças que podemos perceber na proximidade de nossos negócios.
A única certeza que temos, é que haverá mudanças! O mercado muda dia após dia, sempre foi assim, porém agora, parece que o mundo acelerou esse processo.
Observando essa velocidade nas mudanças, todas as grandes empresas tem se posicionado melhor perante seus consumidores. A Coca Cola por exemplo, tem sentido que o consumo de seus produtos tem sido menor ano após ano, e está cada vez mais preocupada em atender seus clientes, buscando novas fórmulas, seja com baixo teor de açúcar ou com PETs retornáveis, dentre uma infinidade de outras campanhas, mostrando que é uma empresa que se preocupa com a opinião de seu cliente, e também com seus valores, além de suas necessidades imediatas.
Neste contexto, como os agricultores e pecuaristas têm estudado e ouvido os desejos e anseios de seus clientes?
Observamos que a relação dos produtores, não é direta com os consumidores, e normalmente há alguns intermediários no processamento e distribuição, tais como: as grandes agroindústrias, os frigoríficos, os laticínios, os processadores de grãos (moinhos) e o grande varejo.
Essas empresas que estão mais próximas do consumidor, estão sempre em busca daquilo que seu cliente quer, basta relembrar dos produtos orgânicos, GMO Free, carnes premium, e uma infinidade de outros produtos. Mas em todos os casos, sempre precisam estar alinhados com quem de fato produz, os agricultores e pecuaristas, para poder atender aos pedidos de seus clientes.
Você acredita que seria possível que parte dessas empresas poderiam atender seus clientes de uma forma diferente, com outro produto “similar” ao que é produzido hoje? Sim excluindo a turma do campo para fora das negociações de alimentos?
Qual sua opinião sobre isso? Isso está longe de acontecer?
Saiba que não!!
Vejamos um exemplo: a Burger King, está vendendo hambúrgueres feitos de proteína vegetal nos EUA e, segundo relatos, esses hambúrgueres já absorvem algo próximo de 50% dos pedidos… Consegue acreditar?
Entender o que o consumidor quer é o ponto de partida de tudo, é o primeiro passo para o sucesso. Entretanto, na maioria das oportunidades, fechamos nossa análise apenas naquilo que queremos, como por exemplo, aumentar os lucros: seja através da elevação da produtividade, seja reduzindo os custos ou buscando os melhores preços de venda. Esse pensamento não está errado, porém não podemos negligenciar os sinais de longo prazo, para nos posicionarmos estrategicamente. Pois, se não tiver quem queira comprar nossos produtos no futuro, na forma e preços que estamos produzindo, não teremos consumidor final ou seja, não teremos liquidez para nossa produção.
Até pouco tempo atrás, tudo isso parecia coisa de ficção científica, meio impossível, inclusive a FAO tem nos indicado que teremos grande participação na tarefa de alimentarmos o mundo, o que tem muita chance de acontecer e até o presente momento isso tem sido uma realidade, mas será que vai continuar assim para sempre?
Parece que isso está mudando e rápido. Observamos as famosas startups com seus produtos e serviços disruptivos, que já derrubaram muitos mercados como citei acima, estão com muito apetite no setor de alimentos, com todo o fôlego e preparadas com diferentes “ferramentas” como inteligência artificial, biotecnologia de ponta (que agora é vista com bons olhos, diferentes da transgenia), perceba que estão entrando no nosso negócio, querendo uma fatia do nosso queijo!
E aí, qual será nosso posicionamento? Qual estratégia vamos adotar?
Vamos berrar pra todo mundo ouvir, que nosso bife é melhor que o deles, que para comer o mundo depende de nós e que somos “os caras”; ou vamos aprender com nossos erros do passado, entender que o mercado mudou, que temos ainda muitas oportunidades, que entramos em um processo de reestruturação, e a base disso é o consumidor final.
Precisamos aprender a ouvi-lo com atenção, para definirmos os caminhos a seguir.
Pois tudo PODE acontecer… mas uma coisa eu tenho certeza, vamos passar por um processo de mudança!
E todo processo de mudança, exige estudo, dedicação e muita resiliência.
Você está preparado para as mudanças que certamente vão te tirar da zona de conforto?
Se a resposta for não, comece a se preparar, pois a próxima década, promete grandes emoções para o nosso Agro, tanto dentro como fora da porteira. Todos nós, que de alguma forma estamos envolvidos com o Agro, seja direta ou indiretamente, iremos sentir os impactos destas mudanças que estão chegando.
Não estou aqui fazendo uma apologia ao caos, tão pouco uma crítica ao setor, apenas trazendo uma reflexão e forma diferente de olhar, focada no longo prazo... vou repetir, no longo prazo.
Sob esta ótica, que exalta as ameaças e os riscos, que para muitos pode trazer repulsa e indignação, para outros (incluindo a mim), pode trazer alguns desafios e muitas oportunidades. Estas mudanças encaradas sem o tradicional esperneio e “mimimi”, mas com maturidade, sabedoria e estratégia, dá para agregar muito valor ao nosso pedaço do queijo.!!!
A decisão é sua!!!
Ângelo Ozelame

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