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domingo, 15 de março de 2020

"Coronavírus gera medo e tumultos em prisões na Itália"

Mulher gritando sendo contida por policiaisEpidemia tirou a liberdade de muitos italianos, mas também provocou caos nas penitenciárias. Unidades têm onda de motins após suspensão das visitas por precaução sanitária. Superlotação agrava situação de detentos. Presidiários em Salerno foram os primeiros a se amotinar. Os de Poggioreale, em Nápoles, seguiram o exemplo no domingo. Papéis foram incendiados e jogados pelas janelas, enquanto dezenas de presos conseguiram alcançar o telhado da instalação.
"Perdão! Perdão!", exigia um grupo de parentes reunidos em frente à unidade, alguns dos quais entraram em confronto com a polícia. "Com esse vírus por perto, por que pessoas doentes deveriam permanecer lá dentro?", gritou Areta Flora, de 42 anos. Ela protestava diante da penitenciária de Poggioreale desde sábado passado, pedindo que o marido fosse libertado.
A turbulência é resultado da suspensão, por 15 dias, de todos os encontros entre os detidos e suas famílias. A medida determinada pelo governo italiano é uma tentativa de impedir qualquer infecção por coronavírus dentro da prisão.O medo da covid-19 viajou mais rápido que a própria doença na província de Nápoles, onde apenas 140 pessoas tinham resultado positivo até sexta-feira (13/03) – em toda a Itália, os casos superaram 21 mil neste sábado.
Concentração de parentes de presos diante de prisão Poggioreale, em Nápoles, em foto noturnaFlora e outros parentes preocupados com as condições de saúde em Poggioreale exigem que presos com problemas de saúde condenados por acusações menores sejam liberados. "Há pessoas com câncer lá dentro, maridos com doenças cardíacas", diz ela. "Simplesmente queremos a liberação daqueles que estão doentes e tenham que cumprir só mais dez meses."
Quase 8.700 detidos na Itália têm menos de um ano até concluir suas sentenças, de acordo com a ONG Hands Off Cain.
A superlotação é um problema conhecido em Poggioreale, a maior prisão do país. Em 29 de fevereiro, a unidade registrava 2.094 presos. A capacidade do local é de 1.644. Algumas alas da penitenciária estão em péssimas condições, abaixo dos padrões estabelecidos para a limpeza, de acordo com a associação Antigone, que monitora as prisões do país.
"O nível de higiene em Poggioreale é zero", diz Pietro Ioia, ativista pelos direitos dos presos da cidade de Nápoles. Ele conta que há um vaso sanitário em uma das pequenas cozinhas a que os reclusos têm acesso; se algum deles quiser cozinhar alguma coisa, deve primeiro garantir que ninguém precise ir ao banheiro.
Ioia sabe do que está falando: ex-traficante de drogas, ele passou 22 anos na prisão – seis deles em Nápoles. Ele diz que cerca de 900 detidos participaram da revolta recente devido ao coronavírus. Arrancaram cabos elétricos e canos de água e depredaram quatro alas inteiras da prisão.
Homem atrás das grades Durante as negociações com as autoridades, os presidiários pediram o restabelecimento das visitas de suas famílias e a melhoria das condições gerais de saúde na prisão. "Eles temem a propagação do coronavírus e exigem, por isso, mais espaço físico. Mas isso é impossível por lá: você tem dez, 12 ou 14 pessoas em cada cela. Poggioreale é um barril de pólvora", diz Ioia.Também houve motins nas prisões de Alexandria, Foggia, Frosinone, Módena, Palermo, Pavia e Vercelli no domingo, informou o jornal Corriere della Sera. Isso foi apenas o começo. Na segunda-feira, houve 22 tumultos em outras penitenciárias, incluindo grandes instalações como Rebibbia, em Roma, e San Vittore, em Milão. Pelo menos 6 mil presos se revoltaram em todo o país. Doze detentos perderam a vida. "A primeira análise ligou a maioria dessas mortes a overdose de drogas" por medicamentos roubados de enfermarias, disse o ministro italiano da Justiça, Alfonso Bonafede, em audiência pública no Senado na quarta-feira.
Precauções necessárias
As prisões italianas agora abrigam 61.230 reclusos no espaço para 50.951 pessoas. Com essa superlotação, as infecções podem se espalhar rapidamente. "Um surto na prisão é simplesmente incontrolável, então interromper qualquer contato com o exterior era uma prioridade absoluta", disse Aldo Di Giacomo, secretário do Sindicato da Polícia Penitenciária (SPP).
Di Giacomo reconhece que a situação de segurança melhorou gradualmente depois que a Agência de Proteção Civil da Itália distribuiu 100 mil máscaras e montou 83 tendas de triagem para testar os recém-chegados. Mas ele acredita que a agitação também foi motivada por outra coisa: "Interromper as visitas significa que trazer drogas para dentro da prisão se tornou muito mais difícil."
Multidão diante de policiais com capacetes azuis em RomaPor outro lado, para muitos prisioneiros essas visitas dão um motivo para seguir em frente. "Isso era tudo para mim, o único momento para conversar de verdade com meu pai. Você não conta os seus sentimentos mais íntimos em uma carta", diz Margherita Coppola, de 29 anos.Coppola concorda com os limites impostos pelo governo, mas está preocupada com o pai de 75 anos preso em Rebibbia, onde também ocorreram tumultos. Ela não tem notícias dele desde o início de fevereiro.
"A medida não foi bem explicada aos reclusos, e as visitas proibidas devem ser rapidamente substituídas por medidas adequadas", diz Susanna Marietti, da associação Antigone. Normalmente, os presos podem falar com suas famílias por telefone dez minutos por semana. "Dê a eles 20 minutos por dia, e a tensão diminuirá."
Antigone, que monitora as condições das prisões italianas há 30 anos, considera improvável uma anistia geral ou um indulto no momento. Marietti, no entanto, argumenta que há espaço para outras medidas para aliviar a carga da superlotação. "Deveríamos promover a prisão domiciliar para aqueles que se comportaram adequadamente no presídio e para aqueles cujas penas acabam dentro de um curto período de tempo", propõe.
Enquanto isso, Coppola está cruzando os dedos pelo pai. Ele deveria cumprir o último ano de sua sentença em casa. "Eu nem sei se ele está ciente dessas boas notícias", diz ela.
Michele Bertelli (md)Caminho Político
Edição:Régis Oliveira

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