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sexta-feira, 19 de junho de 2020

"Facebook remove anúncio da campanha de Trump com símbolo nazista"

Donald TrumpPostagem sobre o "antifa" trazia triângulo invertido usado pela Alemanha nazista para designar prisioneiros políticos nos campos de concentração. Ação deve acirrar disputas entre o presidente americano e redes sociais. O Facebook removeu nesta quinta-feira (18/06) um anúncio da campanha eleitoral do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que continha um símbolo utilizado pela Alemanha nazista para designar prisioneiros políticos, incluindo comunistas, nos campos de concentração. A rede social, que vinha sendo criticada por não interferir em conteúdos políticos postados em sua plataforma, justificou a remoção da postagem que trazia o símbolo – um triângulo vermelho de cabeça para baixo – afirmando que esta violou uma política contra "ódio organizado".
"Não permitimos símbolos que representem organizações ou ideologias de ódio, a não ser que sejam colocadas dentro de um contexto ou em condenação", disse o diretor de políticas de segurança do Facebook, Nathaniel Gleicher, em audiência na Câmara dos Representantes do Congresso americano. "Foi isso que vimos no caso desse anúncio. Em qualquer lugar que esse símbolo fosse publicado, tomaríamos as mesmas ações."
O anúncio removido continha a imagem do triângulo invertido com a seguinte mensagem: "BANDOS perigosos de grupos de extrema esquerda estão correndo pelas nossas ruas e causando desordem absoluta. Eles estão DESTRUINDO nossas cidades e causando tumultos – é uma loucura absoluta... Por favor, acrescente seu nome IMEDIATAMENTE para se posicionar ao lado do seu presidente e da decisão dele de declarar o ANTIFA uma organização terrorista."
A campanha de Trump, que concorre à reeleição em novembro, argumentou que o símbolo em questão é "amplamente utilizado" em referência ao grupo de ativistas de esquerda conhecido como "antifa".
"O Facebook ainda tem um emoji com um triângulo vermelho invertido, que tem aparência quase igual, portanto, é curioso que eles tenham apenas este anúncio como alvo", afirmou um porta-voz da campanha.
O Facebook vem sendo pressionado a remover declarações incendiárias de Trump, que, segundo críticos, contribuem para promover a violência. O fundador da empresa, Mark Zuckerbeg, reiterou que a plataforma não pretende moderar o discurso político, mas vai agir para fazer valer suas diretrizes e barrar conteúdos que promovam danos físicos.
Entretanto, o Facebook rejeitou diversas vezes pedidos para que realizasse checagem de fatos em relação a declarações de políticos, incluindo um pedido do candidato democrata à presidência dos EUA, Joe Biden, que acusou a existência de uma campanha de desinformação que teria origem na Casa Branca.
A rede social é acusada de não agir contra a desinformação política, após não ter barrada campanhas estrangeiras de influência nas eleições presidenciais americanas de 2016, vencidas por Trump.
Nesta semana, a plataforma passou a possibilitar que usuários desativem anúncios políticos. A novidade, que está sendo lançada no EUA e em outros países, permite que usuários do Facebook e do Instagram optem por não visualizar anúncios pagos por candidatos e grupos políticos.
A rede social lembrou que já removeu anúncios de Trump no passado em razão de violações, inclusive barrando uma tentativa de interferência no recenseamento populacional americano.
A medida adotada pelo Facebook deverá acirrar a disputa entre Trump e as redes sociais. O presidente vinha acusando empresas de tecnologia do Vale do Silício de serem tendenciosas contra políticos conservadores. Ele, porém, possui, milhões de seguidores nessas redes, as quais utiliza diariamente para opinar e criticar seus adversários.
Um dos principais alvos de Trump vinha sendo o Twitter, que, recentemente, ocultou uma postagem do presidente por "apologia à violência" e alertou para conteúdo falso em outra postagem.
Nesta quinta-feira, a plataforma marcou um vídeo postado por Trump que mostrava uma versão editada de um vídeo bastante conhecido nas redes sociais de duas crianças, uma negra e uma branca, se abraçando, como sendo "mídia manipulada". A postagem de Trump dá a entender que a emissora CNN teria classificado uma das crianças como um apoiador "racista" do presidente.
Zuckerberg, entretanto, rejeitou a adoção de medidas semelhantes em sua rede social. Ele afirmou que "a melhor maneira de punir e responsabilizar os políticos é através do vot, e acredito que devemos confiar nos eleitores para eles mesmos fazerem esses julgamentos".
RC/afp/ap/cp

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