DIRETO DA VENEZUELA

DIRETO DA VENEZUELA
Tweets por ‎@infoenlaceweb INSTAGRAM @INFOENLACEWEB

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Av. André Maggi nº 6, Centro Político Administrativo

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Endereço: Av. André Maggi, 6 - Centro Político Administrativo

DE OLHO NOS RURALISTAS!

DE OLHO NOS RURALISTAS!
Observatório de agronegócio e políticas ruralistas no Brasil. As notícias com perspectiva social e ambiental.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Por que crítica feita ao Brasil não vale também para a China?

País asiático não é um modelo de proteção ambiental, mas recebe bem menos críticas. Não se trata de justificar destruição de florestas pelo Brasil, mas de chamar a atenção para uma dupla moral, afirma Astrid Prange. Caros brasileiros, Faz pouco mais de um ano, o governo brasileiro rejeitou uma ajuda de 20 milhões de dólares oferecida pelo G7 (grupo das sete maiores potências econômicas do mundo) para combater os incêndios na Amazônia. A oferta foi feita numa cúpula do G7.
O então ministro da Casa Civil mandou um recado nada simpático aos lideres dos países industrializados: "Agradecemos, mas talvez esses recursos sejam mais relevantes para reflorestar a Europa", afirmou ao portal G1. "O Brasil é uma nação democrática, livre e nunca teve práticas colonialistas e imperialistas, como talvez seja o objetivo do presidente francês", acrescentou.
O argumento colonialista já foi usado várias vezes pelo governo brasileiro para defender as queimadas e o desmatamento na Amazônia.
A necessidade de países em desenvolvimento de se dedicarem mais ao crescimento econômico para combater a pobreza foi reconhecida pelas Nações Unidas, que nos vários acordos para a proteção de clima deixaram claro que os países industrializados tinham que contribuir mais que os países emergentes e em desenvolvimento.
A China é um dos países que mais usou essa argumentação para justificar sua priorização do crescimento econômico nos últimos 30 anos. E Pequim continua nessa linha: o novo pacote de aceleração econômica de 477 bilhões de dólares, anunciado em outubro, prevê a construção de inúmeras estradas, pontes e linhas ferroviárias sem nenhuma restrição em favor da proteção do meio ambiente.
O problema é a dupla moral
Para evitar mal entendidos: não quero aqui justificar a destruição da Floresta Amazônica ou de qualquer outra floresta neste mundo. Mas quero chamar a atenção para a dupla moral que muitas vezes domina o debate. A crítica dirigida ao Brasil não é dirigida da mesma maneira à China.
A alta demanda da China por recursos naturais, por exemplo, aumenta a pressão sobre iniciativas como a moratória da soja no Brasil, um acordo envolvendo grandes exportadores de soja e a sociedade civil, que está em vigor desde 2006 e conseguiu reduzir em cerca de 80% o desmatamento de áreas na Amazônia para plantar o grão.
O crescimento econômico da China causa o tráfico ilegal da madeira pau-rosa. Segundo o escritório das Nações Unidas para o combate ao crime organizado (Undoc), a demanda por essa madeira tropical, que é usada na fabricação de móveis, está causando desmatamento nas florestas dos países asiáticos Tailândia, Laos, Vietnã, Cambodja e Myanmar e também em muitos países africanos.
Desmatamento na Europa
A própria Europa não era e não é um modelo de sustentabilidade. Segundo uma pesquisa da Universidade de Plymouth, publicada na revista Nature, nos últimos 6 mil anos, a área coberta por florestas no velho continente foi reduzida em mais da metade.
A briga entre economia e meio ambiente continua. Em 2007, o então presidente do Equador, Rafael Correa, desafiou a comunidade europeia. Ele prometeu que o país deixaria as reservas de petróleo embaixo da terra no Parque Nacional de Yasuní se os países industrializados compensassem o Equador pelas perdas do petróleo não vendido. A iniciativa pioneira fracassou.
Bolsonaro não desafiou os países industrializados com um projeto concreto. Ele decidiu ignorar a oferta do G7 e minimizar o aquecimento global. E partiu para o ataque. Mas de que adianta criticar o colonialismo dos europeus e ao mesmo tempo praticar um colonialismo brasileiro?
A União Europeia, por sua vez, poderia realmente cuidar melhor das suas próprias florestas, como Bolsonaro sugeriu. E ela também poderia ampliar suas críticas a outros países: além do Brasil, por exemplo ao Peru ou à Indonésia, onde nos últimos dez anos houve desmatamentos recordes também, segundo a iniciativa Global Forest Watch. E, claro, também à China.
Os presidentes Rafael Correa e Jair Bolsonaro fizeram as perguntas certas. Pena que deram as respostas erradas.
Astrid Prange de Oliveira foi para o Rio de Janeiro solteira. De lá, escreveu por oito anos para o diário taz, de Berlim, e outros jornais e rádios. Voltou à Alemanha com uma família carioca e, por isso, considera o Rio sua segunda casa. Hoje ela escreve sobre o Brasil e a América Latina para a Deutsche Welle. Siga a jornalista no Twitter @aposylt e no astridprange.de.
Astrid Prange/Caminho Político
@CaminhoPolitico

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ame,cuide e respeite os idosos