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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

NOVA BANDEIRANTES: Com práticas sustentáveis, propriedade de pecuária na Amazônia de MT atinge produtividade 10 vezes maior que média nacional

Enquanto a média da produtividade da pecuária bovina no Brasil se mantém em cerca de 4,5 arrobas por hectare/ano, uma propriedade rural do município amazônico de Nova Bandeirantes, região norte de Mato Grosso, virou caso de sucesso na adoção de técnicas e práticas sustentáveis que possibilitaram o índice de 50 arrobas por hectare/ano, número aproximadamente 10 vezes maior do que a média nacional.
As estratégias para alcançar a taxa foram compartilhadas em um Dia de Campo organizado pelo Sebrae para pequenos produtores rurais com apoio do Instituto Centro de Vida (ICV) e Campo S/A no último dia 11 de dezembro. O evento “Como produzir 50 arrobas por hectare?” contou com mais de 120 participantes, entre produtores rurais, consultores, representantes de vendas e acadêmicos.
Tecnologias de manejo de pastagem, com adubação adequada, manejo dos animais em sistemas rotacionados e qualidade da água estão entre as ações-chave para alcançar uma produção mais robusta sem desmatamento.
É o processo de intensificação da propriedade, que implementa estratégias para maior produção na mesma área enquanto a pecuária extensiva demanda maior espaço e, portanto, capaz de gerar desmatamento.
Adriano Bigotto Cabreira, técnico do Sebrae/MT, explica que a instituição realiza, através de empresas credenciadas, um acompanhamento da propriedade do pequeno produtor para apoiar nessa transformação.
“É realizada uma análise da situação atual da propriedade e depois desenha-se um processo de construção que pode durar de dois a três anos. E então colhemos resultados como o que presenciamos aqui hoje”, disse.
Para o diretor da Campo S/A, Murilo Guimarães, o caso de sucesso irá ditar o futuro da pecuária na Amazônia de Mato Grosso.
“É uma quebra de paradigma”, define. “Estamos mostrando como a metodologia tem a capacidade de atingir mais e mais produtividade”, completa.
O especialista explica que a presença massiva de produtores da região no evento comprova que será um caminho trilhado ainda por muitos. “Eles conseguem ver que é sobre ter pecuária produtiva, sustentável e adotar técnicas relacionadas a gestão, água e manejo. É a pecuária do futuro”, diz.
O evento foi apoiado pelo ICV através do projeto Conect@gro.
O consultor técnico do ICV, Eduardo Florence, ressalta que casos como o da estância ainda são uma minoria. “Percebemos que o produtor começa a mudar o conceito. O produtor que é da pecuária tá percebendo a necessidade de mudança. Também há a sucessão, muitos jovens que começam a assumir as propriedades e mudar o perfil da produção”, diz.
Eduardo relembra que a adoção de assistência técnica, tecnologias e melhores práticas acompanham o ritmo de mudança do campo na região.
“Também por causa da chegada da agricultura na região”, comenta.
Muitas propriedades migraram, nos últimos anos, para a produção de grãos, como soja e milho.
SEM RECEITA PRONTA
Um dos pontos ressaltados durante o evento é de que não existe receita pronta para tamanho sucesso de produtividade.
“Tudo depende da propriedade, é preciso analisar cada situação”, comentou Dalton Henrique Pereira, fundador do Grupo de Estudos em Pecuária Integrada (GEPI/UFMT) e um dos palestrantes na programação.
Como exemplo, foi mencionada uma situação própria do sistema rotacionado da propriedade em questão, em que os gestores buscaram adaptações de acordo com os costumes do gado.
Allan Sérgio é um dos gestores da propriedade e afirma que, por trás da conquista, teve muita noite mal dormida.
“Só quem passou na pele sabe o trabalho que foi”, diz. O pecuarista afirma que as mudanças de gestão e técnicas também exige abertura à adaptações e mudanças.
“Quando se faz muito tempo de um jeito, é difícil mudar, assumir que tá errado”, comenta. “Geralmente era aquele sistema antigo de produzir […] Hoje temos que tratar com uma empresa.”
O produtor rural Antônio Marcos Coelho, vizinho da Estância Pingo D’Ouro, explica que os modos de produção de sua fazenda são similares à estância.
“O bem-estar do animal agrega à produtividade. Quando ele chega e come um alimento de boa qualidade e uma água de qualidade, dá mais resultado”, comenta. “A intensificação tem custo, mas se paga.”
O fazendeiro relembra quando o gado ainda acessava o córrego para beber água, o que tirava a qualidade do líquido e impactava na produtividade. “Temos que preservar a água. Aqui [no cocho] chega limpinho”, diz.
Para Marcos, a visão ampla dos assessores técnicos e os exemplos de diversas outras fazendas podem apoiar no planejamento de forma única. “Eles podem ver as situações de outros locais e mostrar como exemplo”, constatou.
PROJETO CONECT@GRO
Tornar a pecuária da Amazônia mato-grossense mais produtiva, rentável e capaz de garantir a preservação da floresta amazônica é o principal foco do projeto Conect@gro, que atende 15 propriedades de médio porte, com tamanho médio de 600 hectares na região. Ao total, somará mais de 9 mil hectares com melhorias técnicas na produção e na gestão da propriedade.
As atividades do projeto abarcam diversas áreas: gestão do negócio, planejamento de produção, capacitação, manejo de pastagens, suplementação alimentar, recuperação de áreas degradadas e outras.
O projeto é implementado pelo Instituto Centro de Vida (ICV), em parceria com Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), do Grupo de Estudos da Pecuária Integrada da Universidade Federal de Mato Grosso (GEPI/UFMT), Universidade Federal de Goiás, Sicredi, Embrapa Agrossilvipastoril e Campo S/A.
O projeto é financiado pelo Programa REM, executado em parceria com o Governo do Estado de Mato Grosso, Banco de Desenvolvimento (KfW) Alemão e a Secretaria de Negócios, Energia e Estratégia Industrial (BEIS) do Reino Unido, e tem como gestor financeiro o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
Assessoria/Caminho Político
@caminhopolitico @cpweb

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