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domingo, 13 de fevereiro de 2022

Biden alerta Putin: prontos para cenários fora da diplomacia

Presidente americano conversou por telefone com mandatário russo e ameaçou impor rapidamente "custos severos" a Moscou caso a Rússia prossiga com uma invasão à Ucrânia. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou neste sábado (12/02) o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que embora Washington esteja preparado para resolver via diplomacia a situação na Ucrânia, o país está "igualmente pronto" para cenários diferentes.
Em uma conversa telefônica de uma hora e dois minutos entre os dois presidentes, Biden ameaçou impor rapidamente "custos severos" à Rússia em coordenação com seus aliados na Europa, caso Putin realize uma invasão à Ucrânia, disse a Casa Branca em comunicado.
O presidente americano também disse a Putin que um ataque russo à Ucrânia causaria "sofrimento humano generalizado" e reduziria o prestígio da Rússia no mundo.
Biden fez a ligação na residência presidencial de Camp David, no estado de Maryland, onde está desde a tarde de sexta-feira.
Esta foi a primeira conversa direta entre os dois mandatários desde 30 de dezembro, quando ambos deixaram claras suas diferenças sobre a Ucrânia.
Uma autoridade dos EUA, falando sob condição de anonimato, disse a repórteres que a conversa foi "profissional e substantiva", mas que "não houve mudança fundamental na dinâmica que está se desenrolando há várias semanas".
A agência de notícias Reuters informou que Putin pediu que a ligação ocorresse na segunda-feira, mas Biden pressionou para que fosse no sábado.
Telefonema em meio à tensão
O diálogo deste sábado ocorreu um dia após os EUA pedirem que os cidadãos americanos deixassem o território ucraniano em até 48 horas, diante da "possibilidade clara" de um ataque da Rússia durante o período dos Jogos Olímpicos de Inverno, que terminam no dia 20 de fevereiro, em Pequim, na China.
Outros países fizeram o mesmo e aconselharam a saída de seus cidadãos da Ucrânia, como Alemanha, Holanda, Coreia do Sul, Reino Unido e Letônia.
Neste sábado, o Departamento de Estado americano ordenou a saída da maioria dos funcionários diplomáticos da Ucrânia e anunciou a suspensão dos serviços consulares na embaixada em Kiev a partir deste domingo.
Apenas algumas horas antes do telefonema, o governo americano ordenou a saída da Ucrânia de 160 integrantes da Guarda Nacional da Flórida (corpo de reserva militar), como medida de extrema precaução.
As tropas atuavam nos últimos meses com o assessoramento e treinamento das Forças Armadas do país do Leste Europeu.
Os militares, ao serem realocados, serão encaminhados para outros países da Europa ainda não divulgados.
Neste sábado, mais de 5.000 pessoas participaram de um ato em Kiev em defesa da soberania ucraniana.
Conversa com Macron
Antes da conversa com Biden, Putin recebeu um telefonema do presidente francês, Emmanuel Macron.
A Macron, Putin classificou as acusações contra a Rússia sobre invasão iminente à Ucrânia como uma "especulação provocadora", segundo um comunicado do Kremlin.
O governo russo considera que as acusações e o envio de armamento ao Leste Europeu cria "as condições prévias para possíveis ações agressivas das forças ucranianas no Donbass", região no leste da Ucrânia onde a Rússia apoia separatistas armados há oito anos.
Putin voltou a queixar-se da recusa dos Estados Unidos e da Otan em aceitarem seus pedidos para redução da tensão, como a garantia de que a Ucrânia nunca fará parte da Aliança Atlântica.
Um resumo do telefonema apresentado pelo Kremlin deu a entender que não houve progresso para solucionar a situação. Enquanto isso, o escritório de Macron disse que "ambos expressaram o desejo de continuar o diálogo".
O Palácio do Eliseu informou que Macron afirmou a Putin que um "diálogo sincero" não era compatível com uma escalada da situação na Ucrânia.
Macron já tinha se reunido com Putin em Moscou, na segunda-feira, antes de viajar para Kiev, no dia seguinte, para conversações com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.
Tentativas diplomáticas
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, conversou com seu colega russo, Sergey Lavrov, neste sábado, assim como o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, e o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu.
Blinken disse a Lavrov que a via do diálogo permanece aberta, mas exigiu uma desescalada - e o seu homólogo acusou Washington de propaganda ao falar numa invasão iminente da Ucrânia pela Rússia.
O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, disse que, se a Rússia invadir a Ucrânia agora, o resultado seria "uma resposta transatlântica resoluta, massiva e unida".
O Ocidente acusa a Rússia de ter reunido dezenas de milhares de tropas junto à fronteira da Ucrânia, temendo que Moscou possa invadir novamente o país, depois de ter anexado a península da Crimeia em 2014, e de apoiar, desde então, uma guerra separatista no Donbass.
As crescentes tensões sobre a Ucrânia e a possibilidade de um conflito armado no continente europeu são vistas como o maior teste geopolítico para a Otan e a Europa após a Guerra Fria.
Apesar dos crescentes sinais de que a balança pode estar se inclinando para uma escalada de hostilidades, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski disse a jornalistas neste sábado que ficou surpreso com a última rodada de alertas e saídas de governos ocidentais do país.
(AFP, AP, Reuters)cp
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