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quinta-feira, 21 de julho de 2022

Servidores da Abin defendem urna eletrônica

Profissionais da agência de inteligência dizem não haver registros de fraudes de votação desde implantação do atual sistema, há 26 anos. Presidente da entidade deixa o cargo após divulgação do comunicado. Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgaram nesta quarta-feira (20/07) uma nota de apoio ao sistema de votação do país, expressando "confiança na lisura do processo eleitoral brasileiro" e frisando não haver "qualquer registro de fraude nas urnas eletrônicas desde a implantação do atual sistema", há 26 anos.
O texto foi divulgado dois dias após o presidente Jair Bolsonaro ter feito novos ataques às urnas eletrônicas em reunião com dezenas de embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, quando voltou a levantar, mais uma vez sem provas, suspeitas já plenamente refutadas sobre o sistema de votação.
Assinado pela União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis), o comunicado ressalta que os servidores reforçam compromisso com "o Estado Democrático de Direito, a Constituição da República e o respeito irrestrito e inegociável aos direitos e garantias dos cidadãos".
O documento destaca que os profissionais de inteligência prestam "apoio técnico especializado" à Justiça Eleitoral no fornecimento e na implementação dos sistemas de criptografia que garantem a segurança, o sigilo e a inviolabilidade dos programas e dos dados das urnas eletrônicas utilizadas no Brasil.
Presidente da Intelis renuncia
O presidente da Intelis, Daniel Macedo, foi contrário à manifestação dos trabalhadores da Abin, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Após a nota ter sido divulgada, ele pediu desligamento do cargo por "motivos pessoais".
"Eu fiquei desconfortável com a exposição neste momento. A minha postura é mais discreta, menos combativa, e esse debate [sobre as urnas eletrônicas] ficou muito acalorado. Eu preferi um caminho de diálogo, de maneira mais pacífica e suave", disse Daniel Macedo à Folha.
Nesta terça-feira, no dia seguinte à palestra de Bolsonaro frente a diplomatas estrangeiros, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília divulgou um comunicado afirmando que as eleições brasileiras são um modelo para o mundo e que os americanos confiam na força das instituições do Brasil.
No mesmo dia, um grupo de nove deputados da oposição pediu ao STF que autorize uma investigação contra Bolsonaro pelos seus ataques ao sistema eleitoral.
"Não pode o representado usar do cargo de presidente da República para subverter e atacar a ordem democrática, buscando criar verdadeiro caos no país e desestabilizar as instituições públicas", diz o documento enviado ao STF.
Também nesta terça-feira, um grupo de 43 procuradores dos direitos do cidadão em todo o país enviou à Procuradoria-Geral da República uma "notícia de ilícito eleitoral" contra Bolsonaro, com o objetivo de pressionar Aras a investigar o presidente pelo "ataque explícito ao sistema eleitoral, com inverdades contra a estrutura do Poder Judiciário Eleitoral e a democracia".
A imprensa estrangeira repercutiu a apresentação de Bolsonaro no Palácio do Alvorada, comparando as atitudes do governante brasileiro ao comportamento do ex-presidente americano Donald Trump.
md/lf (ots)cp
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